Estado tem metade de leitos de UTI para Covid-19 prevista pelo governo, diz ALE
Parlamentares questionam Renan Filho, que chegou a anunciar 105 leitos de terapia intensiva para o Estado
Apesar do anúncio, feito pelo governador Renan Filho (MDB), no mês passado, de que Alagoas tem 105 leitos de UTI disponíveis para tratamento de casos graves de Covid-19, os deputados estaduais informaram que a realidade é completamente diferente. Durante a sessão ordinária da Assembleia Legislativa (ALE) desta terça-feira (7), os parlamentares informaram que o Estado só dispõe, atualmente, de 52 leitos de terapia intensiva, distribuídos em poucas unidades hospitalares.
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E esta quantidade é considerada insuficiente diante do risco iminente de o número de casos confirmados do novo coronavírus disparar nas próximas semanas, em todo o país, conforme está previsto pelo Ministério da Saúde (MS). Com isso, a possibilidade é grande de parte destes pacientes necessitar do internamento.
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O anúncio deste dado foi feito pela deputada Jó Pereira (MDB) numa discussão entre os parlamentares acerca da estruturação das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) para o recebimento de pacientes com sintomas mais graves da doença. Os dois pacientes que morreram em Alagoas vítimas da Covid-19 estavam internados em leitos improvisados na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Trapiche da Barra.
A deputada Jó informou que obteve da própria Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) a informação oficial de que Alagoas só tem 52 leitos de UTIs garantidos e exclusivos para receber os doentes com testes confirmados para o novo coronavírus. E este número é bem inferir ao que foi anunciado pelo governador Renan Filho, durante entrevista coletiva com a imprensa, em março.


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"O que fui informada, pelo secretário Alexandre Ayres, é que o Estado está se preparando para ter 200 leitos de UTIs até maio, todos para receber estes pacientes com a Covid-19. Na prática, eles ainda não estão prontos. Além disso, uma preocupação que precisamos ter é que, para cada leito de UTI, o Estado providencie outros três de enfermaria, para garantir o isolamento dos pacientes testados positivos", cobrou.
O deputado Davi Maia (DEM) fez duras críticas à postura do governador no combate a esta pandemia. Para ele, Renan Filho faz demagogia e desinforma a população. "O governador não tem dito a verdade. Estas UPAs não têm leitos de UTI, como foi anunciado por Renan Filho, e nunca terá porque estas unidades não foram feitas para esta finalidade".
Maia reivindicou do chefe do Executivo e do secretário George Santoro, da Fazenda, a apresentação de um plano de resgate da economia. "Não basta, apenas, cobrar do presidente da República. O governo de Alagoas precisa tomar atitudes concretas e efetivas para recuperação da nossa economia, que parte do setor está fincada no turismo e no comércio, parados neste momento de isolamento social".
Este assunto também foi repercutido, na ALE, pelos deputados Bruno Toledo (PROS) e Cabo Bebeto (PSL). Toledo disse ter a impressão de que, passados 20 dias da quarentena imposta pelo governador, o Estado ainda não está preparado para o enfrentamento ao novo coronavírus. "Prova disso é que os pacientes que morreram estavam internados em uma UPA, que me parece não ter estrutura alguma para lidar com estes pacientes".
Bebeto defendeu a flexibilização do decreto governamental para reabertura gradativa e parcial do comércio de Alagoas, sugerindo horários diferenciados de expediente nas lojas para evitar aglomerações e obedecendo os parâmetros sanitários que evitam o contágio.
