Nicarágua: Presidente não aparece há mais de 1 mês; país não adotou isolamento
Sumiço alimenta rumores sobre o estado de saúde de Daniel Ortega, alvo de protestos desde 2018
Em plena pandemia de novo coronavírus, não se sabe o paradeiro do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega. Ele não aparece em público há mais de um mês, e, nos últimos dias, os canais governistas do regime nicaraguense vêm repercutindo apenas as declarações de Rosario Murillo, vice-presidente e primeira-dama do país centro-americano.
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Aliás, a Nicarágua é um dos únicos países nas Américas a não ter tomado nenhuma medida de isolamento para conter a pandemia. O regime local manteve os festejos de Páscoa mesmo com os apelos da Igreja Católica ? uma das principais vozes de oposição a Ortega.
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Nas ruas do país, correm rumores sobre o estado de saúde do presidente, de 74 anos. Segundo uma fonte ouvida pelo G1, havia expectativa de que Ortega daria declaração em público no domingo de Páscoa (12). Porém, isso não se concretizou.
O site governista de notícias "El 19" reproduz há dias os discursos de Rosario Murillo. No mais recente, publicado nesta segunda-feira (13), ela afirma que Ortega ? a quem chama de "nosso comandante" ? está "coordenando todas as equipes de trabalho".


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A Nicarágua vive forte crise política desde 2018, quando protestos contra um projeto de reforma da previdência foram fortemente reprimidos. Então, o movimento se converteu em uma insatisfação generalizada contra o regime. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também pede a saída de Ortega do poder.
Coronavírus na Nicarágua
Também há polêmica sobre o número real de casos da Covid-19 na Nicarágua. O governo diz haver somente três casos ativos da doença no país, todos importados. Segundo Carlos Sáenz, secretário-geral do Ministério da Saúde, outras cinco pessoas já se recuperaram do novo coronavírus ? e uma pessoa morreu.
Os números representam grande contraste com os casos confirmados em Honduras (397) e na Costa Rica (612), os dois países que fazem fronteira terrestre com a Nicarágua. Ambos os vizinhos adotaram medidas para reduzir a circulação de pessoas e fecharam os acessos para estrangeiros.
Embora o governo não tenha tomado medidas de restrição contra o coronavírus, setores da sociedade tomaram a dianteira na conscientização sobre a importância do distanciamento social.
Segundo a agência Associated Press, diversas empresas fecharam as portas e cada vez mais os moradores pedem comida por telefone ou aplicativos. O movimento em Manágua, capital da Nicarágua, é mínimo, diz a AP.
Porém, alguns eventos continuam a ocorrer normalmente no país, como se não houvesse pandemia. O campeonato local de futebol, inclusive, não foi interrompido ? assim como em Belarus, outro país em que o presidente não adotou medidas para conter a Covid-19.
Nesta segunda-feira, o total de casos do novo coronavírus no mundo passou de 2 milhões, segundo levantamento da Universidade Johns Hopkins. Isso significa que os diagnósticos confirmados dobraram em menos de duas semanas. O país com mais registros de Covid-19 é os Estados Unidos, com quase 700 mil até a noite de segunda-feira.
