Quando o governo é forçado a intensificar a limpeza das unidades de saúde
Profissionais de Saúde em Alagoas já foram infectados em decorrência da pandemia
Em outubro do ano passado, a reportagem da Gazeta, com exclusividade, destacou uma portaria do Ministério da Saúde, publicada pelo Diário Oficial da União. Tratava-se da suspensão do repasse federal de R$ 5,9 milhões para atender ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência em Maceió, cuja gestão é do governo de Alagoas, através da Secretaria de Saúde do Estado.
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O bloqueio de recursos indispensáveis à dignidade funcional do SAMU foi consequência de auditoria federal, que comprovou um rosário de irregularidades. Desde o descumprimento de metas consideradas corriqueiras, até aquelas relacionadas ao bom atendimento e à utilização correta de recursos. Antes de adotar o ato extremo da suspensão, Brasília remeteu à SESAU quatro ofícios de cobrança e regularização.
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O tempo passou e o governo Renan Filho enxergou a Secretaria da Saúde envolvida em nova operação da Polícia Federal. No meio da agonia provocada pela COVID-19, não se pode passar despercebida a imagem do secretário da Saúde, Alexandre Ayres, sentado em audiência convocada pelo Ministério Público do Trabalho. Na pauta, responder às denúncias de falta de equipamento de proteção individual para os trabalhadores do SAMU.
Precisou, inclusive, o secretário do governador se comprometer a intensificar - vejam só! - a limpeza em todas as unidades de saúde do Estado, como se tal negligência possa ser admitida como algo normal e que, portanto, desnecessite de uma reação indignada da sociedade. Para o caso ser coroado ao estilo, faltou a Ayres o desprendimento de fazer uma "live" sobre o tema, como receita o marketing palaciano.


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O SAMU e seus profissionais merecem respeito, porque estão na ponta salvando vidas, apesar das dificuldades. Se na rotina a proteção já é indispensável, avalie em tempo de pandemia, porque as chamadas de urgência comprovam que a vida segue também produzindo vítimas por outras causas graves.
Esse lamentável fato revela algo perturbador: o governo Renan Filho poderia ter absorvido algumas lições do último estudo analítico do Datafolha, publicado pela Folha de S. Paulo. Nele, Alagoas foi apontado como detentor de uma das gestões mais ineficientes do Brasil, gastando muito e entregando pouco à população. Pelo estudo, a área da Saúde do Estado encontra-se na UTI, acometida pelo inaceitável mal da ineficiência.
