Inter, evitando crise financeira, aumenta cortes e demite 40 funcionários
Além do orçamento reduzido no período sem jogos, o Colorado precisou renegociar com parceiros e cancelar contratos
Os efeitos da paralisação do futebol em razão da pandemia do coronavírus afetaram ainda mais o Inter. Para minimizar os gastos na ordem de 30% em cada setor, como planejado pelo presidente Marcelo Medeiros, o clube realizou 44 demissões nas mais diversas áreas, conforme apurou o GloboEsporte.com.
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Além do orçamento reduzido no período sem jogos, o Colorado precisou renegociar com parceiros e cancelar contratos. Só que isso não adiantou, e a diretoria entendeu a necessidade do desligamento de funcionários.
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O Inter emitiu uma nota no início da tarde. Nela, diz que "funcionários que possuem os menores salários manterão a integralidade de seus pagamentos. Para os demais que tiverem a carga horária diminuída, serão descontados 25% dos vencimentos. Além da suspensão ou corte de contratos de terceiros, o clube, infelizmente, precisou reduzir em cerca de 8% seus postos de trabalho".
O primeiro setor a ser atingido foi o Inter B. O clube fechou o time alternativo e, em consequência, rescindiu com os profissionais da comissão técnica. Jogadores sub-20 retornaram à categoria, enquanto outros acabaram promovidos ao grupo de Eduardo Coudet. Desde o início do ano, o departamento de futebol teve 24 saídas.


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Na semana passada, uma declaração do presidente Marcelo Medeiros em entrevista à Rádio Guaíba repercutiu de forma negativa. Questionado se algum jogador se sentisse desconfortável com o retorno pelo medo de contrair o coronavírus, o mandatário disparou:
- O jogador que não quiser jogar, pede demissão. Se for aberta a possibilidade do futebol voltar, ele vai cumprir o contrato que ele assinou.
Horas depois, Medeiros usou o Twitter para se retratar e pedir desculpas sobre a afirmação. Mas ressaltou os esforços da diretoria para minimizar os efeitos da crise no clube.
Recentemente, os jogadores entraram em acordo sobre pagamento de direitos de imagem. Ainda assim, é esperada queda de R$ 100 milhões nas receitas.
Enquanto tenta equilibrar o caixa, o futebol segue rotina de exercícios. Após o retorno na última terça-feira, a manhã desta quarta teve atividade com bola no Centro de Treinamentos do Parque Gigante.
Confira a nota do Inter na íntegra:
"A paralisação dos jogos e campeonatos causou um forte impacto no futebol. A crise financeira que se alastrou em várias atividades econômicas também bateu em todos os clubes. Não é diferente com o Sport Club Internacional. Caso se concretize um cenário de 90 a 120 dias de paralisação, a estimativa de perda de receita gira em torno de R$ 100 milhões. A possível rescisão do contrato de parceria para transmissão do Brasileirão, por exemplo, significará perda de cerca de R$ 25 milhões.
Desde o início da pandemia, o Conselho de Gestão do Internacional tem buscado soluções para esse enorme desafio. O objetivo sempre foi e será preservar a saúde das pessoas e garantir a sustentabilidade do clube para o futuro. A partir de estudos e simulações de fluxo de caixa, definiu-se uma meta de redução de 30% no orçamento de todos os departamentos.
Nesse sentido, foram empreendidas diversas rodadas de negociação com fornecedores e instituições financeiras, além de um permanente acompanhamento jurídico das medidas de apoio implementadas pelo poder público. Todos os novos investimentos, contratações de serviços e compras que não estejam estritamente relacionados ao funcionamento do clube foram, até segunda ordem, completamente suspensos.
Com transparência e seriedade, o clube também tem dialogado com seu quadro funcional para buscar uma adequação a essa nova realidade econômica advinda da pandemia. Em comum acordo com o grupo de jogadores, o Internacional realizou repactuações significativas para o período de interrupção das atividades - e que, por questões contratuais de confidencialidade, não podem ser detalhadas.
Após o retorno do período de férias concedido até 30 de abril, novas medidas foram tomadas. Funcionários que possuem os menores salários manterão a integralidade de seus pagamentos. Para os demais que tiverem a carga horária diminuída, serão descontados 25% dos vencimentos. Além da suspensão ou corte de contratos de terceiros, o clube, infelizmente, precisou reduzir em cerca de 8% seus postos de trabalho.
Todas as decisões tomadas refletem o período de exceção que vivemos. O momento é de grandes dificuldades e privações - mas, com a união dos colorados e coloradas, voltaremos mais fortes e unidos."
