Divergências entre governos prejudica combate à pandemia, diz OMS
Diretor-executivo da organização não comenta saída de ministro da Saúde, mas diz que países precisam manter coerência
Conflitos entre líderes de diferentes níveis administrativos prejudica o combate à pandemia de coronavírus, afirmou nesta sexta (15) Michael Ryan, o diretor-executivo da OMS (Organização Mundial da Saúde).
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Em resposta a pergunta sobre a saída de Nelson Teich do Ministério da Saúde e as divergências com o presidente Bolsonaro sobre o uso de cloroquina e as restrições a mobilidade, Ryan disse que a coerência das mensagens é difícil para todos os países, principalmente para os grandes e complexos como o Brasil, mas que é importante que eles tentem assegurar a população de que estão seguindo os conhecimentos da ciência.
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"Os países que se saíram melhor foram os que mantiveram a coerência em todos os níveis de governo, adotaram mensagens simples e engajaram toda a população em seus esforços", disse o diretor da OMS.
Teich pediu demissão nesta sexta (15), a dois dias de completar um mês no cargo de ministro da Saúde. A divergência sobre o protocolo do uso da cloroquina no combate ao coronavírus, porém, foi considerada a gota d'água para a queda dele.


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Teich vinha sendo pressionado por Bolsonaro para ampliar o uso da cloroquina em pacientes com quadros leves da Covid-19, apesar da falta de evidências científicas do medicamento no tratamento do novo coronavírus.
"Os países que se saíram melhor foram os que mantiveram a coerência em todos os níveis de governo, adotaram mensagens simples e engajaram toda a população em seus esforços", disse o diretor da OMS.
Teich pediu demissão nesta sexta (15), a dois dias de completar um mês no cargo de ministro da Saúde. A divergência sobre o protocolo do uso da cloroquina no combate ao coronavírus, porém, foi considerada a gota d'água para a queda dele.
Teich vinha sendo pressionado por Bolsonaro para ampliar o uso da cloroquina em pacientes com quadros leves da Covid-19, apesar da falta de evidências científicas do medicamento no tratamento do novo coronavírus.
Além disso, estudos recentes internacionais, publicados em revistas científicas de prestígio, não mostraram benefícios da droga em reduzir internações e mortes e apontaram riscos cardíacos.
O protocolo atual do ministério diz que "as evidências identificadas ainda são incipientes para definir uma recomendação. A literatura apresenta três estudos clínicos, com resultados divergentes, sobre o uso de hidroxicloroquina. Os três estudos apresentam um pequeno número de participantes e apresentam vieses importantes".
O texto afirma que a cloroquina e a hidroxicloroquina só poderão ser utilizadas em casos confirmados de Covid-19 e a critério médico, como terapia adjuvante no tratamento de formas graves, em pacientes hospitalizados, sem que outras medidas de suporte sejam preteridas. Diz ainda que a associação de azitromicina e cloroquina ou hidroxicloroquina pode aumentar risco de complicac?ões cardíacas.
Nesta sexta (15), Teich avisou Bolsonaro que não poderia mudar o protocolo sem comprovação científica sobre a eficácia da cloroquina no início do tratamento.
Na quinta, em teleconferência com empresários brasileiros organizada pelo presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, Bolsonaro afirmou que o protocolo sobre o uso da cloroquina "pode e vai mudar".
