'Já bateu a bad', conta Lívian Aragão, sozinha nos EUA há 3 meses
Atriz, filha de Renato Aragão, estava estudando interpretação em Los Angeles quando foi decretada a quarentena
O objetivo, ao se mudar de mala e cuia para Los Angeles, foi alcançado. Em 2018, Lívian Aragão decidiu morar nos Estados Unidos para estudar interpretação. Agora, depois de já ter atuado em novelas como Flor do Caribe (2013), em duas temporadas de Malhação (2014 e 2016), e em Tempo de Amar (2017), a filha de um dos maiores humoristas do país, Renato Aragão (o eterno Trapalhão Didi) - e de Lilian - se sente preparada para dar novos rumos à carreira de atriz.
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"Me mudei para Los Angeles para estudar atuação na Stella Adler Academy of Acting. Eu amo! É uma faculdade por módulos, então a cada dois meses é um tipo de aula diferente. Isso é perfeito para mim, porque posso ir para o Brasil trabalhar e voltar. O que quero mesmo é atuar: independentemente de onde seja."
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"Quero voltar a fazer novelas, filmes, seriados... Me sinto pronta. Aqui, todos os personagens que me deram foram super desafiadores, papeis que nunca imaginei ganhar com essa idade (21 anos). Já fiz vilãs, personagens engraçadas, bem mais velhas e super diferentes de mim. Senti que cresci muito como profissional nesse tempo", garante a carioca.
Para se aperfeiçoar ainda mais nas artes cênicas, recentemente ela fez curso de redação e direção: "Me apaixonei. Acho que estou pronta para novos desafios na atuação e em outras áreas também."


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Saudade
Tudo certo até aqui, não fosse o "mundo parar" com a pandemia do novo coronavírus. Sozinha na cidade americana e em confinamento há quase três meses, a atriz seguiu as orientações de médicos e decidiu não embarcar de volta ao Brasil para não se arriscar, nem arriscar os pais. Hoje, o que mais sente falta é, sem dúvida, de Renato e Lilian.
"Acho que o mais difícil, para mim, tem sido ficar longe dos meus pais nesse momento de isolamento social. Lógico que eu queria estar com eles, mas os médicos me aconselharam a ficar em Los Angeles para não pegar tantos voos. Também achei melhor ficar isolada, porque meus pais são mais velhos e, consequentemente, estão no grupo de risco", conta, em entrevista por e-mail.
"Evito sair de casa mesmo. Já estou há quase três meses em isolamento. Mas como tenho que fazer tudo sozinha, acabo tendo que me 'virar nos 30'. Por exemplo, quando preciso fazer compras da semana, eu peço online. Como tem muita gente fazendo isso, as entregas demoram, então às vezes preciso sair para comprar comida, e aí uso máscara, luvas, levo álcool gel e tomo todos os cuidados."
"Quando chego em casa, já coloco minhas roupas e sapatos para lavar e limpo o chão. Em outros tempos, podiam chamar isso de 'neura', mas estou fazendo de tudo para deixar minha casa limpinha."
Saúde mental
Lívian também redobrou os cuidados com a saúde mental. Ela admite que a ansiedade bate em algum momento, e revela como faz para se acalmar:
"Sei que muitas pessoas estão passando pelas mesmas coisas e sentimentos: angústia, ansiedade, não saber o que fazer... Estaria mentindo se dissesse que não senti nada disso. Já bateu a bad várias vezes, aí ligo para os meus pais e amigos."
"Não sou do tipo de pessoa que engole choro. Se tiver que chorar, choro e é normal. Estamos em um momento de isolamento e autoconhecimento. O mundo parou. Temos que aprender a lidar com nossos sentimentos, mas sempre tento ver o lado positivo das coisas. Sei que não estamos vivendo a nossa melhor época, só que toda vez que tenho algum pensamento de impotência ou medo, penso: 'O que posso fazer agora?'".
Para ocupar a mente e driblar a solidão, ela apela para vários artifícios: faz tutorias de maquiagem, se produz toda para ensaios fotográficos em casa, compartilha dicas de beleza, cuidados com os cachos... E fez até um diário virtual de seu confinamento.
"Leio bastante sobre ansiedade porque sempre fui uma pessoa que pensa rápido e que quer conquistar as coisas de um dia para o outro. Tem dias que acho super difícil dormir... Não sabia antes, mas hoje entendo que é ansiedade. Sempre penso no que posso fazer agora, e levo um dia após o outro. Isso tem me ajudado a não surtar (risos). Tenho uma agenda e metas pequenas para os meus dias. Em alguns sou mais produtiva, faço meus cursos online, escrevo, faço vídeos para redes sociais, em outros só quero ver filme. E está tudo bem, é assim que me distraio."
