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Após novo afastamento, promotor diz que foi julgado por colegas sem se defender

Coaracy Fonseca rebate versão de que cometeu crimes: "O que existe, em verdade, é um processo de perseguição política nunca visto"

O promotor de Justiça Coaracy José Oliveira da Fonseca utilizou as redes sociais para criticar o afastamento de 120 dias determinado pelo Colégio de Procuradores de Justiça do Ministério Público do Estado de Alagoas (MPE/AL). Na justificava, o colegiado descreve oito motivos que, supostamente, embasaram o afastamento do promotor das funções do órgão desde setembro deste ano.

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Os integrantes do colegiado apontam, também, que o promotor passa por uma "instabilidade psíquica". Apesar das acusações apresentadas pelo Ministério Público de Alagoas, Coaracy denuncia que foi afastado sem se defender.

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Após tomar conhecimento do afastamento decidido pelos colegas, Coaracy revelou que recebeu a notícia com indignação e que a decisão de afastá-lo das funções é resultado de uma prática política. "O que existe, em verdade, é um processo de perseguição política nunca visto antes na história do MPAL", reagiu o promotor, acrescentando que os integrantes do colegiado não deram oportunidade para que ele se defendesse das acusações. A perseguição política apontada por Coroacy seria pelo fato de o promotor ter trabalhado em ações que investigam crimes cometidos por integrantes do governo Renan Filho.

"É lamentável. Seus integrantes [colégio de procuradores] não poderão emitir qualquer decisão administrativa a meu respeito, fui julgado pelo colegiado sem contraditório e ampla defesa. Palavras e frases infelizes foram lançadas sobre mim, que ferem a minha reputação e a minha honra. O julgamento realizado pelo órgão, além de estranho e açodado, orça pela ausência de serenidade, que deve guiar um órgão da administração superior. Nunca denegri a honra de quem quer seja, e também não aceito assaques a minha honra", disse ele em um post na rede social.

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Em nota enviada à imprensa, os promotores e procuradores alegaram que Coaracy repete de forma contumaz a prática de ilícitos administrativos, especialmente no cometimento de atos incompatíveis com o exercício do cargo. Eles ressaltaram que há dois inquéritos administrativos em desfavor do promotor, tendo sido afastado cautelarmente por 60 dias em um dos procedimentos.

"O Colégio de Procuradores de Justiça do Estado de Alagoas, Órgão da Administração Superior do Ministério Público Alagoano, opinou, por unanimidade, pelo afastamento cautelar do Promotor de Justiça Coaracy José Oliveira da Fonseca do exercício do cargo, pelo prazo de 120 (cento e vinte) dias, decorrente da contagem sequencial dos prazos de 60 (sessenta) dias", diz um trecho do nota.

Abaixo, confira a nota do colégio na íntegra 

      NOTA

O Colégio de Procuradores de Justiça do Ministério Público do Estado de Alagoas, no uso de suas atribuições legais, à vista dos recentes acontecimentos, vem a público para, ao considerar:

1. A contumácia do Promotor de Justiça Coaracy José Oliveira da Fonseca na prática de ilícitos administrativos, especialmente no cometimento de atos incompatíveis com o exercício do cargo que lhe ensejaram a aplicação de penalidades administrativas, por duas ocasiões, pela Corregedoria Geral do Ministério Público de Alagoas, decisões que não foram impugnadas mediante recurso próprio;

2. A posterior renovação de atos incompatíveis com o exercício do cargo que gerou a instauração de 03 (três) Inquéritos Administrativos em desfavor do Promotor de Justiça Coaracy José Oliveira da Fonseca, tendo sido o mesmo afastado cautelarmente por 60 (sessenta) dias em um dos procedimentos;

3. A representação formulada pelo Defensor Geral-Público do Estado de Alagoas atribuindo ao Promotor de Justiça a prática de ilícito penal e, ainda, comportamento incompatível com o desempenho do cargo;

4. A proposta de ação penal em desfavor do Promotor de Justiça Coaracy José Oliveira da Fonseca, em tramitação no Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas, na qual se apura o cometimento do Crime de Prevaricação;

5. Não se admitir que o agente público, valendo-se das prerrogativas do cargo, aja em proveito próprio;

6. Não se conceber que o cidadão alagoano e suas instituições estejam submetidos à fiscalização e controle de servidor público em aparente crise de instabilidade psíquica;

7. Decorrer da análise dos atos praticados pelo Promotor de Justiça Coaracy José Oliveira da Fonseca provável desequilíbrio emocional a lhe comprometer o discernimento;

8. Atentarem as atitudes do Promotor de Justiça Coaracy José Oliveira da Fonseca não apenas contra o Ministério Público do Estado de Alagoas, mas, também, contra os poderes constituídos;

Informar que no último dia 13 de novembro de 2019, o Colégio de Procuradores de Justiça do Estado de Alagoas, Órgão da Administração Superior do Ministério Público Alagoano, opinou, por unanimidade, pelo afastamento cautelar do Promotor de Justiça Coaracy José Oliveira da Fonseca do exercício do cargo, pelo prazo de 120 (cento e vinte) dias, decorrente da contagem sequencial dos prazos de 60 (sessenta) dias nos Proc. SAJMP nºs. 10.2019.00000468-0 e 10.2019.00000506-8 e, ainda, determinou a instauração de Procedimento Administrativo, previsto no art. 47 da Lei Orgânica do Ministério Público do Estado de Alagoas, tendente a submeter o mencionando Promotor de Justiça à avaliação médico-psiquiátrica.

Informar, outrossim, que os serviços da Promotoria de Justiça que teve o seu titular afastado estão em pleno funcionamento mediante a designação dos Promotores de Justiça Karla Padilha e José Carlos Castro, ambos integrantes do Núcleo de Defesa do Patrimônio Público - Nudepat.

Finalmente, o Colégio de Procuradores de Justiça do Ministério Público do Estado de Alagoas, órgão máximo da instituição, responsável pela salvaguarda das atribuições dos membros - Procuradores e Promotores de Justiça - do Ministério Público do Estado de Alagoas comunica a todos que não tolerará, de nenhuma forma, qualquer tipo agressão, insinuações maldosas ou ataques à honra dos seus membros.

Maceió, 25 de novembro de 2019.

ALFREDO GASPAR DE MENDONÇA NETO

Procurador-Geral de Justiça

ANTÔNIO ARECIPPO DE BARROS TEIXEIRA NETO

Procurador de Justiça

LUIZ BARBOSA CARNAÚBA

Procurador de Justiça

GERALDO MAGELA BARBOSA PIRAUÁ

Procurador de Justiça

Corregedor-Geral

SÉRGIO ROCHA CAVALCANTI JUCÁ

Procurador de Justiça

Subprocurador-Geral Judicial

WALBER JOSÉ VALENTE DE LIMA

Procurador de Justiça

LEAN ANTÔNIO FERREIRA DE LIMA

Procurador de Justiça

Ouvidor-Geral

ANTIÓGENES MARQUES DE LIRA

Procurador de Justiça

DILMAR LOPES CAMERINO

Procurador de Justiça

DENNIS LIMA CALHEIROS

Procurador de Justiça

VICENTE FÉLIX CORREIA

Procurador de Justiça

EDUARDO TAVARES MENDES

Procurador de Justiça

JOSÉ ARTUR MELO

Procurador de Justiça

MÁRCIO ROBERTO TENÓRIO DE ALBUQUERQUE

Procurador de Justiça

Subprocurador-Geral Administrativo-Institucional

MARCOS BARROS MÉRO

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VALTER JOSÉ DE OMENA ACIOLY

Procurador de Justiça

LUIZ DE ALBUQUERQUE MEDEIROS FILHO

Procurador de Justiça

Corregedor-Geral Substituto

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