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Bairros de Maceió afetados por mineração enfrentam nova crise financeira

Novo coronavírus e o isolamento social são considerados mais um duro golpe contra as empresas da região

Quem sobreviveu ao afundamento e às rachaduras no bairro Pinheiro agora na crise econômica provocada pela Covid-19 sofre em dobro. É que com o efeito danoso da mineração da Braskem na região, o movimento de pessoas no local foi caindo bruscamente. Aí vieram o novo coronavírus e o isolamento social, para serem um segundo e o mais duro golpe sentido pelas empresas.

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Nem o comércio de gêneros de primeira necessidade, como alimentos, escapou da queda nas vendas provocada pelo sumiço dos consumidores. Dono de um mercadinho, o HortFrut Belas Artes, José Alves, depois do segundo tropeço comercial, pensa até em fechar as portas.

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Em pouco menos de dois anos, ele viu seu faturamento cair de R$ 90 mil para R$ 50 mil, com a crise do bairro e, depois, com a pandemia, tudo piorou. Depois de uma crescente, ele viu o decréscimo. Conforme revelou, aos sábados, quando chegava a vender até R$ 5 mil em mercadorias, o faturamento caiu para R$ 200 atualmente.

"Eu já pensava em fechar porque minhas perdas foram muito grandes. Vinha numa crescente e vendendo bem. Veio a questão do Pinheiro e foi caindo ainda mais. Fui orientado a ficar mais um pouco pelos advogados, mas, provavelmente, eu devo fechar mesmo, porque não tenho, praticamente, mais movimento", relatou José Alves.

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Por morar num bairro em decadência, com a saída forçada de pessoas e o medo que se instalou, no seu caso nem o delivery foi capaz de dar um fôlego ao negócio. Segundo explicou, nessa área o consumo era doméstico. "Era basicamente feito por pessoas do bairro", lamentou, dizendo que espera a reabertura dos comércios para avaliar o rumo que tomará.


				Bairros de Maceió afetados por mineração enfrentam nova crise financeira
FOTO: Ailton Cruz

Abandono

"Tão grave quanto a crise é o abandono", diz o presidente da Associação dos Empreendedores do bairro do Pinheiro, Alexandre Sampaio. A entidade surgiu em meio à calamidade pública que afetou o bairro. Ele revela que a morte econômica da região, que afetou os bairros do Mutange, Bebedouro e Pinheiro, começou com a calamidade pública nacional da mineração e foi ainda pior com a pandemia.

"A primeira é o maior acidente tecnológico já registrado na história do País e a segunda, a pandemia, é a maior já existente no Brasil nos últimos 200 anos. E tem uma terceira que é a omissão das autoridades. Somos refugiados ambientais e políticos, porque os direitos que temos como cidadãos e empresas que produzem riquezas foram usurpados", denunciou Sampaio.

A crítica recai sobre órgãos de fiscalização como Ibama, IMA, Agência Nacional de Mineração, as defesas civis e demais autoridades, inclusive o Governo do Estado que não fez nenhuma ação concreta para o bairro. A Prefeitura Municipal também não escapou, já que, segundo explicou, nem a Lei 6.900 não consegue ser aplicada para as empresas do Simples Nacional.

E isso se agrava com o isolamento social provocado pelo coronavírus, que acabou sendo uma segunda "rasteira" em quem tentava se manter de pé. Assim como ele, que viu sua imobiliária sucumbir à crise, teve que fechar um segundo negócio. Até mesmo sua esposa, que havia deixado o bairro e montou uma clínica em outra área, acumula perdas por conta dos efeitos econômicos da doença, pois teve que fechar as portas.

"O primeiro subgrupo de empresas já fechou com o primeiro baque. Tem as que conseguiram se mudar de bairro, tem as que sobreviveram ou estão quase quebrando com a segunda onda da pandemia. E tem as que tinham ponto próprio, saíram e tiveram que alugar um novo ponto. Ou seja, não pagavam nada e agora têm um novo custo. Quem permaneceu no bairro e já estava negativado, não conseguiu levantar nenhum dinheiro", disse Alexandre.

Estas empresas estão em situação tão grave quantos as outras. Além de não conseguirem nenhum tipo de empréstimo, a chamada indenização para deixar o bairro, negociada pelos Ministérios Públicos Estadual e Federal, só lhes garante R$ 10 mil e entrega do ponto. O valor é considerado baixo para três mil delas.

"Qual é das três mil empresas do bairro que já vinham sem empréstimo e nem saíram até agora, com pontos de 100m e até 500m de área, que e vão começar um negócio com apenas R$ 10 mil?", indagou Alexandre Sampaio.

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