Pai de piloto morto na Avenida Braz Leme diz que reconheceu avião
No momento do acidente, várias pessoas caminhavam e pedalavam no canteiro central da via
O pai do piloto Paulo de Magalhães Pereira, que morreu no início da noite desta quarta-feira (8) após a queda de uma aeronave de pequeno porte na Avenida Braz Leme, ao lado do Aeroporto Campo de Marte, na Zona Norte de São Paulo, disse que reconheceu o avião em que o filho estava ao ver o acidente.
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"Quando eu olhei [o acidente] eu conheci o avião e falei: é ele. E sai correndo", lamentou Luiz Antonio Silva Pereira, pai do piloto.
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Ele lembrou que o filho estava feliz. "Tinha as carteiras todas em dia, o exame de saúde em dia, tava contente". O piloto estava sozinho na aeronave.
Os peritos voltaram ao local por volta da meia-noite, cerca de 6 horas após o acidente. A Avenida Braz Leme, uma das principais da Zona Norte, chegou a ser interditada nos dois sentidos.


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A Braz Leme continua internada na manhã desta quinta-feira (9). Por volta das 6h30, a via continuava totalmente interditada no sentido bairro, já que os destroços do avião continuam no local. Os peritos do Cenipa retornaram por volta das 6h40 para concluir a perícia durante o dia.
No sentido Centro, uma das três faixas estava liberada para a passagem de veículos. As vias serão liberadas após a limpeza que será realizada pela Subprefeitura da Casa Verde.
Acidente
Um motorista que passava próximo ao acidente presenciou a explosão e gravou um vídeo. O avião caiu na Avenida Braz Leme, na altura do número 1.300, entre as ruas Santo Anselmo e Tibães, em Santana.
No momento do acidente, por volta das 18h, muitas pessoas caminhavam e pedalavam no canteiro central da avenida. Após a queda, o avião pegou fogo.
Em nota, a Infraero lamentou o acidente e disse que "os bombeiros do aeroporto foram acionados às 18h14 para prestar os primeiros atendimentos à aeronave". Segundo a estatal, o avião, um bimotor de modelo BE-58, prefixo PR-OFI, vinha de Ubatuba e, ao tentar fazer o pouso, apresentou problemas e acabou caindo na avenida Braz Leme.
De acordo com uma equipe do Corpo de Bombeiros, o piloto tentou um pouso de emergência por causa de pane no motor. Sete viaturas dos Bombeiros foram enviadas para o local. O incêndio foi controlado por volta das 18h40.
Em nota, a Aeronáutica disse que vai apurar as prováveis causas do acidente pelo Seripa IV, órgão regional do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), e elaborar relatório para "prevenir que novos acidentes com características semelhantes ocorram". Já a Polícia Civil de São Paulo deve investigar as causas e eventuais responsáveis.
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) afirma que, de acordo com consulta ao Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), a aeronave acidentada estava com a documentação válida. O avião não possuía registro para operar táxi aéreo.
Um engenheiro civil presenciou a explosão, que ocorreu na pista sentido bairro.
"Eu estava dirigindo pela Braz Leme, estava a uns 50 metros do avião quando eu ouvi uma explosão e aí vi uma bola pegando fogo. Quando cheguei mais perto explodiu um pouco mais", conta o engenheiro civil Fausto Batista.
Ele chegou a parar o carro e desceu do veículo para tentar ajudar, mas não conseguiu chegar perto da aeronave. "Eu consegui ver um corpo, mas não tinha como chegar perto. Estava pegando fogo ainda e estava muito quente perto. Eu só não entendi se estava decolando ou chegando porque o muro do aeroporto parecia que não foi abalado. Eu parei pra tentar ajudar mesmo, mas não dava", relata.
Histórico de acidentes no Campo de Marte
2018
Em novembro de 2018, uma aeronave caiu na região de Santana, Zona Norte de São Paulo, e causou a morte de duas pessoas, segundo o Corpo de Bombeiros. Houve ao menos seis feridos e outras cinco pessoas precisaram ser socorridas, mas sem ferimentos.
Em julho de 2018, um bimotor caiu no aeroporto durante o pouso e explodiu assim que bateu no chão. O voo havia decolado da cidade catarinense de Videira, com seis passageiros e um tripulante. O piloto da aeronave morreu no acidente e outras seis pessoas ficaram feridas.
Uma aeronave de pequeno porte caiu na tarde de 30 de novembro de 2018, em São Paulo, deixando dois mortos e ao menos 12 feridos.
2016
Em março de 2016, um monomotor caiu logo depois da decolagem, próximo à cabeceira 12 do aeroporto. O avião atingiu uma casa de 3 andares, deixando sete mortos, entre eles Roger Agnelli, ex-presidente da Vale, e familiares que voavam junto com ele.
2017
Em dezembro de 2017, uma aeronave modelo Learjet também caiu depois de sair do Campo de Marte, sobre uma residência no bairro Casa Verde. Além do piloto e do copiloto, a família que estava na cozinha da casa também morreu, incluindo um bebê de 9 meses.
Aviões particulares são responsáveis por 45% dos acidentes aéreos entre 2008 e 2017, segundo dados do Cenipa (órgão da Aeronáutica responsável por investigar acidentes aéreos). Foram 1.187 acidentes no período.
Futuro do Campo de Marte
O Campo de Marte está localizado na Avenida Santos Dumont, em Santana, e é administrado pela Infraero desde 1º de fevereiro de 1979. Em 2019, logo que assumiu o governo do estado, João Doria (PSDB) manifestou ao presidente Jair Bolsonaro o desejo de encerrar as atividades de pousos e decolagens devido ao histórico de acidentes na área.
O local não tem linhas comerciais regulares, mas recebe helicópteros e jatos executivos. O endereço também abriga escolas de pilotagem, o serviço aerostático das polícias, o hospital da Força Aérea Brasileira e um clube para oficiais.
A intenção inicial do governador era transformar toda a área em um parque, projeto em discussão desde o período em que ele era prefeito de São Paulo. Mais tarde, a proposta passou a incluir a construção no terreno de um colégio militar, que deve ser o maior do Brasil.
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) doou os projetos básico e executivo da obra, que deve ser entregue até o final de 2022 e será o 14ª do país.
Em fevereiro deste ano, Bolsonaro esteve na cidade e inaugurou, literalmente, a pedra fundamental do futuro colégio militar. Após a inauguração da pedra foi feita uma oração para abençoar a lugar.
