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Com ajuda de Trump, Israel e Emirados Árabes Unidos assinam acordo de paz

Decisão normaliza laços diplomáticos entre países e pode ajudar campanha de reeleição de Trump

Com intermédio do presidente dos EUA, Donald Trump, Israel e Emirados Árabes Unidos chegaram a um histórico acordo de paz que deve normalizar as relações diplomáticas entre os dois países.

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O pacto foi anunciado nesta quinta-feira (13) entre Trump, o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, e o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Mohammed bin Zayed al-Nahyan.

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"Este histórico passo diplomático avançará a paz no Oriente Médio e é um testemunho da ousada diplomacia e da visão dos três líderes e da coragem dos Emirados Árabes Unidos e de Israel para traçar um novo caminho, que desbloqueará o grande potencial da região", afirma a declaração dos três países.

O tratado representa uma vitória diplomática para Trump e faz parte da tática de investimento em política externa que pode ajudar o líder republicano em sua campanha de reeleição para a Presidência dos EUA.

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Também fortalece a oposição ao Irã, visto como uma ameaça pelos três países. De um lado, Israel e EUA acusam o país persa de desenvolver armas nucleares, o que Teerã nega. Do outro, o Irã está envolvido em guerras por procuração da Síria ao Iêmen, onde os Emirados Árabes Unidos têm sido um dos principais membros da coalizão saudita que se opõe às forças iranianas ali.

Sob o acordo, Israel concorda em suspender a declaração de soberania sobre áreas da Cisjordânia que constam no projeto de anexação do território ?ao menos por um período.

Uma autoridade do país disse à Reuters que o plano ainda está na agenda e que a Casa Branca "nos pediu para suspender temporariamente o anúncio [da soberania] para que o acordo pudesse ser implementado".

Da parte dos Emirados Árabes Unidos, a decisão intensifica a campanha internacional do país para ser visto como um símbolo de tolerância no Oriente Médio, embora o país seja liderado por autocratas.

Israel assinou acordos de paz com o Egito em 1979 e com a Jordânia em 1994. Mas os Emirados Árabes Unidos, junto com a maioria das outras nações árabes, não reconheciam nem mantinham relações diplomáticas ou econômicas formais com os israelenses até agora.

A nova declaração também prevê acordos bilaterais para "investimentos, turismo, voos diretos, segurança, telecomunicações, tecnologia, energia, saúde, cultura, ambiente e estabelecimento de embaixadas" e, para concretizar essa parte do trato, delegações dos dois países se reunirão nas próximas semanas.

Israel e Emirados Árabes Unidos ainda anunciaram a decisão de "expandir e acelerar a cooperação em relação ao tratamento e ao desenvolvimento de uma vacina para o coronavírus". "Trabalhando juntos, esses esforços ajudarão a salvar vidas de muçulmanos, judeus e cristãos em toda a região."

Semanas antes, Netanyahu havia anunciado uma parceria com o país contra a Covid-19, classificando o esforço como uma mudança nas relações com os Emirados. Em troca, porém, viu os árabes emitirem uma declaração modesta, em que o trato era descrito como um acordo entre empresas privadas.

Enquanto o premiê de Israel definiu o anúncio desta quinta como um "dia histórico" e o secretário de Estado americano, Mike Pomeo, comparou o acordo com os tratados de paz firmados por Israel com o Egito e a Jordânia, o movimento islâmico palestino Hamas, que detém o poder no Faixa de Gaza, disse que o pacto representa um "cheque em branco" para a ocupação da Cisjordânia.

"Rejeitamos e condenamos este acordo. Não ajuda a causa palestina e é visto como uma continuação da negação dos direitos do povo palestino", disse Hazem Qasem, porta-voz do Hamas.

Na mesma direção, a agência de notícias iraniana Tasnim chamou o acordo de vergonhoso. Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina, por sua vez, convocou uma reunião de emergência.

Já o secretário-geral da ONU, o português António Guterres, por outro lado, deu boas-vindas a "qualquer iniciativa que promova a paz e a segurança no Oriente Médio", afirmou ele, por meio de um porta-voz.

Os Emirados Árabes Unidos disseram que seguirão como um forte apoiador dos palestinos e que o acordo mantém a viabilidade de uma solução para o conflito com Israel que defenda a existência de dois Estados.

No Salão Oval, Trump disse que acordos similares estão sendo discutidos com outros países na região e que uma cerimônia de assinatura do tratado será realizada na Casa Branca nas próximas semanas.

"Todos disseram que seria impossível", afirmou o presidente. "Depois de 49 anos, Israel e Emirados Árabes Unidos vão normalizar suas relações diplomáticas."

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