Seis dias após explosão em Beirute, premiê do Líbano anuncia renúncia do governo
Sob acusações de negligência e pressão de manifestantes, Diab deixa cargo
O primeiro-ministro do Líbano, Hassan Diab, anunciou a renúncia do governo nesta segunda-feira (10), quase uma semana depois da megaexplosão que destruiu metade de Beirute.
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Antes do premiê, pelo menos quatro ministros e nove deputados libaneses também já haviam deixado seus cargos nos últimos dias, pressionados pelos protestos que levaram dezenas de milhares de pessoas às ruas contra o governo.
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De acordo com relatos do governador de Beirute, Marwan Abboud, à imprensa local, o número de vítimas da tragédia subiu para ao menos 220 mortos, 6.000 feridos e 110 desaparecidos.
Grande parte dos libaneses acusam o governo de negligência, e a renúncia de seus membros era a principal demanda das manifestações do último final de semana.


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Membros da alta cúpula do governo se reuniram nesta segunda para discutir, entre outros tópicos, os impactos políticos da explosão na zona portuária da capital libanesa. O premiê anunciou sua renúncia em um pronunciamento à nação dizendo que a explosão é resultado de "corrupção endêmica".
Antes de Diab, outros quatro ministros formalizaram sua saída do governo. Um deles renunciou ao cargo um dia antes da explosão em Beirute.
Nassif Hitti, das Relações Exteriores, deixou seu posto com advertências de que "a ausência de vontade efetiva de alcançar uma reforma estrutural abrangente" poderia transformar o Líbano em um Estado fracassado.
Após a explosão, a primeira a renunciar foi a ministra da Informação, Manal Abdel Samad, no domingo (9). Ela pediu desculpas aos libaneses por "não saber responder às suas expectativas".
Pouco depois, o titular da pasta do Meio Ambiente, Damianos Kattar também anunciou sua renúncia "à luz da enorme catástrofe", acrescentando que havia perdido as esperanças em um "regime estéril que estragou várias oportunidades".
Nesta segunda, foi a vez de Marie-Claude Najm, ministra da Justiça. Ela disse que estava renunciando com a "convicção de que permanecer no poder nessas condições, sem uma mudança fundamental no sistema, não levará a reforma que trabalhamos para conseguir". A agora ex-ministra pediu aos seus pares no Executivo que também deixem seus cargos.
O titular das Finanças, Ghazi Wazni, apresentou seu pedido de renúncia na reunião desta segunda-feira, mas sua saída ainda não havia sido formalizada. Ao menos outros três ministros, de acordo com a Al Jazeera, disseram que também anunciarão suas demissões, caso o próprio premiê não o faça.
