Alagoas chega aos 203 anos com uma legião de seus filhos na extrema pobreza
Dados expõem a falência da gestão pública e de suas políticas sociais ineficazes para acolher os vulneráveis
Professor, romancista, historiador, poeta e jornalista alagoano, Dirceu Lindoso, com os olhos postos no passado, assim refletiu e resumiu o surgimento de Alagoas: "Nasceu de uma grande paixão, a paixão pela vida, a paixão pela morte. Alagoas não nasceu do sonho de um monarca. Nasceu da morte de milhares de índios Tapuia-kariri, da morte de milhares de negros de etnias diversas, do trabalho de milhares de homens pobres. Nasceu da paixão pela liberdade".
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Do marco de 16 de setembro de 1817 até os dois séculos de existência de Alagoas, muitas lutas se passaram, algumas até com contornos de tragédia, como a Cabanada e a rebelião dos Lisos e Cabeludos. O fato do trabalho incessante de milhares de homens pobres, no curso da nossa história, não foi suficiente para emancipá-los de outra trágica realidade que ainda nos aprisiona desde tempos remotos, que é a da exclusão social.
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Quando Alagoas completou dois séculos, em 2017, o senador Fernando Collor ocupou a tribuna do Senado da República e discursou sobre o transcurso da data histórica. "O Estado ainda se depara com o desafio de acelerar o seu desenvolvimento. Afinal, Alagoas vive, recorrentemente, uma crise particular, principalmente no campo social, com déficits históricos nos serviços públicos essenciais, e no plano econômico, com um déficit permanente no desenvolvimento de seus setores produtivos".
Enquanto discorria sobre os duzentos anos de Alagoas, o senador Collor ainda resgatou o que afirmara em 2014 acerca dos caminhos do Estado: "é hora de mudar a estratégia, de redefinir as prioridades, de avançar em busca da eficiência e de soerguer a autoestima dos alagoanos e de sua confiança em seu próprio destino".


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Ao completar 203 anos, Alagoas padece do mal da ineficiência que acomete o serviço público. É dramática a distância do Estado no amparo de significativa parcela da sociedade. Antes da pandemia, no fechamento de 2019, o IBGE havia constatado 570 mil alagoanos em situação de pobreza extrema, representando 17,2% do contingente populacional. Sem dúvida, só este dado já expõe a falência da gestão pública e de suas políticas sociais ineficazes para acolher os vulneráveis.
Por falar em vulnerabilidade, certamente recrudescida pela maior crise de saúde pública vivida neste século, mais de 80% dos alagoanos que moram em áreas esquecidas não possuem rede de esgoto nem acesso à água potável. A verdade é que já passou - e muito - da hora de mudar a estratégia, redefinir prioridades e pagar a histórica dívida com os que compadecem.
