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PF faz operação contra exploração de diamantes em terra indígena

Operação deflagrada pela PF revela esquema envolvendo garimpeiros, indígenas, empresários e intermediador

A organização criminosa especializada na exploração ilegal de diamantes já atua há décadas dentro da Terra Indígena Roosevelt em Espigão D'Oeste (RO), na Zona da Mata. É o que afirma o delegado da Polícia Federal (PF) que conduz a Operação Crassa, deflagrada nesta quinta-feira (24).

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Em entrevista na delegacia de Pimenta Bueno (RO), cidade vizinha a Espigão D'Oeste, o delegado Márcio Lopes explicou que a investigação do caso começou há cerca de dois anos.

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"A operação [de hoje] visa desarticular a organização criminosa que atua há décadas na exploração de diamantes na reserva Roosevelt. A investigação aponta que essa organização atua em núcleos que cada um tem o seu papel crucial para o bom desempenho da atividade criminosa", diz o delegado.

O delegado revela existir, dentro do esquema, a participação de lideranças indígenas, garimpeiros (que atuam diretamente na reserva indígena), financiadores do garimpo, e pessoas que investem altas quantias na aquisição de maquinários para diuturnamente explorar a reserva indígena.

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"Há também a figura dos intermediadores que estabelecem a conexão entre os fornecedores aqui de Rondônia com o mercado consumidor nacional e internacional", afirma.

A PF está cumprindo 53 mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira, além de bloqueios de bens, imóveis e móveis, por determinação da Justiça Federal, da seção judiciária de Porto Velho.

"Importante mencionar que o papel das lideranças indígenas, nessa atuação da organização criminosa, consiste em autorizar que garimpeiros e financiadores do garimpo explorem a área da reserva. Não é possível a entrada de garimpeiros na reserva sem a permissão da liderança indígena, que são remuneradas ou em pecúnia ou propriamente com pedras de diamantes", afirma Márcio Lopes.

Operação Crassa

No total são cumpridos 53 mandados de busca e apreensão no interior de Rondônia e em São Paulo, Roraima, Paraná, Piauí, Mato Grosso, Minas Gerais e Distrito Federal, através da operação Crassa.

Os diamantes, segundo investigação, eram retirados ilegalmente e passam por avaliação do intermediador até serem vendidos em joalherias ? principalmente em São Paulo e no exterior, em países como França, Itália e Suíça.

Os diamantes da reserva estão entre os que são considerados os mais valiosos do mundo. De acordo com investigação da PF, o esquema criminoso movimenta cerca de US$ 20 milhões por mês.

Gravações revelam esquema

Conversas entre garimpeiros, obtidas pelo G1, revelam como funcionava a exploração de diamantes na reserva indígena Roosevelt. Em uma das conversas, dois garimpeiros falam em vender pedras por US$ 5 milhões na Suíça.

Em uma das chamadas, um garimpeiro fala sobre um italiano que iria comprar os diamantes para depois revender em países da Europa.

A reserva Roosevelt, de onde os diamantes eram extraídos pelos criminosos, tem uma área de 231 mil hectares e fica localizada entre a divisa de Rondônia e Mato Grosso. Na área existem dois povos indígenas, entre eles o Cinta Larga.

A reserva Roosevelt é considerada uma região de conflitos. Em dezembro de 2015, dois madeireiros foram assassinados dentro da reserva enquanto praticavam a extração ilegal de diamantes. O indígena suspeito de ter cometido o crime foi preso.

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