CEO da F1 cita NBA ao criticar resistência contra mudanças na categoria
Diretor-executivo da Liberty Media ressaltou também que mudanças precisam considerar o histórico e as características da categoria
Desde que assumiu o comando da Fórmula 1 em 2017, a Liberty Media trabalha para dar uma nova roupagem para a categoria. No entanto, uma das novidades propostas recentemente não foi tão bem-vinda; trata-se das provas com grid invertido, sugestão que esbarrou no veto da Mercedes em 2020. Prestes a deixar o cargo de CEO da categoria, Chase Carey contrariou o discurso e defendeu mais abertura para novidades na F1, justificando os benefícios que mudanças podem agregar à competição.
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Utilizando ligas norte-americanas como exemplo, Carey justificou que dificilmente mudanças são unanimidade entre o público, mas que no fim, fomentam a competitividade e o nível do esporte, embora tenha reconhecido a necessidade de se pautar pelas características e o histórico das categorias.
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- Nos principais esportes, os torcedores mais fanáticos resistiram quando se falou de mudanças. Ninguém gostou quando a MLB passou a ter um rebatedor designado. Os mais fanáticos não gostaram da linha de três pontos na NBA; e hoje você tem os playoffs. Mas em muitos casos, essas novidades trouxeram energia e uma nova perspectiva. Precisamos ser cautelosos para não trazer mudanças ineficazes para o esporte, reconhecendo a importância da história e do que o faz especial, mas não podemos permitir que isso se torne uma camisa de força que nos impeça de considerar mudanças que podem melhorar o esporte para o público - justificou Carey, que será substituído em 2021 por Stefano Domenicali, ex-chefe da Ferrari.
A ideia de corridas com grid invertido foi proposta inicialmente para variar as provas com etapas duplas que compõem o calendário de 2020 da F1, refeito devido à pandemia do coronavírus. As corridas, com 25 voltas, substituiriam a classificação do sábado; o grid de largada seria definido pela posição de cada piloto no campeonato, porém, invertida - o líder Lewis Hamilton largaria em 20º e, Romain Grosjean, último colocado, na pole position.


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A proposta, sugerida pelo diretor-esportivo da F1 Ross Brawn, teve aceitação da RBR, vice-líder do campeonato de construtores, mas foi rejeitada pelo presidente da Federação Internacional do Automobilismo (FIA), Jean Todt, e boa parte dos pilotos. O veto final veio da Mercedes, que impediu que a ideia já fosse colocada em prática na atual temporada.
Chase Carey reforçou que a intenção não é de forçar que as equipes aceitem a proposta contra a própria vontade, mas defendeu que a questão seja debatida com uma consciência coletiva entre as equipes, assim como outras ideias que envolvem o desenvolvimento do campeonato na pista:
- Vamos nos organizar, falar sobre os prós e contras, quais pensamos ser os benefícios e os problemas disso e ter uma discussão honesta com todos. Por isso é importante termos um espírito de camaradagem e não olhar apenas para o que é bom ou ruim pra mim como equipe, mas para o esporte. Nem todo fã vai gostar, nunca vamos alcançar 100% deles, mas devemos tentar nos forçar a olhar para outras maneiras de fazer o esporte mais interessante e emocionante para os fãs.
Entre as justificativas apresentadas por boa parte dos pilotos do grid contra a ideia, está a impossibilidade de defesa por parte dos carros mais lentos, a ausência de estratégias devido ao número de voltas e os atributos das classificações do sábado, que definem o grid de largada para a corrida no domingo.
