Nunca havia acontecido na minha cara, diz brasileira alvo de racismo nos EUA
Gisele é casada com vice-governador de Pensilvânia e foi atacada no supermercado.
A brasileira Gisele Barreto Fetterman, esposa do vice-governador do estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos, disse que o ataque racista ocorrido em um supermercado foi o primeiro do tipo que sofreu no país. Ela afirmou que, antes, já havia sofrido esse tipo de agressão na internet.
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Gisele é casada com o democrata John Fetterman. No fim de semana, ela estava num supermercado quando foi xingada por uma mulher que usou a expressão racista "nigger".
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"Em geral, dizem para eu voltar para o meu país, que sou uma imigrante ilegal, que é um jeito de desumanizar uma pessoa. Perguntam onde o John [seu marido] me comprou, como se eu tivesse sido comprada por catálogo. Isso acontece diariamente. Mas nunca havia acontecido na minha cara", disse ela em entrevista ao G1.
Agora, afirmou a brasileira, sua equipe de segurança está cuidando do caso para que não volte a ocorrer. "Meu time de segurança está lidando com o caso. Se ela chegar perto de mim, será presa", disse sobre a agressora.


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Seguida até o estacionamento
Gisele disse que a mulher se aproximou dela várias vezes e que foi seguida até o estacionamento. No local, de dentro do seu carro, a brasileira conseguiu gravar o vídeo de um dos ataques.
"Eu estava na fila do caixa para pagar quando ela [a agressora] passou por mim. Ela me reconheceu e parou. Ela não gritou, mas se aproximou e disse coisas feias. Saiu, andou, voltou e disse mais coisas feias", afirmou Gisele.
"Eu paguei e não vi [a agressora], imaginei que ela estava fazendo compras. Eu fui para o carro [sozinha], estava bem na frente da loja. Entrei, fui sair da vaga quando ela apareceu", completou.
A brasileira divulgou o vídeo do ataque em uma rede social neste domingo (11).
Injúria extremamente grave
A agressora chamava Gisele de "nigger", uma injúria extremamente grave usada para se referir a negros nos EUA.
A palavra tem uma conotação tão agressiva que há quem não a pronuncie, nem mesmo para relatar um caso ? na entrevista ao G1, Gisele evitou empregar a terminologia.
"Ela só me agrediu por eu ser diferente: ?Aqui está a 'n' com quem Fetterman se casou?, como se eu tivesse estragado o sangue puro dele", disse.
Segundo Gisele, a agressora ainda falou com a mulher que estava atrás dela no supermercado. Essa, então, olhou para a brasileira e se solidarizou, além de se oferecer para acompanhá-la até o carro.
Geralmente, a segunda-dama tem uma equipe de seguranças que a protege. Naquele momento, no entanto, estava sem o apoio dos profissionais. "Era domingo, o mercado fica a três minutos da minha casa", afirmou ela.
Gisele diz que é possível que a mulher tenha problemas psiquiátricos, mas que isso não a isenta da responsabilidade pelo ataque.
"Ela pode ter problemas mentais, mas também é racista. Já conheci muitas pessoas com problemas mentais que não são racistas".
