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Em comício, Trump afirma que reduziu testes para esconder casos de Covid-19

Declaração foi dada por Trump na retomada da campanha eleitoral com um comício na cidade de Tulsa, Oklahoma

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retomou sua campanha eleitoral em Tulsa, Oklahoma, com um comício realizado em um período ainda de crescente disseminação do novo coronavírus no país. Durante discurso, ele afirmou ter ordenado reduzir os testes de detecção de Covid-19 para reduzir número de casos. A Casa Branca afirmou, posteriormente, que Trump estava brincando.

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No evento, Trump defendeu seu plano de fechar as fronteiras e as medidas para conter a pandemia. "Salvei centenas de milhares de vidas, mas ninguém nunca elogia nosso trabalho", declarou.

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O presidente, porém, mostrou ceticismo sobre os testes para saber a magnitude do contágio. Em um comentário surpreendente, ele afirmou que os testes são uma "faca de dois gumes", porque mais casos são detectados quando são feitos mais testes.

"Testar é uma faca de dois gumes. Testamos até agora 25 milhões de pessoas. Provavelmente são 20 milhões a mais do que qualquer outro país. Aqui está a parte ruim: quando você faz tantos testes, encontra mais pessoas, encontra mais casos. Então, eu disse ao meu pessoal: diminuam os testes, por favor", completou.

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Depois, ele completou: "Eles testam e testam".

A Casa Branca afirmou que Trump estava brincando quando fez a declaração, de acordo com a imprensa americana. "Com certeza estava brincando para denunciar a absurda cobertura da mídia", afirmou à AFP um funcionário que pediu anonimato.

Brasil em situação ruim

Trump ainda voltou a citar o Brasil como um país que está em situação ruim na pandemia. Ele falou como se os brasileiros tivessem adotado a estratégia de imunidade de rebanho, que é quando se permite que muita gente pegue uma doença para que a população crie imunidade mais rapidamente.

"O que há de errado em ter de fechar [a economia]? Nós salvamos milhões de vidas. Sabe, muitas pessoas dizem que nós deveríamos ter adotado a imunidade de rebanho: 'Vamos adotar a imunidade de rebanho´. Perguntem como estão no Brasil. Ele [Jair Bolsonaro] é um grande amigo meu. Não está bom. Perguntem como estão na Suécia. Nós salvamos milhões de vida e agora é hora de abrir a economia, voltar a trabalhar, ok? Vamos voltar a trabalhar."

No início do mês, o mandatário americano já havia feito comentário semelhante sobre o Brasil.

Sem distanciamento

O encontro ocorreu em um clima de forte tensão, uma vez que foi o maior evento em um espaço fechado nos EUA desde o início da pandemia.

O complexo BOK Center, um estádio com capacidade para 19 mil pessoas, não chegou a lotar. Houve distribuição de máscaras, mas ninguém foi forçado a usar a proteção. Pelas imagens divulgadas pelas agências internacionais de notícias, também não houve distanciamento social dentro do complexo.

Realizar uma manifestação no espaço fechado contradiz as recomendações de especialistas dos Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês). Eles orientam evitar grandes reuniões presenciais onde for difícil manter pelo menos dois metros de distâncias entre as pessoas.

Para participar do comício foi necessário comprometer-se a não processar a equipe eleitoral de Trump, mesmo que alguém contraia Covid-19 no local.

Um outro evento próximo ao local utilizado pelo bilionário americano, organizado pela equipe do vice-presidente Mike Pence, foi suspenso por falta de gente.

A pandemia já matou mais de 119.000 pessoas e infectou 2,2 milhões nos EUA. Neste sábado, foram registrados mais 30 mil contaminados.

Escolha da cidade desagrada movimento antirracista

A escolha de Tulsa para a retomada da campanha foi considerada uma afronta ao movimento negro já que a cidade foi palco de um dos piores massacres de afro-americanos da história do país: em 1921 cerca de 300 negros morreram nas mãos de grupos brancos e milhares ficaram desabrigados.

Criticado pela condução da crise gerada pela morte do ex-segurança George Floyd, que foi asfixiado por um policial branco em Minneapolis, Trump tentou amenizar amenizar o clima.

"Somos o partido de Abraham Lincoln e o partido da lei e da ordem", disse Trump, referindo-se ao presidente republicano que promoveu a abolição da escravidão no meio da guerra civil (1861-1865).

'Extremismo radical'

Trump também reclamou do que chamou de "extremismo radical" dos democratas.

"Os democratas querem preencher os tribunais com extremistas", disse Trump em seu primeiro comício após à pandemia.

O presidente norte-americano voltou aos seus tópicos favoritos: as desqualificações de seu rival nas eleições presidenciais de novembro, o candidato democrata Joe Biden; culpar a China por não ter controlado a propagação do vírus; e reivindicar como presidente da ?lei e ordem?.

"Se Biden chegar ao poder, será o fim dos EUA, já que é controlado pela esquerda radical", afirmou.

Pena para quem pisar na bandeira

Sobre os protestos generalizados, que causaram a destruição de estátuas e monumentos da Confederação, o presidente foi direto ao acusar manifestantes de "anarquistas e incendiários".

"Eles querem demolir nossa herança ... Deveríamos ter legislação para que, se alguém quiser queimar a bandeira e pisar nela, seja preso por um ano", afirmou.

Mais comícios

Depois de Oklahoma, Trump voltará à estrada nas próximas semanas com comícios para sua campanha eleitoral na Flórida, Arizona e Carolina do Norte, todos os principais estados que podem decidir o resultado das eleições de 3 de novembro.

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