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O que há por trás da onda de protestos após o impeachment do presidente do Peru

País sul-americano viveu sexto dia de manifestações neste sábado (14/11); houve confrontos entre manifestantes e polícia, com dois mortos

O Peru se prepara um novo dia de protestos neste domingo (15/11), em meio a crescente pressão para que o atual presidente do país renuncie.

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No sábado (14/11), milhares de pessoas saíram às ruas da capital Lima e de outras cidades do país para expressar seu descontentamento com o impeachment do presidente Martín Vizcarra.

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Ele foi substituído por Manuel Merino, então presidente do Congresso, no que muitos descreveram como "golpe à democracia".

Manifestantes querem agora que Merino renuncie ao cargo.

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Foi o sexto dia consecutivo de manifestações. Pela primeira vez, houve mortos. Quase 100 pessoas ficaram feridas, das quais mais da metade permanece hospitalizada.

O primeiro morto é um homem de cerca de 22 anos que foi ferido por arma de fogo e deu entrada no hospital Guillermo Almenara, em Lima, segundo informaram as autoridades peruanas no Twitter.

A segunda vítima é um homem de 24 anos, que apresentou ferimentos por arma de fogo no tórax na altura do coração e foi internado no hospital Grau de Lima sem sinais vitais.

Os protestos generalizados ocorreram na esteira da segunda manifestação nacional organizada após a destituição de Vizcarra.

Em meio à notícia das mortes dos manifestantes, treze dos 18 ministros do país anunciaram que estavam deixando seus cargos.

Em entrevista à rádio RPP, o presidente do Conselho de Ministros e primeiro-ministro, Ántero Flores-Aráoz, afirmou que tentou falar com Merino, mas não conseguiu entrar em contato com ele.

"Não tenho ideia (se Merino vai renunciar). Não sei o que ele vai fazer", disse.

O vice-presidente do Congresso e atual presidente interino do Congresso do Peru, Luis Valdez, anunciou a convocação de uma reunião para este domingo, às 8h hora local (10h horário de Brasília), para avaliar o pedido de renúncia de Merino frente à conturbada situação do país.

Ele próprio defendeu pessoalmente a renúncia do presidente: "Peço ao Sr. Merino que avalie sua renúncia imediata", disse Valdez em declaração ao canal de TV N.

Mesías Guevara, presidente da Ação Popular ? partido de Merino ? também apoiou publicamente o pedido de renúncia do presidente e garantiu que a sigla não o apoia.

Governadores regionais também se somaram à lista e, em nota, responsabilizaram Merino pelos atos de violência e reiteraram que a destituição de Vizcarra não foi a decisão política correta.

O primeiro protesto nacional aconteceu na última quinta-feira e foi considerado um dos maiores dos últimos 20 anos no país sul-americano, segundo a imprensa local.

As manifestações tiveram início depois que o Congresso peruano destituiu Vizcarra por "incapacidade moral permanente", em meio a acusações de corrupção contra ele, substituindo-o pelo presidente do Congresso, Manuel Merino.

A polêmica decisão ? que ocorre poucos meses antes das eleições presidenciais, marcadas para abril de 2021 ? gerou grande descontentamento.

Conflitos violentos entre forças de segurança e manifestantes foram registrados na quinta-feira e no sábado.

A polícia peruana disse na sexta-feira que 11 policiais e 16 civis ficaram feridos durante as manifestações de quinta-feira.

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