Bolsonaro abre mão de depor em inquérito sobre suposta interferência na PF
Inquérito foi aberto em abril, com base em declarações do ex-Ministro da Justiça Sérgio Moto
O presidente Jair Bolsonaro abriu mão de prestar depoimento à Polícia Federal no inquérito que apura suposta tentativa de interferência dele na autonomia da corporação.
Tudo em um só lugar.
Receba notícias da GazetaWeb no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo!

A decisão foi informada ao Supremo Tribunal Federal (STF) pela Advocacia-Geral da União (AGU) nesta quinta-feira (26). O inquérito está paralisado desde 17 de setembro em razão da indefinição sobre o depoimento do presidente da República.
Leia também
No último dia 17 de setembro, o ministro Marco Aurélio Mello suspendeu a tramitação do inquérito e decidiu que caberia ao plenário da Supremo definir se Bolsonaro poderia enviar depoimento por escrito ou, se preferisse, escolher o dia para ser ouvido. Mas até agora a questão não foi resolvida pelo tribunal.
O governo tentava autorização para que Bolsonaro pudesse apresentar depoimento por escrito, em vez de comparecer presencialmente, como havia determinado o ministro aposentado Celso de Mello. Agora, a AGU informou ao tribunal que o presidente abriu mão de depor e que o inquérito pode ter a tramitação retomada.


CRB se reapresenta e inicia preparação para duelo contra o São Bernardo - 2/6/26

Aproximação existe, mas anúncio de aliança entre JHC e Alfredo Gaspar segue pendente

Carlos critica falta de recai da direita sobre empresa do PCC em Goiás

Operação em SP investiga ONG da produtora do filme sobre Bolsonaro
No documento enviado ao STF, a AGU informa o desejo de "declinar do meio de defesa que lhe foi oportunizado unicamente por meio presencial no referido despacho".
A AGU diz ainda que "roga pronto encaminhamento dos autos a? Poli?cia Federal para elaborac?a?o de relato?rio final a ser submetido, ato conti?nuo, ainda dentro da prorrogac?a?o em curso, ao Ministe?rio Pu?blico Federal".
Esse pedido da AGU sobre a conclusão das investigações será analisado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso desde outubro.
Como investigado, Bolsonaro tem a prerrogativa de permanecer em silêncio em um eventual depoimento. Mesmo se a Polícia Federal marcar data, Bolsonaro pode faltar ao compromisso sem ser punido. Em 2018, o STF proibiu a chamada "condução coercitiva", quando o investigado ou réu era obrigado a depor.
A oitiva do presidente é apontada como uma das últimas medidas para o desfecho das investigações.
A abertura do inquérito foi autorizada no final de abril e tem como base a denúncia feita pelo ex-ministro da Justiça Sergio Moro, que pediu demissão alegando suposta tentativa de Bolsonaro de interferir na Polícia Federal para proteger familiares e aliados.
Depoimento presencial
Então relator do caso no STF, o ministro Celso de Mello determinou em 11 de setembro que o presidente Jair Bolsonaro prestasse depoimento presencial no inquérito sobre suposta interferência na PF.
O ministro também negou que as respostas fossem apresentadas por escrito. Como investigado, Bolsonaro teria de comparecer ao agendamento da Polícia Federal - mas com o direito de permanecer em silêncio.
O relator determinou, ainda, que a defesa de Moro poderia acompanhar o interrogatório e fazer perguntas ao presidente. A AGU recorreu e, em plenário, o julgamento foi aberto apenas para o voto do próprio ministro Celso de Mello, que se aposentou na semana seguinte.
