VÍDEO: Preso na operação Navalha denuncia tortura por delegados da DEIC
Juarez José da Silva diz que foi trancado em 'quartinho' e levou uma surra para confessar crime
Preso na Operação Navalha por ser suspeito de fazer parte de um grupo liderado por policiais que extorquiam comerciantes em Maceió, Juarez José da Silva gravou um vídeo que está sendo compartilhado nas redes sociais, em que denuncia ter sido vítima de tortura por parte dos delegados da Divisão Especial de Investigação e Capturas (DEIC), Fábio Costa, Thiago Prado e Cayo Rodrigues no dia em que foi detido.
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Na gravação, ele diz que os prováveis maus-tratos aconteceram em 30 de outubro, quando foi abordado pelas equipes policiais no município de Campo Alegre. Juarez relata que foi trazido para a sede da DEIC, em Maceió, e ficou em uma cela, algemado, por quase 24 horas.
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"Só me tiraram de lá [deste local] umas quatro horas da tarde do outro dia. Me levaram para um quartinho, me fizeram um monte de perguntas, me torturaram, me bateram muito, me deram muito chute... o delegado Fábio Costa, Diego [seria Thiago] Prado e Cayo me bateram muito para eu dizer uma coisa. Me botaram uma bolsa umas dez vezes, eu desmaiei umas quatro, cinco vezes, não aguentei (sic)", diz ele, no vídeo.
Ele acrescenta que foi obrigado a assinar um documento sem saber bem o conteúdo. "Me fizeram assinar um papel e eu não sei o que eu assinei. Me falaram que eu tinha que assinar a pulso, porque se não morria. Aí eu tive que assinar pra dizer que eu fiz algumas coisas com os policiais. Como eu disse que eu não foi feito nada, eles [que seriam os delegados] disseram que, se eu abrisse o bico, morreria", denuncia.


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Procurado pelaGazetaweb, o delegado Fábio Costa disse que vai se pronunciar sobre a segunda fase da Operação Navalha durante entrevista à imprensa, nesta terça-feira (12), ao meio-dia.
Já o delegado Thiago Prado negou qualquer tipo de tortura física ou psicológica para os investigados, seja policial ou não. Ele informou que todos os depoimentos da Operação Navalha foram gravados em sistema audiovisual e já, inclusive, foram remetidos ao Poder Judiciário como meio de prova.
"O que ocorre é a tentativa descabida de tentar desqualificar a investigação policial, entretanto, todas as provas foram produzidas de forma lícita. Por esta razão, o Poder Judiciário, por meio da 17ª Vara Criminal da capital, decretou a prisão preventiva de seis policiais, sendo cinco policiais civis e um militar, além de três indivíduos que compunham o grupo criminoso utilizando o fardamento da Polícia Civil", destacou Thiago Prado.
O delegado Cayo Rodrigues também diz acreditar que se trata de uma "tentativa frustrada dos próprios investigados de fragilizar uma investigação que foi conduzida com muita técnica, imparcialidade, isenção e que acabou coletando diversos elementos comprobatórios em desfavor destas pessoas". Ele diz estar muito seguro quanto à legalidade dos procedimentos.
"O denunciante é o único investigado que está foragido, embora já tenha em seu desfavor mandado de prisão preventiva decretado. Contra ele, há inúmeros elementos que comprovam a sua participação nos crimes", disse o delegado.
REINCIDÊNCIA
Esta não é a primeira vez que os delegados da Deic são acusados de tortura. Em depoimento prestado à Defensoria Pública Estadual (DPE), Darcinéia Almeida, a mãe do pequeno Danilo Almeida, de 7 anos, morto no bairro do Clima Bom, apontou o delegado Fábio Costa de ter praticado agressões contra ela durante outro depoimento na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. Ela diz ter sido forçada a confessar envolvimento na morte do filho. O delegado negou a prática.
