Aula ao ar livre: protesto cobra permanência da Escola Bom Conselho em Bebedouro
Seduc quer transferir nome do colégio para Rio Largo; novo local para abrigar a unidade foi apresentado pelo vereador Francisco Sales
Alunos, professores, funcionários e sindicatos ligados à Educação se reuniram, na manhã desta sexta-feira (22), para cobrar a permanência da Escola Estadual Nossa Senhora do Bom Conselho, que tem 142 anos de fundação, no bairro de Bebedouro. Um novo local para abrigar a unidade escolar foi apresentado pelo vereador Francisco Sales (PPL).
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O protesto ocorreu na Praça Lucena Maranhão, com uma aula ao ar livre. Eles ainda fecharam a via principal do bairro, por alguns segundos, para chamar a atenção da sociedade para esta causa.
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Desde a semana passada, os alunos souberam que a Secretaria de Estado da Educação (Seduc) pretende transferir o nome "Bom Conselho" para uma unidade que está sendo construída no condomínio Jarbas Oiticica, em Rio Largo.
Outra sugestão, para quem não aceita se deslocar para o município da Região Metropolitana, seria a matrícula em colégios do Centro Educacional de Pesquisa Aplicada (Cepa). No entanto, há resistência dos estudantes e dos pais destes alunos por causa da história do colégio.


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"É um sentimento que não sabemos explicar. A história do colégio Bom Conselho está acabando. Saímos daqui e fomos para a Escola Afrânio Lages porque não queríamos perder o ano letivo de 2019. Mas, soubemos da notícia de que não vão ser renovadas as matrículas dos nossos alunos e que eles serão redistribuídos no Cepa. A proposta é que o nome da escola vá para Rio Largo, numa unidade que está terminando de construir", afirmou a professora Niraneide.

Segundo a organização do protesto, a aula ao ar livre vai abranger toda a história da escola e do bairro, com o objetivo de chamar a atenção para os problemas vividos pelos alunos e professores.
"O Bom Conselho tem 142 anos de história, formou muita gente, colocou várias pessoas na faculdade, teve também a escola rural e, infelizmente, a Secretaria de Educação está querendo acabar com a história de um colégio que é tradicional e faz parte do bairro de Bebedouro. Ir para Rio Largo não tem nenhum sentido. Nada contra a cidade ou os moradores, mas o Bom Conselho é do Bebedouro", conta o professor Wagner.
De acordo com o vereador Francisco Sales (PPL), um novo local foi apresentado como proposta de a unidade do Bom Conselho ser no bairro de Bebedouro. Conforme o parlamentar, o antigo prédio do Colégio Santa Amélia seria a opção, já que, segundo laudo da Defesa Civil, está fora da área de risco.
"Precisamos muito continuar essa história no bairro de Bebedouro. Quando o colégio foi para o Cepa, foi de forma emergencial, tinha uma grande esperança que era uma questão de tempo para que ele pudesse voltar. Agora, essa proposta de levar o nome do Colégio Bom Conselho para Rio Largo é inaceitável. O prédio do antigo Colégio Santa Amélia está fora da área de risco e apresentei o laudo da defesa comprovando a situação", ressalta Francisco Sales.
A Representante do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Alagoas (Sinteal), Lenilda Lima, disse que, além da tragédia que pode acontecer nos bairros do Pinheiro e adjacências, ainda tem um pesadelo enfrentado pela comunidade escolar. "São 142 anos da história que estão sendo jogados fora. Este colégio é uma referência para a cidade e este bairro não pode perder a identidade de ter o Bom Conselho", ressalta Lenilda, que ex-aluna da escola.
Segundo ela, o Estado não deveria ignorar a escola, simplesmente, mas encontrar um espaço, em Bebedouro mesmo, para mantê-la funcionando.
O caso
O prédio onde funcionava a Bom Conselho foi desativado por orientação da Defesa Civil por apresentar fissuras graves nas paredes e no teto, colocando em risco a vida dos que estudavam ou trabalhavam no colégio centenário.
A Seduc improvisou uma ala na Escola Estadual Afrânio Lages, no Cepa, para abrir também a estrutura do Colégio de Bebedouro. Havia a promessa de que um novo espaço seria planejado para que a unidade voltasse a funcionar.
Neste período, os próprios alunos e funcionários pesquisaram possíveis prédios para que a Secretaria de Educação pudesse comprar ou alugar. A lista destes locais chegou a ser apresentada, mas o órgão, segundo a comunidade escolar, ignorou.
