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Investimento estrangeiro direto no Brasil caiu 48% no 1º semestre, diz ONU

Queda foi a terceira maior entre os grandes destinatários desse tipo de recursos

O investimento estrangeiro direto (IED) global despencou no primeiro semestre deste ano, segundo dados divulgados pela Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira (27). No Brasil, a queda foi quase à metade em relação ao mesmo período de 2019. Foram US$ 18 bilhões de janeiro a junho, uma queda de 48%.

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Segundo a ONU, a queda ocorreu conforme o programa de privatizações do país foi paralisado, mas o fluxo de recursos "deve se recuperar moderadamente no segundo semestre, conforme as vendas de ativos são retomadas e um novo plano de infraestrutura seja apresentado".

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Entre os maiores destinos desse tipo de recurso, o Brasil teve a terceira maior queda. Ficou atrás apenas dos recuos registrados na Itália (-74%) e nos Estados Unidos (-61%).

Em todo o mundo, o investimento estrangeiro direto caiu 49% no primeiro semestre de 2020, para estimados US$ 399 bilhões, e caminha para uma queda de até 40% no ano diante dos temores de uma profunda recessão, apontou a Reuters.

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"Os fluxos globais de investimento estrangeiro direto no primeiro semestre deste ano caíram quase para a metade...Foi mais drástico do que esperávamos para o ano todo", disse James Zhan, diretor da divisão de investimento e empreendimentos da Unctad em entrevista à imprensa, de acordo com a Reuters.

A expectativa é que os fluxos caíam 30% a 40% este ano e "moderadamente" em 2021, em 5% a 10%, disse Zhan. Os dados cobrem fusões e aquisições internacionais, novos projetos de investimento em greenfield e acordos financeiros para projetos.

Exceção entre as economias em desenvolvimento

O resultado obtido pelo Brasil foi exceção entre os países em desenvolvimento. Nesse grupo, o fluxo total de IED teve queda bem menos expressiva, de 16%. Também foi bem maior que a queda registrada pela América Latina, de 25%.

"A contração do IED nos países em desenvolvimento até agora tem sido menos severa do que nas economias desenvolvidas", ressalta o relatório.

Tiveram quedas acentuadas também a Argentina (-40%), Colômbia (-34%) e Peru (-72%). Já o Chile viu o IED crescer 67% apesar da pandemia, incentivado por investimentos em transportes, manufatura e indústria. Já o México viu crescimento de 5%.

Economias desenvolvidas

As economias desenvolvidas viram as maiores quedas no IED na primeira metade deste ano: foram ao todo US$ 98 bilhões, um recuo de 78% frente ao mesmo período de 2019, quando chegou a US$ 777 bilhões. Esse nível de investimento foi visto pela última vez em 1994.

Na Europa, o fluxo de investimento estrangeiro direto ficou negativo pela primeira vez na história, a - US$ 7 bilhões. Nos primeiros seis meses de 2019 havia ficado positivo em US$ 203 bilhões.

Nos EUA, a queda de 61% reduziu o fluxo a US$ 51 bilhões.

Dado do Banco Central

Em julho, o Banco Central do Brasil (BC) informou que os investimentos diretos no país (IDP) somaram US$ 25,349 bilhões no primeiro semestre deste ano, com queda de 21,35% na comparação com o mesmo período de 2019 (US$ 32,233 bilhões).

Mais adiante, porém, esses números foram revisados. Segundo a série histórica do Banco Central, os investimentos diretos no país somaram US$ 22,841 bilhões no primeiro semestre deste ano, com recuo de 26,7% contra o mesmo período do ano passado (US$ 31,147 bilhões).

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