'Deus fez com que eu voltasse a esse tribunal', diz Cavalcante em depoimento
Ex-tenente-coronel, acusado da morte do cabo Gonçalves, diz que depoimento dado no julgamento de 2011 é mentira
O julgamento do ex-tenente-coronel Manoel Francisco Cavalcante e do irmão dele, Marcos Antônio Cavalcante, teve continuidade na tarde desta quinta-feira (22), com o depoimento dos réus. O ex-militar negou participação no crime e rebateu o que a irmã do cabo Gonçalves falou em depoimento durante o período da manhã. "Tudo o que ela falou é mentira", destacou o acusado. Cavalcante também desmentiu o que tinha dito no julgamento ocorrido em 2011, quando acusou deputados de ordenarem o crime. Ele falou que o julgamento de hoje é uma nova chance dada por Deus para que ele fale a verdade. "Deus fez com que eu voltasse a esse tribunal", pontuou.
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O ex-tenente-coronel e o irmão estão sendo julgados pelo assassinato do cabo Gonçalves, crime ocorrido em 1996, no momento em que ele abastecia o carro em um posto da Via Expressa, no bairro da Serraria. O júri está sendo conduzido pelo juiz Sóstenes Alex Costa de Andrade, da 7ª Vara Criminal.
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Pela manhã, Ana Maria Valença, irmã da vítima, prestou depoimento e fez uma série de acusações contra o ex-tenente-coronel Cavalcante, dizendo, inclusive, que ele teria tentado matar o filho do cabo Gonçalves durante o velório.
"Eu entendo o lado emocional dela, só lamento o fato dela estar mentindo", disse Cavalcante, que fez uma série de acusações contra a vítima, como a de que ele teria matado uma pessoa no Pilar e que estava 'desesperado' efetuando roubos pelo Nordeste.


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Manoel Cavalcante disse ainda que, no dia do crime, estava no 6º Batalhão de Polícia Militar (6º BPM) e que foi enviado pelo comandante-geral da PM em uma viatura oficial para averiguar a notícia da morte na casa da vítima.
Cavalcante falou também que tinha duas metralhadoras sob sua tutela na década de 90, sendo que ele só teria tido acesso a essas armas em 1997, ou seja, um ano depois do crime. "Segundo uma perícia feita em Brasília, uma das armas usadas no crime é uma dessas metralhadoras. Essas armas vieram para me incriminar. Na época da morte do cabo Gonçalves, essa arma estava em posse do coronel Pedro", pontuou.
Durante o julgamento, o juiz Sóstenes Alex leu algumas declarações antigas dadas pelo ex-militar e apontou algumas contradições ditas por ele.
Nesse momento, o ex-militar confessou que tudo o que disse no julgamento de 2011 foi mentira e que ele foi induzido a fazer acusações contra deputados. Nessa nova versão dada para o crime, Cavalcante falou que João Beltrão nunca mandou matar um adversário político e, sem citar nomes, disse que prometeram a liberdade a ele, caso acusasse os parlamentares de planejarem o crime.
"Fui enganado. Fui usado e peço desculpas. Inclusive, nesse período, fui enviado para um presídio federal. Queria morrer e não podia. A maior tortura foi ficar longe dos meus filhos. Esse depoimento [o de 2011] foi todo preparado. Pediram para que eu colaborasse e me soltariam. Isso é um jogo sujo do qual eu participei por mais de 30 anos. Eu fui uma vítima do sistema", afirmou, ressaltando que o irmão dele aceitou 'mentir' para ajudá-lo e citando a polícia como a responsável por induzi-lo a mentir.
