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Sem médicos, preso cuida de detentos com suspeita de Covid-19 em prisão

Presídio ficou conhecido por abrigar alguns presos da Lava Jato como o ex-deputado Eduardo Cunha e o ex-ministro José Dirceu

Sem médicos e com os policiais receosos de contrair o novo coronavírus, um preso está encarregado de cuidar de 20 colegas com suspeita de Covid-19 no Complexo Médico Penal (CMP), em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba.

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O presídio ficou conhecido por abrigar alguns presos da Lava Jato como o ex-deputado Eduardo Cunha e o ex-ministro José Dirceu, mas atualmente não acolhe mais nenhum detento da investigação.

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Os presos com sintomas de Covid-19 -os testes de confirmação ainda não foram realizados- estão confinados numa ala da prisão e dois detentos de confiança da chefia do presídio foram liberados para cuidar dos doentes, de acordo com o Sindicato dos Policiais Penais do Paraná (Sindarspen).

"O que acontece é que este mesmo preso responsável se movimenta entre o hospital e o Complexo Médico Penal, sem nenhum cuidado e podendo contaminar os presos do CMP. Estamos esperando pior", relatou um dos policiais via sindicato.

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A prisão tem 14 médicos, mas apenas quatro estão trabalhando atualmente, segundo ofício assinado pelo diretor da entidade, do dia 17 de março. Os demais estão afastados por diversas razões, como licença médica remunerada, exoneração por faltas e dispensa por idade.

A gravidade da situação não passou despercebida pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) que, por meio do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário (GMF), solicitou informações à Corregedoria dos Presídios de Curitiba.

Em documento do dia 15 de abril, o GMF alerta sobre a falta de equipamentos de proteção para o combate ao novo coronavírus e a impossibilidade de fazer isolamento social na estrutura.

O órgão do TJ informa também que há "diversos portadores de tuberculose no local", o que pode agravar ainda mais a emergência sanitária. Os presos foram proibidos de receber objetos de familiares, segundo o grupo.

De acordo com o Sindarspen, uma visita de técnicos da saúde é esperada para verificar a situação e dar orientações aos agentes penitenciários. "Não temos nem orientação sobre como devemos proceder. Houve promessa da visita de técnicos da saúde, mas isso não se concretizou", denuncia um policial também via sindicato.

Situações que colocam em risco a saúde de presos e policiais são registradas também em outros os presídios do Paraná, segundo o Sindarspen. Agentes penitenciários relatam falta de álcool em gel, de termômetros, movimentação de presos de forma indevida e manutenção de trabalhos dentro e fora das unidades.

Depois de um pedido do Conselho da Comunidade da Comarca de Região Metropolitana de Curitiba, presos de penitenciárias e cadeias públicas do Paraná estão produzindo equipamentos de proteção para uso dos próprios detentos e dos funcionários das unidades.

Até o dia 15, segundo o governo, foram produzidas cerca de 69.000 máscaras, 5.200 jalecos, 1.700 máscaras de acetato e 2.000 peças para hospitais, como lençóis, fronhas, uniformes, toucas e pijamas. Cerca de 200 detentos trabalham na confecção, de acordo com o departamento penitenciário, em 17 penitenciárias e duas cadeiras públicas do estado.

Apesar da boa ação, segundo o Sindarspen, as máscaras produzidas nas penitenciárias estaduais de Foz do Iguaçu e Maringá se revelaram inadequadas por causa do tamanho pequeno e até potencialmente perigosas por falta de higienização.

Procurados pela reportagem nesta quarta-feira (22), o Departamento Penitenciário do Paraná e a Secretaria de Segurança Pública do estado ainda não se manifestaram.

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