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Escolha de local por atirador de Campinas foi 'aleatória', diz Polícia Civil

Investigação não identificou nenhum tipo de problema de Euler Fernando Grandolpho com religião

Nesta sexta-feira (21), a Polícia Civil (PC) informou que a escolha do atirador de Campinas para cometer o ataque, que acabou na morte de 5 pessoas, foi 'aleatória'. Segundo as investigações, a motivação do crime foi a necessidade do autor, Euler Fernando Grandolpho, chamar a atenção das autoridades por se sentir "perseguido".

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A tese foi desenvolvida por análises de anotações e áudios apreendidas na casa do atirador. Segundo o chefe da Polícia Civil em Campinas, José Henrique Ventura, não foi constatado nenhum tipo de ligação ou problema do autor, que se matou após o ataque, com religião, o que fez a investigação descartar que a Catedral foi um local escolhido de maneira proposital. Em um dos trechos do diário que ele escrevia, Euler fala em fazer algo grande.

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"A escolha da Catedral foi aleatória. O que a gente concluiu é que ele planejava há muito tempo esse ataque, planejava sozinho, e decidiu naquele dia e naquele momento executar o plano dele. Talvez a escolha da Catedral foi por ser um lugar onde passava bastante gente, mas a gente não identificou problemas dele com religião", disse Ventura.

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Dois áudios gravados pelo atirador foram divulgados pela Polícia Civil na tarde desta sexta-feira (20). Em um deles, Euler Fernando Grandolpho afirma que "a alma vai ficar em paz". Os áudios estavam em um gravador apreendido na casa do autor do crime, e foram gravados em 2016. Ouça.

Novos trechos do "diário" escrito pelo atirador também mostraram que ele planejava a chacina desde 2008, segundo o delegado José Henrique Ventura, do Departamento de Polícia Judiciária do Interior (Deinter-2). Além disso, uma foto também apreendida durante as investigações mostra que Grandolpho "treinava" com a arma usada no crime na casa dele, em Valinhos (SP).

Todos os trechos revelados nesta sexta pela polícia foram escritos pelo atirador em 2016. Além dos bilhetes e das fotos, a investigação também apreendeu vídeos que ele gravou no quarto no dia do ataque na Catedral de Campinas e um desenho que mostra uma espécia de charge onde uma chacina é representada.

Segundo a Polícia Civil, foi possível descobrir a numeração da pistola, uma CZ 9mm. Não havia registro da arma no Exército brasileiro, o que reforça a tese de que a arma teria sido comprada no Paraguai.

O ataque

Euler Fernando Grandolpho entrou na Catedral, abriu fogo contra fiéis no encerramento da missa, matou cinco pessoas e em seguida cometeu suicídio. Outras três ficaram feridas.

Entre as vítimas, quatro morreram no local. Heleno Severo Alves, 84 anos, foi socorrido ao Hospital Mário Gatti, onde passou por cirurgia, mas não resistiu e teve óbito confirmado no dia seguinte.

Segundo a polícia, o atirador fez tratamento contra depressão e a família temia que ele cometesse suicídio. Ele não tinha antecedentes criminais, estudou publicidade e propaganda e foi assistente de promotoria no Ministério Público de São Paulo onde, segundo o órgão, exonerou-se em 2014.

Entre as hipóteses apuradas para explicar o crime estão o fato de Euler ter tido uma espécie de surto psicótico em decorrência de depressão. Segundo parentes e testemunhas que conviviam com ele, o atirador tinha mania de perseguição e teve atritos com vizinhos.

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