Catadoras de lixo estrelam exposição fotográfica em Maceió
Mostra entra em cartaz na próxima quinta-feira e traz histórias de luta e superação
Quase sempre invisivilizadas entre as ruas da cidade, as catadoras de lixo alagoanas são, aqui, as estrelas. Nas fotografias de Beto Figueiroa e Helder Ferrer, são elas o destaque e, com voz própria, contam suas histórias de luta e superação. É esse o mote da exposição RELIXX - A Força Cromossômica Feminina Por Uma Vida Sustentável, que chega a Maceió a partir da próxima quinta-feira (22).
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A ação faz parte do Relix, uma iniciativa que discute sustentabilidade utilizando ferramentas como a educação, a arte e a tecnologia. Essa é a segunda vez que ela vem a Alagoas e a primeira que a mostra é realizada. Além das catadoras do Estado, também são retratadas nas imagens dos dois fotógrafos profissionais de Pernambuco e Paraíba.
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Por aqui, a mostra fica em cartaz durante um mês, no Espaço Pierre Chalita, no bairro da Pajuçara. A ideia é homenagear essas mulheres que contribuem para a reciclagem de materiais vistos como muitos como lixo. Idealizadora do projeto, Lina Rosa Vieira, que ainda assina os textos da montagem, conta que a vontade de fazer a expo nasceu em Alagoas.

"Fomos na Vila Emater, que era o antigo lixão e hoje é uma cooperativa, e ali dentro comecei a ver que as coisas das casas dessas catadoras eram coisas que as pessoas não queriam mais, que tinham jogado fora", diz. "São mulheres incríveis dignas de todo o valor e todo o respeito. A tendência ao lixo zero que acontece em países como a Alemanha e a Dinamarca já é colocada em prática na vida delas".


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A mostra traz as histórias de 11 mulheres, contadas também por meio de crônicas. Nas fotos, elas aparecem à vontade e mostram um pouco do cotidiano de uma classe muitas vezes ignorada pela população em geral. Uma das alagoanas que aparece nas imagens é Ijanete. "Catava latinhas na rua, com as crianças, para sobreviver. Hoje é meu sustento e tenho muito orgulho do meu trabalho", aponta.
Lina ressalta a importância da ação. "Queremos que essas mulheres sejam visíveis. Elas fazem um trabalho tão importante e pouco valorizado; elas mesmas dizem que as pessoas olham pra elas como se elas não existissem", expõe. "Queremos estimular que as escolas, as universidades, os movimentos de direitos humanos visitem a exposição. Acho que a gente transforma a partir do que temos acesso e tenho certeza que o público vai se sensibilizar com essas mulheres".
Além da exposição, o Relix também realiza, até o final do ano, uma série de atividades em Alagoas - o projeto já esteve aqui em 2016, abordando o tema reciclagem. Uma das ações desta vez foi o espetáculo Oceanos, que instigou os espectadores a pensar sobre a preservação marinha. A programação conta ainda com a apresentação do Espetaculix.
Levada a escolas, indústrias e espaços públicos, a peça, que deve totalizar 140 encenações, narra de forma lúdica a transformação de pessoas comuns em heróis da sustentabilidade. Também foram distribuídos 35 mil exemplares da cartilha quadrinholix e 50 conjuntos de lixeiras seletivas. E essa edição ainda vai doar 25 Ciclolix, ecobicicletas coletoras, para cooperativas e associações.
Patrocinada pelo Sesi, a iniciativa em Alagoas tem o apoio da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos. Numa referência à palavra lixo em latim, o Relix tem como finalidade levar as pessoas a pensar sobre 5Rs: Recusar, Repensar, Reciclar, Reduzir e Reutilizar. Tudo isso a fim de provocar mudanças de comportamento que levem à geração de menos lixo.
SERVIÇO:
O que: Exposição RELIXX - A Força Cromossômica Por Uma Vida Sustentável
Quando: de 22 novembro a 22 de dezembro
Onde: Espaço Pierre Chalita (Pça Manuel Duarte, 77 Pajuçara)
Horário de visitação: Terça a domingo, das 09h às 12h e 14h às 17h.
Entrada franca

