Abrace a causa: Moradores e empresas se unem para revitalizar praças em Maceió
Projetos assim já foram levados a dois espaços, com reformas e plantio de árvore
Qual foi a última vez que você olhou para as árvores de uma praça? Percebeu o estado dos bancos públicos, a presença de flores, a arborização, se há brinquedos, se existe acessibilidade ou se monumentos públicos estão preservados? Notou se existe movimento aos finais de semana ou se o espaço é um local frequentável?
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Em Maceió, capital que possui 275 delas, existem moradores interessados em arregaçar as mangas e torna-las limpas, sustentáveis e frequentadas. São pessoas, instituições e empresas que adotam para si, às vezes de "papel passado", as praças e espaços públicos do município.
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Para o Colégio Santa Madalena Sofia, primeiro veio a ideia de trabalhar o tema sustentabilidade ao logo do ano letivo de 2018. Porém, com a necessidade de ir além das pesquisas dentro da sala de aula e ultrapassar os muros da instituição de ensino, nasceu o projeto 'Madalena na Praça'.

A ação mobilizou dos estudantes do ensino infantil aos da educação para jovens e adultos, assim como colaboradores, professores e pais, para criação de diversos projetos sustentáveis que foram apresentados na Praça Centenário, no bairro do Farol.


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O Madalena Sofia adotou o local por meio do projeto 'Adote uma Praça', da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SEMDS). Juntos, os voluntários reformaram bancos, pintaram brinquedos e canteiros, revitalizaram o monumento público da bandeira de Alagoas e plantaram orquídeas.
De acordo com a coordenadora Geral de Ensino, Cláudia Calheiros, o 'Madalena na Praça' foi feito com o objetivo de mudar o jeito de pensar dos alunos, ultrapassar muros, mostrar que a "diversão não precisa ser privada".
No dia 21 de outubro, a instituição levou cerca de três mil pessoas para conhecer as mudanças da Praça Centenário e apreciar os projetos dos estudantes. Eles realizaram cinema e desfile de moda sustentáveis, apresentações culturais, exposições de fotografia, maquete de uma casa sustentável, entre outros.
"Os pais nos procuraram para contar da emoção de levar os filhos no local que brincavam quando criança. Um dos resultados mais positivos foi encontrar os corredores e salas limpas após o horário do intervalo. A produção de lixo tem sido mínima", contou a docente Cláudia Calheiros.
Para diretora do colégio, irmã Sandra Alencar, o projeto é a realização do sonho de contribuir com a reflexão de que universo precisar ser resgatado. "A praça é um patrimônio dessa cidade, do nosso bairro. Então, todos nós, alunos, educadores, famílias e Colégio Santa Madalena Sofia, nos sentimos no dever de cuidar um pouquinho daquilo que é nosso e está à disposição", explicou a diretora.

Nos últimos dois anos, o'Adote uma Praça' permitiu que 40 logradouros públicos fossem adotados por empresas e pessoas físicas. O programa foi lançado em 2013, mas, de acordo com o secretário de Desenvolvimento Social de Maceió, Gustavo Acioli Torres, ele só começou a ganhar força a partir de 2016.
O projeto consiste em parcerias entre futuros adotantes e a Prefeitura. Em troca do incentivo da publicidade, com instalação de placas ou totens, o adotante pode recuperar, manter e preservar as áreas públicas.
"É uma forma do cidadão ou empresa da iniciativa privada colaborar com o desenvolvimento de Maceió, realizando investimentos na recuperação de áreas públicas ou ajudando a manter espaços já revitalizados pela Prefeitura. Assim, a partir das parcerias, a gestão pode realocar recursos para investimentos em outras áreas", explicou Gustavo Acioli.

Por conta própria
Na parte baixa da cidade, moradores do bairro da Pajuçara se incomodaram com a sujeira e o abandono da Praça Lions. A ideia inicial do catarinense Xuxa Müller, que mora em frente ao local, era criar por conta própria um pequeno canteiro com plantas.
"Há mais ou menos um ano, fiz uma postagem na rede social chamando amigos e conhecidos para ajudar. Não apareceu ninguém no primeiro dia e no dia seguinte foram quatro pessoas. Nos próximos dias apareceram pessoas de vários lugares para colocar a mão na massa. Criamos um mutirão", disse.
Xuxa conta que a vontade despertou logo após se mudar para o bairro e perceber que poucas pessoas frequentavam a Praça Lions, principalmente mulheres e crianças. Convivendo ao lado de usuários de drogas, que se utilizam do local para consumo, ele e mais seis pessoas conseguiram manter o que foi feito e trazer mais cores para a praça pública.

Ao todo, três mil mudas de árvores e flores foram plantadas. Eles revitalizaram bancos públicos, construíram outros e pintaram tudo que podiam. O projeto também recebeu doações de plantas do Parque Municipal de Maceió e tem o apoio da Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) para irrigação.
De acordo com o catarinense, o improviso foi determinante para o projeto avançar. Pneus velhos, garrafas, baldes e até vasos sanitários abandonados foram reutilizados.
"Ainda falta muito e seria ótimo que uma empresa abraçasse a Praça Lions. É mais importante que uma praça seja utilizada do que seja bonita. Ela é um ambiente mais social do que físico", disse o idealizador do projeto, que trouxe mais verde para o bairro da Pajuçara.










