Escolhi Esperar: Jovens optam por ter a primeira relação sexual após o casamento
Surgida em 2011, campanha nas redes sociais tem diversos adeptos em Alagoas
Que carreira seguir, o rumo a tomar, como equilibrar os interesses e as obrigações de uma nova fase da vida. As decisões de quem ainda tem a uma juventude pela frente são muitas. Mas um grupo cada vez maior vem se deparando ainda com outra escolha: a de esperar. Trata-se doEu Escolhi Esperar, um movimento cristão que encoraja jovens brasileiros a "se guardarem" para o casamento.
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E o 'cada vez maior' ali de cima não é à toa: se logo no surgimento, lá pelos idos de 2011, a ideia tinha pouca adesão - cerca de quatro mil seguidores no Facebook -, hoje já conta com mais de três milhões de curtidas. Alagoas não tem uma página específica da campanha nessa mesma rede social, mas um grupo fechado, com acesso restrito, tem quase 700 membros.
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Encontrar quem faça parte do movimento no Estado não é tão difícil assim. Já convencê-los a falar sobre isso, sim - em especial devido ao preconceito que ainda ronda essa decisão. Mas, por aqui, o casal Carolina Lins e Adeilson Vicente, de 26 e 24 anos, respectivamente, não vê problemas em falar sobre a escolha feita em conjunto. Evangélicos, eles estão juntos há dois anos e pretendem se casar em janeiro.
"Nos conhecemos na internet, pelo Instagram. Ele me mandou um direct [mensagem] e, como tínhamos muita coisa em comum, trocamos números de telefone", diz ela, lembrando que o namoro começou no dia 1º de julho de 2016 e, pouco tempo depois, veio o noivado. "Noivamos no dia 1º de julho de 2017 e vamos nos casar em janeiro de 2019. Estamos nos preparando".


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Carolina, que é assistente social, aponta que a crença de esperar até o matrimônio é algo que os dois aprenderam de pequenos. "Desde crianças seguimos princípios bíblicos, repassados por nossos pais, cristãos. Nos foram apresentadas as consequências, caso eles não sejam seguidos. E se guardar para a pessoa com a qual irá viver para o resto da sua vida é um escolha muito importante", explica.

Criada em 2011 pelo pastor Nelson Júnior, a campanha é centrada na "importância de viver uma vida em santidade e pureza baseada nas escrituras sagradas". Ao contrário do que se imagina, ela não é voltada apenas para pessoas virgens, mas também para aquelas que já tiveram experiências sexuais, mas que, depois disso, resolveram se preservar até o casamento.
De acordo com a página do movimento, ele atua não só na área de preservação sexual, mas ainda na de integridade emocional, visando relacionamentos saudáveis e duradouros. Aberto a todas as idades, ele também garante não ser ligado a nenhuma denominação cristã específica, acolhendo católicos, evangélicos e pessoas que não sejam de nenhuma organização religiosa.
Além das redes sociais, onde tem forte presença, o Eu Escolhi Esperar realiza ainda seminários em todos os estados brasileiros e até no exterior - já esteve na Colômbia, na Argentina, no Paraguai, nos Estados Unidos, na Inglaterra, na França e no Haiti, por exemplo. Junto com Nelson Junior, pastor desde 1998, também é cara da iniciativa a esposa dele, Angela Cristina
Adeilson conta que o casal alagoano não acompanha assiduamente os eventos, mas está sempre ligado na web e nos dois pastores. "Foi por este motivo que nos identificamos. Apesar de não participarmos das palestras presenciais, optamos pela leitura de livros que nos ajudam a reforçar o que nos foi ensinado e também acompanhamos discussões com pessoas optantes do segmento".
Tanto ele, que trabalha e também é estudante de engenharia mecânica, quanto Carolina admitem que aguardar não é tarefa fácil - inclusive por estarem seguindo na direção contrária da grande maioria da sociedade. Para isso, eles contam que se apegam à palavra de Deus e a práticas diárias de oração. Experiências de amigos que passaram pelo mesmo também ajudam.
E, segundo a dupla, é a espera que proporciona tempo para que possam se conhecer melhor. "Esperar nos dá tempo para que venhamos a nos conhecer o suficiente para descobrir qualidades e defeitos, analisar se eles serão aceitáveis ou não. Essa fase de espera é muito importante para o conhecimento. É o momento onde traçamos planos e sonhos para que no futuro possamos executar o que planejamos", expõe.
O casal afirma que tem o relacionamento equilibrado, com princípios familiares comuns. Como as rotinas são intensas, os dois acabam não tendo muito tempo para se encontrar sozinhos. Mas, quando isso acontece, o respeito prevalece. Na opinião deles, esse é um dos fatores para garantir um casamento duradouro, trunfo que outros terminam por não ter.
"O casal que pratica o sexo antes do casamento acaba perdendo a oportunidade de se conhecer melhor. Nesta fase de conhecimento, levam uma vida íntima como se já fossem de casados, perdendo a pureza e a santidade. Ao casarem, não haverá mais expectativas pela lua de mel. Os riscos são grandes de não chegar ao casamento, pois alguns acabam não mantendo o foco, se conformam e ficam estagnados", diz Carolina.
Benefícios e consequências

Janiele Silva de Melo, de 21 anos, também segue os preceitos do Eu Escolhi Esperar. Ela explica que, fazendo parte do movimento, sabe que está indo na contramão da sociedade no que diz respeito a relacionamento e sexualidade. Mas, aponta que gosta da possibilidade de "não ser igual a todo mundo". Saber que está fazendo "a vontade do Senhor" é a maior recompensa.
"O benefício é fazer a vontade do Senhor, saber que ele tem o melhor para nós, então esperar é a melhor escolha para não fazer escolha errada", aponta, acrescentando que o sexo antes do casamento muitas vezes mascara os reais sentimentos. "A relação não fica mais sadia, muitas vezes se está com a pessoa somente pelo desejo sexual e não mais por amor".
De acordo com a jovem, para conseguir um relacionamento saudável e abençoado é preciso ter foco. E é esse foco que ela tem em mente para manter a decisão. "Precisa ter um foco e saber que esperando você não vai se prejudicar e estará evitando sofrimentos futuros", ressalta. "Porém, muitos acabam não conseguindo por serem influenciados por outras pessoas".
Assim como Carolina e Adeilson, ela também é comprometida. O namorado não só aceita a escolha como também é adepto dela. "Desde o início do relacionamento conversamos sobre isso e decidimos os dois no mesmo objetivo", destaca Janiele, que trabalha como representante de atendimento.
Formada em ciências contábeis, Eloísa Carla Gomes da Silva, de 25 anos, é mais uma das alagoanas adeptas do Eu Escolhi Esperar. Desde a adolescência, ela se interessa pelo assunto. Como já pensava em se preparar melhor para um relacionamento futuro, começou a estudar. Descobriu aí a campanha, assistindo a vídeos e lendo artigos com orientações sentimentais.

"Infelizmente, ainda não tive o privilégio de participar de nenhuma palestra do pastor Nelson, mas alguns amigos que já participaram dizem que é muito produtivo. Mas, além dos seminários, o projeto conta com um leque de opções para ter acesso às informações, como livros, vídeos do Youtube, redes sociais, blog", aponta a jovem, que tem um relacionamento de um ano e um mês.
O namorado compartilha da mesma opinião e ambos acreditam nos benefícios de esperar até o casamento para manter relações sexuais. "Na Bíblia tem um versículo que diz que tudo tem um tempo determinado (Eclesiastes 3.1) e acredito que a espera proporciona a capacidade de desenvolver a paciência, de confiar que Deus tem o melhor para sua vida. Quem espera o tempo certo desfruta de uma qualidade de vida bem superior à dos precipitados".
Ela cita como um dos malefícios do sexo antes do matrimônio a gravidez indesejada. Outro é a banalização do ato, o que, para Eloísa, pode ocorrer ao se pular etapas num relacionamento. "Muitos mantêm relações sexuais sem ao menos ter intenção de casar, fazem simplesmente para suprir necessidades hormonais, porque alguém disse que precisa adquirir experiência, mas a questão é mais profunda, abrange sentimento, vidas".
Preconceito
Segundo a jovem, o preconceito em torno daqueles que escolheram esperar ainda é grande. As piadinhas são constantes na vida de quem faz parte do movimento. "A banalização tomou conta, e a grande maioria pessoas, principalmente adolescentes e jovens, veem a castidade sexual como algo retrógrado, então acaba sendo motivo de chacota e piadinhas inadequadas", aponta.

Mas Eloísa segue firme na decisão. "Tentam empurrar 'goela abaixo' que se você não segue certos tipos de práticas está totalmente errado, fora dos padrões e tentam a todo momento estimular a prática da relação sexual mesmo sem estar casado. Nunca foi uma decisão fácil de se tomar, requer maturidade para não se deixar levar por essas pressões. É necessário que o objetivo esteja bem estabelecido na mente e no coração".
Carolina e Adeilson, os noivos do começo da reportagem, também contam sentir na pele o preconceito. Para eles, comportamentos do tipo vêm, principalmente, de grupos não cristãos que não compreendem e não respeitam a escolha. A assistente social conta que respeita quem pensa diferente dela e gostaria de receber o mesmo tratamento dos outros.
"A cultura que vivemos prega que devemos fazer do nosso corpo aquilo que bem quisermos. Em partes concordamos, pois cada um tem seu direito de escolher em todos os aspectos da vida. Nós decidimos aguardar o casamento para nos entregar a pessoas a qual escolhemos e amamos, onde construiremos uma família baseada na palavra de Deus, praticando diariamente o amor a Deus e ao nosso próximo".
E, enquanto para alguns o Eu Escolhi Esperar pode parecer um sacrifício, para Eloísa Carla o movimento é de suma importância. "Ele nos instrui, à luz da palavra de Deus, que vale a pena esperar, que não estamos sós, que tem uma multidão com o mesmo pensamento e estilo de vida, que escolheu agradar a Deus e demonstra que só temos a ganhar ao fazer tais escolhas".
