Em AL para lançamento de livro, José Dirceu diz acreditar na vitória de Haddad
Ex-ministro também criticou Bolsonaro e afirmou que, caso eleito, PT deve rever reformas feitas por Michel Temer
Ex-chefe da Casa Civil do governo Lula, José Dirceu esteve em Maceió nesta segunda-feira (17) para o lançamento do livro "José Dirceu Memórias". Com 486 páginas, a publicação traz algumas das principais passagens da vida do político, preso pelo Mensalão. Na capital alagoana, ele comentou o cenário político nacional.
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Sobre as eleições de outubro, Dirceu disse acreditar que Fernando Haddad, candidato do PT, possa ganhar o pleito e se tornar o próximo presidente do Brasil. Ele acredita que o candidato possa ter 45% dos votos. "Acho que Haddad vai para o 2º turno e vai ganhar a eleição, mesmo diante de toda a situação".
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Ele também criticou o principal concorrente da oposição, Jair Bolsonaro, por suas ideias para o futuro do País, em especial pela política de armamento da população. E lembrou a importância do Brasil para a América Latina. "Caso haja alguma disputa mais acirrada entre os lados, isso prejudicaria toda a região", apontou.
Durante a entrevista coletiva à imprensa, o ex-ministro opinou sobre a possibilidade de Lula ser solto após o pleito. Segundo ele, o ex-presidente não aceitaria um indulto - boato que vem circulando nas redes sociais. "Lula não vai aceitar. Ele quer que a própria Justiça inocente ele", apontou.


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José Dirceu afirmou ainda que, caso o PT volte ao poder, provavelmente vai rever algumas das mudanças feitas por Michel Temer, em especial a reforma trabalhista e a fixação do teto dos gastos públicos. Ele também criticou os juros sobre dívida e o sistema bancário. "É preciso uma reforma tributária. Não podemos aceitar essa realidade".
Questionado sobre erros cometidos pelo partido durante o período em que esteve à frente do País, ele afirmou que reconhecia as falhas. "Aconteceram alguns erros, mas a situação de colocar o partido como o responsável por todos os males do País fez com que tivéssemos que nos defender o tempo todo", disse, lembrando os avanços alcançados.
Afirmando que se considera um sobrevivente, José Dirceu revelou não guardar mágoas de Lula por ter sido afastado do governo quando estourou o mensalão. "Não tenho mágoa. Mantenho a consciência tranquila", destacou, acrescentando que, na época, as pessoas não foram capazes de compreender o que estava acontecendo.
Biografia

"Escrevi aos finais de semana, nos domingos. Foram 700 páginas escritas à caneta durante cinco anos", disse ele, que recebeu um indulto e foi solto em maio de 2017 após um habeas corpus.
O livro é dedicado aos filhos do autor, Maria Antônia, Zeca, Joana e Camila; às respectivas mães, Simone, Clara, Ângela e Márcia, in memoriam; e à atual mulher dele, Maria Rita. "À memória de meus companheiros e companheiras mortos pela ditadura na luta pela liberdade sempre presentes em minha luta", declara ele nos agradecimentos.
Agora, o ex-ministro prepara um segundo volume, que vai tratar o período em que esteve encarcerado e as memórias da esquerda no Brasil. "Quero que minha filha de 8 anos saiba quem eu sou e a história que vivi", disse o autor, cujo primeiro livro é lançado pela Editora Geração.
