Comunidade escolar reprova as políticas adotadas pela educação pública estadual
Alagoas é campeão em analfabetismo e evasão escolar passa de 28 mil estudantes
A educação é considerada como uma das prioridades do governo de Alagoas. Tanto que a pasta até o final do primeiro trimestre deste ano estava nas mãos do vice- governador Luciano Barbosa (MDB) - político de confiança do governador Renan Filho (MDB). O setor teve alguns avanços como, por exemplo, o número de escola en tempo integral: até 2015 não havia nenhuma; hoje são 50 na capital e no interior. Porém, das 310 escolas da rede estadual cerca de 50% estão sucateadas. O Centro Educacional de Pesquisa Aplicada (Cepa), que se propõe a ser o maior complexo de escolas públicas da América Latina, tem obras que se arrastam lentamente e colégios com salas sem teto.
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Outros problemas administrativos e pedagógicos persistem e contribuem para que o estado permaneça como campeão de analfabetismo. Os professores dizem que têm o pior piso salarial do Nordeste. A maioria dos 173 mil alunos do ensino médio também reclama da falta de computadores, bibliotecas defasadas, da falta de metodologia moderna de ensino, da alimentação escolar que em algumas escolas se resumem à bolacha com refresco e até da falta de atividades ocupacionais.
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Os professores, também alvo das críticas dos estudantes e da própria gestão estadual, reivindicavam aumento salarial acima de 10%. Mas, só conseguiram apenas 2,95%. O governo aplicou o mesmo percentual dado as outras categorias e alegou o ajuste fiscal assinado com o governo federal, que impede aumento salarial superior a inflação, além da Lei de Responsabilidade Fiscal, que também limita gastos com a folha de pagamento em 49% da receita líquida e a legislação eleitoral.
SINTEAL


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A presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Educação (Sinteal), Maria Consuelo Correia, acusa as Secretarias de Planejamento, da Fazenda e da Educação de "engavetarem" o Plano de Cargos e Salários da categoria. Reclama também de perdas salariais que chegam a 40% e da falta de condições de trabalho nas escolas da capital e do interior.
Segundo a professora Consuelo, a metade dos prédios da rede estadual precisa de reforma urgente, de novos equipamentos didáticos e metodologia de ensino compatível com a realidade de Alagoas. "Projetos virtuais importados não contribuem para mudar e melhorar a realidade do ensino no Estado", disse a líder dos 12 mil professores da rede estadual.

Estudantes, como André Carlos da Silva, do segundo ano do ensino médio, e Vanessa Ariane Ferreira da Silva, do primeiro ano, de uma das escolas do Cepa, criticaram a metodologia antiga e enfadonha de ensino, a falta de computador na sala de aula para melhorar a dinâmica das disciplinas, as condições físicas das escolas, com salas de aula quentes, sem áreas de convivência moderna, com bibliotecas defasadas e transporte escolar velho.
"Alguns estudantes desistem de estudar por falta de atrativo, terminam engrossando o número de estudantes que abandonam a sala de aula e entram no mercado de trabalho precocemente", disse André Carlos, que promete resistir até concluir o ensino médio e fazer o vestibular para curso superior. "Não é fácil. É preciso muita força de vontade para frequentar algumas escolas da rede estadual", afirmou o líder estudantil.
NOTA VERMELHA
Ao avaliar a política de educação estadual, a presidente do Sinteal, professora Maria Consuelo Correa e a vice-presidente da entidade, professora Célia Capistrano, num critério de zero a dez, consideraram que a "política educação permanece com nota vermelha, média quatro (4)". Ressaltaram, porém, que houve pequenas melhorias e avanços em algumas unidades da rede estadual.
Elas criticam a falta de concurso público para setores que consideram essenciais para a melhoria do ensino. "Algumas escolas passaram por reforma estrutural, estão bonitas por fora e outras ainda estão em obras de reforma. Boa parte enfrenta sérios problemas, como falta de técnicos de apoio para as aulas de informática, de merendeiras, cozinhas equipadas, pessoal de apoio e dependências apropriada sobretudo nas escolas de tempo integral", disse a professora Célia Capistrano.
ALAGOAS LIDERA O RANKING NACIONAL DE ANALFABETISMO
Apesar dos investimentos feitos nos últimos três anos, a situação de Alagoas do ponto de vista educacional não anda nada boa. Dos 3,3 milhões de habitantes, 18,2% da população não sabem ler e escrever, conforme levantamento concluído em 2017. O estado ainda detém a maior taxa de analfabetismo no país. A percentagem representa 474 mil alagoanos analfabetos.

Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), obtidos através da pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua). Apesar da queda do número, com 1,2% a menos comparado ao ano de 2016, a estatística deixa Alagoas à frente de Maranhão (16,7%) e do Piauí (16,7%), que também chamam a atenção pelas taxas elevadas.
SEDUC REVELA INVESTIMENTOS PARA MELHORAR ENSINO EM ALAGOAS
A secretária de Educação de Alagoas, professora Laura Souza, através de sua assessoria de comunicação, rebate as críticas e afirma que, no período de 2015 a 2018, "tivemos cerca de 160 escolas reformadas e o planejamento é reformar 100% das escolas. Vale ressaltar ainda que, desde 2015, todas as escolas da rede estadual, recebem recursos para manutenção física por meio do Programa Escola da Hora, que descentraliza verbas, repassando-as diretamente para as unidades de ensino". As outras 150 escolas que precisam de reforma não têm data para iniciar as obras.
A secretária afirmou que, nos últimos três anos, foram entregues 50 ginásios e outros 19 foram reformados/recuperados. "Até 2015, a rede estadual tinha, apenas, 34 ginásios, declarados no censo".
Com relação as escolas de tempo integral, a Seduc destacou que não havia este tipo de ensino na rede estadual. "Atualmente, Alagoas tem 50 escolas com ensino integral, sendo 14 com cursos profissionais. Das 50 escolas, há cinco escolas que atendem o ensino fundamental".
CEPA
O Cepa é composto de 11 escolas que atende cerca de 7.000 estudantes. Segundo a secretária de Educação, quatro escolas são de ensino integral, nove já foram reformadas, uma está em andamento (Escola Estadual Silveira Camerino) e mais uma está no cronograma para ser reformada.
"Além disso, foram reformados, no Cepa, o ginásio do CDR e seu parque aquático, o Centro de Formação Ib Gatto Falcão (Cenfor) e o Batalhão Escolar. É importante ressaltar que, muitas vezes, as obras não andam na velocidade desejada, pois há um planejamento para que não haja interrupção das aulas", ressalta.

Com relação a reclamação dos estudantes que cobram modernização metodológica da grade curricular, a secretária Laura Souza disse, por meio da assessoria, que a Secretaria de Estado tem investido na formação dos professores por meio de três núcleos já instituídos: de formação, de acompanhamento pedagógico e de inovação e tecnologia para fazer acompanhamento, junto às escolas, e trabalhar planos de aula.
Sobre o cardápio da merenda escolar, que segundo os alunos é composto de bolachas e refresco, a informação oficial diz que "o cardápio é diversificado de acordo com as recomendações do FNDE [Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação]". Sobre os ônibus velhos encarregados de fazer o transporte escolar, respondeu que todos os ônibus da empresa contratada para o transporte escolar de Maceió seguem as normas do Contran.
EVASÃO
A respeito dos 28 mil estudantes que abandonaram a escola, a secretária informa que a evasão escolar no ensino médio reduziu em 43% de 2014 a 2017, de acordo com dados do Inep. "A Secretaria da Educação, para evitar a evasão escolar, tem investido em escolas de ensino integral, escolas de ensino integral com educação profissional, escolas de meio horário com educação profissional e escolas regulares".
A Seduc garante que tem se preocupado com a educação integral dos estudantes, apoiando e incentivando atividades de esporte, triplicando o número de ginásios nas escolas e promovendo os Jogos Estudantis de Alagoas, bem como trabalhado o protagonismo juvenil com o resgate dos grêmios do Encontro Estudantil que, em 2017, reuniu 1700 estudantes participaram de mostras e festivais nas mais diversas áreas. Em 2018, a terceira edição do Encontro Estudantil será realizada no mês de novembro.
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