Radical também na falta de apoio, bicicross tenta renascer em Alagoas
Com federação local sem funcionar, atletas enfrentam problemas no principal circuito do estado e travam luta diária por reconhecimento
Você sabe o que é bicicross? Ao menos já deve ter ouvido falar do esporte que surgiu no final da década de 1950, na Europa, e continua atraindo adeptos no mundo inteiro. "Filho" do badalado motocross, que integra a motovelocidade, o bicicross se popularizou nos anos 60, quando se tornou uma febre no estado americano da Califórnia. E como não poderia deixar de ser, não demorou muito para, em Alagoas, a modalidade logo conquistou verdadeira legião de seguidores apaixonados por adrenalina sobre duas rodas.
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Famoso pelas manobras radicais, o BMX - como ficou conhecido - vive um momento delicado. Para se ter uma ideia, a última vez em que Alagoas sediou uma competição oficial, com a chancela da inativa Federação Alagoana de Bicicross (FABx), foi no ano de 2010, com a denominada Taça Alagoas.
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De lá para cá, o esporte vem sofrendo com a falta patrocínio. E devido aos custos, muitos atletas estão tendo que "se virar" para reerguer o bicicross no estado, organizando, mesmo sem a estrutura adequada, torneios amadores.
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Em entrevista à Gazetaweb, o presidente da FABx, Adeílson Martins, falou sobre as dificuldades em manter o esporte vivo em Alagoas, já que a federação deixou de funcionar por falta de apoio.
- Nós tivemos muitos problemas em continuar organizando o bicicross aqui em Alagoas. Desde que acabou a minha gestão, a mais ou menos quatro anos, nenhum outro presidente assumiu e, infelizmente, não pude permanecer à frente do órgão, o que fez a federação estacionar. Então, como acontece com alguns outros esportes, o BMX também sofre para se reerguer.

Aos 46 anos, "Potó", como também é conhecido, lembra que despertou sua paixão pelas bicicletas ainda muito novo e, acompanhado de amigos, passou a correr no principal circuito de bicicross de Alagoas, localizado na Praça Padre Cícero, no Benedito Bentes, em Maceió.
A pista foi construída para a prática do "racing", modalidade de corrida do bicicross onde oito atletas pedalam em busca da vitória. E foi no Benedito Bentes onde muita gente renasceu com o esporte, afastando-se das drogas e competindo, em diversas regiões do país, com atletas de alto nível. Hoje, sem qualquer diretriz, veem-se jogados à própria sorte.
Outras modalidades

Além do racing, o bicicross possui outras modalidades em que não falta emoção. Uma das mais praticadas é o Freestyle (estilo livre), no qual os atletas executam uma variedade de manobras radicais. Outra que se popularizou entre os jovens alagoanos é o Dirt Jumping.
Presente em rampas de terra com distâncias e alturas variadas, a modalidade é famosa pelos grandes saltos com a bicicleta, fazendo com que o atleta voe sobre o circuito. E haja adrenalina.
Aos 34 anos, Léo Pereira é um dos que não perde a chance de sentir o vento no rosto na hora de saltar em alta velocidade na pista do Benedito Bentes. Ele conta que o bicicross é parte de sua vida e que não se vê longe do esporte. "Vir aqui dar umas voltas de bike é algo que faço desde que eu era criança. Já são 25 anos correndo e aprendendo novas manobras. É o que mais amo na vida", assegurou.
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Outro que também segue o exemplo de Léo é Ronny Alex, de 28 anos. O atleta pratica o bicicross na Praça Padre Cícero a pelo menos uma década, mas reconhece que nem sempre as manobras saem conforme o planejado. E apesar da experiência já adquirida, Ronny atesta, com propriedade, a importância da repetição no treinamento.
- Explorando a bike e tentando descobrir novas manobras, a gente acaba se machucando. Eu já tive lesões sérias e precisei ficar algum tempo sem praticar o esporte. Por isso, apesar do alto investimento, o esporte é viável. Além disso, sempre orientamos a molecada que vem nos acompanhar sobre a necessidade do uso dos equipamentos de proteção e do respeito aos limites de cada praticante.
Pista inapta nacionalmente
Além da pista de racing, a pista do Benedito Bentes conta, atualmente, com várias rampas para dirt jumping, além de uma rampa feita no formato de U para a prática do "vert", modalidade que possibilita o atleta executar saltos mais complexos sobre as bordas da rampa.
No entanto, tais adaptações impede Alagoas de receber competições nacionais, já que a Confederação Brasileira de Bicicross (CBBx) reconhece apenas o racing - única modalide olímpica do esporte - como competição oficial, seguindo as normas do Comitê Olímpico Internacional (COI).

Apesar de permanecer afastado da Federação Alagoana de Bicicross (FABx), o presidente Adeílson Martins revela ter elaborado um projeto para construção de um grande complexo, capaz de englobar todas as modalidades do esporte, afim de que os amantes do bicicross desfrutem de um espaço "mais apropriado".
Isso também faria com que Alagoas fosse novamente lembrada no cenário nacional do esporte, já que, neste novo espaço, as rampas e a pista de racing estariam separadas, estando de acordo com o regulamento da CBBx.
Procurada pela reportagem, a Secretaria Municipal de Esporte, Lazer e Juventude (Semelj) informou, por meio de nota, que existe um projeto para a construção de um Centro de Iniciação ao Esporte (CIE) exatamente na Praça Padre Cícero, onde está a pista de bicicross visitada pela equipe daGazetaweb. A previsão é de que as obras tenham início ainda neste segundo semestre.
Confira, abaixo, a íntegra da nota:
"A Secretaria Municipal de Esporte, Lazer e Juventude (Semelj) informa que Maceió foi selecionada pelo Ministério do Esporte para receber um Centro de Iniciação ao Esporte (CIE), que será construído na Praça Padre Cícero, no Benedito Bentes. A licitação para a construção do CIE está prevista para agosto, enquanto as obras serão iniciadas ainda neste semestre. A estrutura vai possibilitar a prática de 15 modalidades esportivas, incluindo olímpicas e paraolímpicas".
