Em ato simbólico, Calabar é réu em julgamento na cidade de Porto Calvo
Ato marca 383 anos da morte do portocalvense, que foi enforcado acusado de traição; historiadores participam da iniciativa
Um julgamento inusitado vai acontecer no próximo dia 22 de julho, na cidade de Porto Calvo, local no qual habitaram os primeiros portugueses em Alagoas. O réu será ninguém menos que Domingos Fernandes Calabar ou apenas Calabar. A história conta que Calabar traiu seus antigos aliados portugueses e fez pacto com os holandeses na invasão ao Nordeste do Brasil. Mas, no município de pouco mais de 25 mil habitantes, há quem pense que ele é um herói.
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No ato simbólico, que marca 383 da morte de Calabar por enforcamento, ele será julgado no Fórum da cidade e terá sua sentença proferida. O julgamento será completo, com direito a conselho de sentença formado por 11 jurados historiadores.
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Os irmãos Ney Pirauá e Geraldo Majella assumirão papeis contrários durante o julgamento. Enquanto o primeiro fará a defesa da personalidade histórica, o segundo será o procurador de Justiça responsável pela acusação. Pirauá diz que a defesa irá provar, por meio de fatos, que Calabar foi um herói para o povo brasileiro.
"Calabar se preocupou não só com a pátria, mas com o momento que ele estava vivendo à época. Nós vamos provar que não tem como Calabar ter sido traidor. Vivíamos em uma época que nem país existia. Tínhamos Holanda, Espanha e Portugal envolvidos e, nessa trama toda, Calabar, por ser muito jovem, fez sua opção e por aí vamos desenvolver a nossa tese", afirmou.


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Já o procurador levará ao júri argumentos que comprovam que Calabar traiu a pátria no século XVII. "Calabar, efetivamente, não foi um herói e vamos usar como estratégia, não temos nenhum acanhamento em dizê-lo, que a Holanda era uma invasora. Nunca vi um invasor fazer a colonização de alguém. Vamos levar argumentos, vamos levar fatos, levar nossos estudos e acreditamos que com isso, pelo menos, vamos esclarecer àqueles que vão naquele dia julgar".
A sentença será proferida pelo juiz Ney Alcântara. "Vai-se demonstrar se o ato que Calabar praticou realmente foi um ato de traição ou de foi um ato de visão em favor do nosso Brasil. A sentença do magistrado, obrigatoriamente, tem que seguir o que o tribunal do júri vai decidir. Se o tribunal do júri disser que ele é traidor e é culpado, a sentença tem que sair nesses termos. Se disser que, na verdade, ele tinha uma grande idealização pelo nosso país, eu teria que absolvê-lo", diz.
Ele afirma que o julgamento vai servir para trazer ao povo uma parte da história forte de Alagoas. "Ele vai mostrar que nosso Estado tem uma história fortíssima. A história de Calabar envolve toda nossa questão de império desde a Holanda, Espanha e Portugal. Então, isso é que é importante porque nós vamos trazer a história para o nosso povo", aponta.
