Funcionário da OAB baleado por militares recebe alta e presta depoimento
Guardador de carros se desentendeu com guarnição ao defender advogada que havia estacionado de forma irregular; testemunha alega abuso de autoridade
O guardador de carros que presta serviço para a Ordem dos Advogados do Brasil, secional Alagoas (OAB), José Geovânio, recebeu alta médica do Hospital Geral do Estado (HGE) na noite desta segunda-feira (4), após ser baleado nesta tarde, durante abordagem da PM. Segundo a Comissão de Direitos Humanos da entidade de classe, o tiro que atingiu Geovânio foi de raspão. Logo após receber alta, o guardador de carros foi levado por militares para a Central de Flagrantes, no bairro do Pinheiro, onde prestou depoimento.
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Maria José Francisco da Silva tem 31 anos e é esposa de Geovânio. Segundo ela, o guardador de carros é o responsável por estacionamento localizado em frente ao Fórum da Capital, no Barro Duro, onde fora baleado. Ela conversou com a reportagem enquanto aguardava informações sobre o estado de saúde do marido, à porta do HGE, revelando ter presenciado toda a confusão envolvendo os militares.
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Segundo ela, a desentendimento teve início quando Geovânio foi defender uma advogada que teria estacionado irregularmente. Na sequência, ainda de acordo com Maria José, os policiais teriam começado a destratá-lo, com o guardador de carros revidando. Foi quando um dos militares teria agredido o funcionário da OAB, que reagiu da mesma forma.
"Ele [Geovânio] é meio esquentado e não aguentou ficar calado quando os policiais começaram a destratá-lo daquela maneira. Após reagir às agressões, o Geovânio fez um movimento como se fosse correr para buscar ajuda. Foi quando os policiais atiraram", contou ela, acrescentando que ainda tentou, sem sucesso, evitar que o marido fosse baleado.


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Já o presidente da Comissão dos Direitos Humanos da OAB, Ricardo Moraes, acompanhou o depoimento de José Geovânio na Central de Flagrantes. Na oportunidade, o representante da Ordem dos Advogados do Brasil afirmou que a atuação dos militares foi excessiva.
Isso porque, reforça Moraes, o guardador de carros estava desarmado e foi abordado, "de forma desproporcional", por quatro policiais. Ele não descarta a possibilidade de apresentar uma representação, contra os militares, junto à Corregedoria da PM.
