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Febre amarela: 'fake news' confundem profissionais da saúde

Informações desencontradas estão gerando contraindicação desnecessária do imunizante

Algumas pessoas que deveriam ser vacinadas contra a febre amarela estão voltando para a casa sem a vacina, avaliam especialistas. Diabéticos, por exemplo, e pacientes com HIV em tratamento acabam ficando sem o imunizante quando não estão em risco aumentado para o desenvolvimento de reações adversas.

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De modo geral, a vacina da febre amarela é indicada para todos entre seis meses e 59 anos de idade, mas as excessões à vacina não são simples de serem estabelecidas e podem confundir profissionais. Soma-se a isso o fato de que notícias falsas também atingem profissionais de saúde, que acabam ficando ainda mais confusos sobre as indicações.

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Para evitar essas e outras confusões, cinco entidades decidiram lançar um roteiro didático nesta sexta-feira (6) para que profissionais se informem sobre as contraindicações da vacina.

Por exemplo, pacientes que fizeram quimioterapia podem tomar a vacina se já faz três meses do tratamento. Mulheres que estão amamentando também podem ser vacinadas se a criança tem mais de seis meses. Há muitos outros detalhes que podem ser controversos (ver abaixo).

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"Foi uma adaptação de informações que já existem. A gente percebeu que muitas delas não estão chegando aos profissionais de forma fácil e tem muita gente confusa", diz Isabela Ballalai, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações.

"O objetivo é evitar a má-informação que está sendo circulando. Muito do que corre na 'boca do povo' não está adequado", diz Marta Heloísa Lopes, professora de doenças infecciosas da Faculdade de Medicina USP, que ajudou na elaboração do roteiro.

Participaram da redação do roteiro a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT), a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Na avaliação de Isabela Ballalai, a profusão de notíciais falsas também está abalando profissionais de saúde, com um círculo de contraindicações da vacina sem necessidade.

"As fakenews sobre reações também afetam profissionais de saúde, que acabam sendo conservadores com situações desnecessárias", diz a especialista.

O roteiro inclui perguntas e respostas e orientações sobre quais medidas tomar em cada situação. A maior parte do texto detalha condições em pessoas com problemas de imunidade. Esses pacientes podem desenvolver reações, já que a vacina da febre amarela contém um vírus vivo, embora mais fraco.

"As contraindicações existem para qualquer medicamento. Também há recomendações parecidas para outras vacinas que trabalham com vírus vivo, como a do sarampo, por exemplo", diz Ballalai.

Marta Heloísa, da USP, também indica que não são todos as pessoas com problemas de imunidade que não devem tomar a vacina. Ela aponta que, na dúvida, profissionais de saúde encaminhem pacientes para os CRIS (Centro de Referência em Imunobiológicos) para que recebam atendimento adequado e mais especializado para cada condição.

"Algumas dessas pessoas não podem receber a dose fracionada. Também não são todos os idosos que não podem tomar a vacina. Se esse idoso está saudável, não tem motivo", avalia a infectologista.

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