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Família denuncia desaparecimento de jovem após suposta abordagem do BPTran

Humberto Tiago de Araújo Neto, de 23 anos, sumiu na última quinta; familiares alegam que ele teria sido levado em carro de batalhão e torturado

A família de um jovem de 23 anos procurou a imprensa na manhã desta segunda-feira (5) para denunciar o desaparecimento dele. Eles alegam que Humberto Tiago de Araújo Neto, sumido desde a última quinta (1º), teria sido levado do bairro do Trapiche por policiais do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran).

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Uma sobrinha dele contou àGazetaweb que outro rapaz foi levado com ele e um carro do BPTran teria acompanhado toda a ação. "Passou um Gol prata com quatro homens encapuzados, dizendo que eram policiais, e pegaram ele e outro menino. Com alguns minutos chegou o Bptran para dar apoio, colocaram o menino no carro e eles foram levados".

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De acordo com ela, os jovens foram abordados por volta de 18h da quinta. A viatura estaria com todas as identificações do batalhão, ao contrário do outro automóvel, que não era plotado. "Minha tia quem viu tudo. Ela disse que o carro do Bptran era uma viatura mesmo, com o nome do batalhão. O Gol prata era todo liso", aponta.

O rapaz apareceu na tarde de domingo (4), por volta de meio-dia. A sobrinha de Humberto afirma que ele ligou para a mulher de Humberto para contar o ocorrido. Segundo ele, que não foi identificado, os dois teriam sido levados para o Pontal da Barra e torturados, inclusive com o uso de choques.

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"Ele disse que passaram pelo Bope e encheram dois botijões de água. Depois pararam por trás da Braskem e começaram a ser torturados; eles desmaiavam de 'pisa' e acordavam com choque. Depois os policiais deram um tiro e meu tio ficou pedindo pra não fazerem nada com ele porque tem uma filha. Esse menino contou que depois deram mais dois tiros e ele não escutou mais nada", relata a sobrinha.

O jovem teria contado ainda que acordou dentro da mala da viatura do BPTran no Brejal. Vigiado por homens armados, ele teria fugido, pego um mototáxi e ido para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Trapiche, onde teria ficado internado. Ele mostrou à família de Humberto o local para onde a dupla teria sido levada.

"Minha tia e a mulher do meu tio foram até lá e acharam a camisa dele", ressalta a jovem. "Não temos mais nenhuma informação de onde ele possa estar. Continuamos nas buscas, fomos nas delegacias e nada até agora. Minha tia saiu desde cedo para ir falar com o secretário de Segurança Pública".

Os familiares já registraram um Boletim de Ocorrência na sexta-feira (2), no Complexo de Delegacias Especializadas (Code), no bairro da Mangabeiras. A sobrinha aponta, porém, que as autoridades não se dispuseram a realizar buscas. "A polícia só disse que a gente protestasse para chamar a imprensa e aguardasse. Mas ninguém se disponibilizou para procurar meu tio".

Segundo ela, Humberto era usuário de maconha, mas não tinha envolvimento em outros crimes. Ele foi preso há cerca de quatro anos pelo roubo de uma moto, mas atualmente trabalhava com entrega de água. "Vamos continuar as buscas e confiar em Deus para ver o que acontece", acrescenta.

Procurada pela Gazetaweb, a assessoria de comunicação da Polícia Militar informou que o comandante do BPTran, major Felipe Lins, esteve reunido com a família nesta segunda para ouvir os fatos. A abordagem, porém, não aparece nos relatórios do batalhão e também não foi confirmada pelas guarnições.

Os familiares foram orientados a procurar novamente a delegacia e também a Corregedoria da PM para a abertura de um procedimento administrativo para apuração, com base nas provas apresentadas por eles, da ocorrência.

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