Uso excessivo de smartphones e tablets prejudica interação familiar
Atenção dos pais é tida como importante arma contra traumas psicológicos, cobranças, carências e conteúdos impróprios
Ser pai e mãe em um contexto social que estimula o trabalho para garantir qualidade de vida na família pode repercutir em problemas na infância que aparecerão na vida adulta. A afirmação é da psicóloga do Hospital Geral do Estado (HGE) Mayra Regina, baseada em relatos verídicos de cotidianos cansativos, que exigem mais das creches e escolas, porém enfraquece a interação familiar.
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"É o pai que trabalha os dois períodos do dia e a noite, pelo cansaço físico, não consegue se concentrar para ajudar na lição; ter paciência e força para brincar. É a mãe que quando chega do trabalho ainda precisa cuidar da comida, da roupa, da limpeza da casa; por tudo em ordem para começar no outro dia tudo de novo. O resultado disso são pais e filhos cada vez mais imersos em smartphones e tablets, algumas vezes até estimulados pelos próprios pais", diz a psicóloga.
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Apesar de o HGE ter foco na urgência e emergência, dia e noite, a profissional afirma que não é difícil encontrar uma criança internada com problemas de relacionamento com os pais. "Geralmente apresentam sintomas de isolamento, introspecção, difícil receptividade, manhas, choro em excesso, comportamentos que visam chamar a atenção", pontuou. "Posturas que interferem na recuperação da saúde", reforçou.
Entretanto, a assistente de eventos Francine Barros, mãe de uma menina de três anos e madrasta de um menino de 7 anos, afirma que há alternativas para unir a família e defende que não é legal retirar os smartphones e tablets por completo da vida das crianças. "São aparelhos que fazem parte do hoje e do amanhã, então não vejo como sadio retirá-los dessa realidade. O correto mesmo é educá-los, por limites, mostrar que o celular é bom, mas tem muitas outras coisas boas para fazer sem ele", justifica.


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Por ainda não residir com o pai de sua filha, Francine sugere que a criatividade tem sido uma importante ponte contra os abismos comunicacionais. "Sair de casa no fim de semana, ou ficar em casa com uma programação diferente. Vai de cada família encontrar o melhor verbo, como: brincar, cantar e dançar. Nós costumamos brincar de massinha, dominó, pega-pega, esconde-esconde e inseri-los no convívio com outras crianças. Isso nos tira da rotina, diverte, aproxima e afasta do mundo virtual. E quando estamos todos cansados, de repente postamos tudo o que fizemos ou acessamos conteúdos juntos".
A psicóloga ressalta que os pais precisam sempre buscar superar as barreiras e destaca a importância de continuamente observar seus filhos: comportamentos, reações, atitudes, verbalizações e choros. "Assim nos prevenimos contra futuros traumas, cobranças e carências que podem causar distanciamento na relação familiar, além de combater os riscos educacionais que a Internet pode causar", concluiu.
