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Promotor diz que vai buscar explicações após descaso no Cemitério de São José

IML e Município serão procurados para falar sobre cenário de lixo a céu aberto, covas rasas e mortalhas

Após aGazetawebnoticiar, mais uma vez, a situação degradante no Cemitério de São José, no Trapiche da Barra, o promotor do núcleo de Urbanismo do Ministério Público Estadual (MPE), Antônio Sodré, disse que vai buscar informações sobre a situação perante a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Sustentável (Semds) e o Instituto Médico Legal (IML). Nessa terça-feira (21), a reportagem se deparou com uma grande quantidade de lixo, covas rasas, mortalhas e restos de um caixão.

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Por telefone, o promotor conversou com aGazeta de Alagoas, na manhã desta quarta (22), alegando não ter tomado conhecimento do cenário calamitoso no maior cemitério público da capital. Sodré lembrou que a promotoria já havia firmado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Município, a fim de que várias providências fossem tomadas.

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"Fizemos um TAC para que essa situação não acontecesse. Desta vez, não estava sabendo e, para isso, preciso me inteirar com o secretário Gustavo Acioli e o diretor do IML, Fernando Marcelo. Portanto, não posso comentar nada a respeito", frisou o promotor.

Sodré, no entanto, falou sobre uma possível atuação dos coveiros que lá trabalham, visando "chamar a atenção do poder público". "Não sei se é o caso, mas digo que todas as vezes que os coveiros querem algum benefício, eles colocam os cadáveres mais ou menos nessa situação", denunciou, referindo-se às cenas de descaso ao lado de túmulos.

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Por sua vez, quando questionado acerca da construção de um novo cemitério, a fim de minimizar os transtornos da demanda de sepultamentos, Antônio ressaltou que há uma proposta de se ter um crematório na capital, o que seria "mais higiênico". "Também é importante que todos percebam que os espaços no cemitério são públicos, e não, privados. Após algum tempo, os ossos têm que ser retirados e colocados no ossário".

Já na avaliação do diretor do Departamento de Cemitérios de Maceió, Rogério Barros, a situação exposta em rede social assemelha-se mais a um ato de vandalismo. "O São José é um cemitério centenário e muito grande. Aquele osso em cima de cova rasa, que ainda era nova porque estava alta, é muito estranho. Na minha opinião, aquilo foi vandalismo", explica o diretor.

Rogério Barros disse, ainda, que o lixo espalhado está sendo retirado e as vistorias diárias no Cemitério São José - que atende a maior demanda de sepultamentos de Maceió - serão reforçadas pelas equipes. "Foi um caso pontual e estamos tomando as providências para que isso não aconteça mais", afirma.

DESCASO

A situação de abandono logo ganhou as redes sociais, com familiares de pessoas sepultadas naquele espaço relatando o "desrespeito para com os mortos".

No local, a reportagem encontrou ossadas espalhadas pela calçada e catacumbas, constando, ainda, que parte do lixo havia sido amontoado nos fundos do cemitério para o posterior recolhimento.

Responsável pela administração dos cemitérios públicos, a Secretaria de Desenvolvimento informou, por meio de nota, que a coleta dos resíduos no cemitério deveria ser realizada até hoje.

Segundo a pasta, o armazenamento do lixo no local tem como finalidade viabilizar o seu recolhimento, serviço que acontece periodicamente. Ainda segundo a Semds, o resíduo é especial e, conforme classificação, recebe o descarte adequado, seguindo para uma célula específica do Aterro Sanitário de Maceió.

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