Há um mês, aluno atirou contra colegas em escola de Goiânia
Família de uma das vítimas estuda entrar com um processo na Justiça
Passado um mês da tragédia no Colégio Goyases, em Goiânia, onde um aluno atirou contra colegas ferindo quatro e matando dois, a família de uma das vítimas estuda entrar com um processo na Justiça. Segundo o advogado André Bueno, que representa os pais de João Pedro Calembo, 13, eles aguardam a conclusão do inquérito policial para decidir que decisão tomarão em relação ao caso.
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"Estamos estudando. Se houve indícios de responsabilidade a ser atribuída a alguém, aí eles [pais] irão decidir no futuro se irão ou não abrir um processo", pontua.
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Além de João Pedro, João Vitor Gomes, também de 13 anos, morreu. Outros quatro estudantes foram baleados, receberam atendimento em hospitais e já receberam alta. Uma delas, Isadora de Moraes, de 14 anos, ficou paraplégica.
Bueno revelou que consta no inquérito um documento que comprova que o atirador - apreendido desde o crime - precisava de "atenção" especial. Ele afirma, no entanto, que não pode falar sobre a prova porque a investigação corre em segredo de Justiça. Por isso, a tragédia poderia ter sido evitada.


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"Não foi uma fatalidade. É um fato totalmente previsível e que poderia ter sido evitado", afirma.
A TV Anhanguera entrou em contato com a escola e com a advogada da família do atirador, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.
A Polícia Civil disse que aguarda os laudos técnicos para concluir o inquérito.

'Pior mês'
A mãe de João Pedro, Bárbara Melo, disse que ainda não consegue retomar a rotina depois do que aconteceu. "É muito difícil e triste. Um clima de muita saudade. É o pior mês da minha vida", lamenta.
Ela destaca ainda que a família não planeja nada a longo prazo e procura viver um dia de cada vez. Outro problema é a forma como os irmãos mais novos de João Pedro estão lidando com a situação.
"A rotina deles foi prejudicada. Eles não reagiram bem ao que aconteceu, pois se espelhavam muito no irmão. Está muito complicado", afirma.

Tiros
Um estudante de 14 anos, do 8º ano, filho de policiais militares, levou a pistola .40 da mãe para a escola. No intervalo entre duas aulas, ele sacou a arma e atirou contra os colegas. A coordenadora da unidade, Simone Maulaz Elteto, foi quem convenceu o aluno a travar a arma e se entregar.
O coronel da Polícia Militar Anésio Barbosa da Cruz informou que o autor dos disparos era alvo de chacotas de colegas. "Ele estaria sofrendo bullying, se revoltou contra isso, pegou a arma em casa e efetuou os disparos", disse.
Um aluno de 15 anos, que estava na sala no momento do tiroteio, também contou que o adolescente era vítima de piadas maldosas."Ele sofria bullying, o pessoal chamava ele de fedorento, que não usa desodorante", contou.
Investigação
O menor estava apreendido na Delegacia de Polícia de Apuração de Atos Infracionais (Depai), mas foi transferido no último dia 23 para um centro para cumprir internação provisória de 45 dias determinada pela Justiça. Na sexta-feira (27), o menor participou da primeira audiência do caso, e afirmou que está arrependido do que fez. Ele e os pais foram ouvidos por uma juiza.
O pai do menino já havia prestou depoimento na Depai na manhã da última segunda-feira. "Ele [pai] estava sereno, tranquilo, mas muito abalado com o que aconteceu. Ninguém sabia que ele [filho] sofria bullying, foi uma surpresa para todos", disse o escrivão Marcos Paulo Passos, que colheu o depoimento.
O delegado remeteu o auto de investigação à Justiça horas após a tragédia no Colégio Goyases. Porém, ainda não concluiu a apuração. "Vamos ainda ouvir todos da escola e familiares para encaminhar todo o material ao Judiciário via peças complementares", disse o titular da Depai, delegado Luiz Gonzaga Júnior.
