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Partido governista do Zimbábue avisa Mugabe que pedirá seu impeachment

General envolvido na intervenção em Harare disse que chegou a um 'roteiro' com Mugabe. Vice deposto estaria voltando ao país a qualquer momento

O partido governista do Zimbábue, ZANU-PF, notificou oficialmente o presidente Robert Mugabe sobre sua remoção da presidência do partido e irá na terça-feira (21) apresentar uma proposta de impeachment contra ele, após o prazo para sua renúncia expirar, disse o porta-voz Simon Moyo, segundo a agência Reuters.

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No domingo, o ZANU-PF removeu Mugabe, que liderou o partido desde 1977 e esteve no poder por 37 anos. A legenda também demitiu a esposa de Mugabe, Grace, marcando uma dramática semana após as Forças Armadas assumirem o poder na quarta-feira.

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Paralelamente, o general que estaria por trás da insurgência em Harare, Constantino Chiwenga, delcarou que chegou a um "roteiro" com Mugabe e que Emmerson Mnangagwa, o vice-presidente destituído por Mugabe, está para voltar ao país.

Mugabe, por sua vez, aparentemente ignorava nesta segunda-feira o ultimato para encerrar seu mandato.

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Depois de expulsá-lo de seu conselho diretivo, o seu partido, Zanu-PF, lançou um ultimato até às 12H00 (hora local) para que renunciasse e avisou que lançará um processo no parlamento para removê-lo da presidência. Mas não houve sinais de movimento de Mugabe.

Em um discurso televisionado no domingo à noite, o chefe de Estado mais velho do planeta, com 93 anos, novamente ignorou as ameaças e se recusou - ao contrário das expectativas - a renunciar.

Rodeado por militares que controlam o país e o impelem a deixar a presidência, Mugabe prometeu que presidirá o próximo congresso do partido no poder, apesar de ter sido expulso de direção da formação.

Além disso, insistiu que continuava a ser "comandante em chefe" do país.

Sua declaração caiu como uma bomba em um país que esperava que seu regime, abandonado por todos os aliados, caísse. "Estamos num mar de confusão", resumiu o analista Piers Pigou, do International Crisis Group (ICG).

'Em outro planeta'

"Estamos decepcionados com o discurso de Mugabe de ontem à noite. Parece que vive em outro planeta", disse Charles Muramba, um motorista de táxi de 46 anos.

"Mas o movimento é irreversível, ele acabará caindo, seja em dias ou semanas", acrescentou.

No sábado, sob o olhar indulgente do Exército, houve manifestações para exigir a renúncia de quem era um herói da luta pela independência e que acabou por se tornar um déspota.

"Que Mugabe se retire para livrar o país de mais problemas. Se não, vamos convocar o povo do Zimbábue para ocupar novamente as ruas", disse o influente líder dos veteranos de guerra, Chris Mutsvangwa, nesta segunda-feira, à imprensa.

Ainda nesta segunda, centenas de estudantes protestaram no campus da universidade da capital, Harare, onde as provas foram adiadas.

Intervenção


				Partido governista do Zimbábue avisa Mugabe que pedirá seu impeachment
FOTO: AP Photo

A destituição de Mnangagwa - chamado de "o crocodilo" por seu caráter implacável - fez da primeira-dama Grace Mugabe a favorita para a sucessão do marido, uma hipótese inaceitável para o Estado-Maior do exército.

Desde a intervenção militar, Robert Mugabe vem perdendo o apoio em que seu regime autoritário se baseou desde a independência do Zimbábue em 1980.

O partido no poder de Zanu-PF anunciou no domingo que Chris Mutsvangwa será seu candidato na eleição presidencial de 2018, advertindo que iria lançar um processo de destituição contra Mugabe caso ele não se demita.

De acordo com a Constituição do país, o impeachment deve ser votado por dois terços das duas casas. O Parlamento se reúne na terça-feira.

Desde sua intervenção, o exército tenta negociar de forma amigável a partida do presidente Mugabe e preservar sua aura de herói da guerra da independência.

A crise política no país suscita grandes preocupação na região.

Na terça-feira, os líderes dos países membros da Comunidade de Desenvolvimento Econômico da África Austral (SADC), incluindo o presidente sul-africano Jacob Zuma e o angolano João Lourenço, vão se reunir em Luanda para discutir a crise no Zimbábue.

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