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Ex-pilotos divergem sobre proposta de novo motor para a F1 a partir de 2021

Tricampeão Jackie Stewart não acredita em saída da Ferrari, enquanto Jacques Villeneuve critica duramente os rumos da categoria

Nas últimas semanas emergiu um novo debate sobre o regulamento técnico da Fórmula 1. Para cortar custos e simplificar o tipo de motores, o Liberty Media, novo grupo controlador da categoria, apresentou proposta de um novo modelo de unidade de potência para valer a partir de 2021. A intenção é abolir o sistema de recuperação de gases do motor (MGU-H), deixando apenas o recuperador de energia cinética (MGU-K), além de retirar uma das duas turbinas, deixando assim os motores menos complexos.

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As atuais fornecedoras de motores, Mercedes, Renault e Ferrari são contra mudanças radicais, por temerem um efeito contrário, ou seja, mais escalada de custos pelo investimento em busca dos melhores resultados e um reinvestimento partindo do zero. A Ferrari, numa tática usada em outras ocasiões de mudança de regras na história da Fórmula 1, até ameaçou deixar a categoria. O GloboEsporte.com ouviu ex-pilotos em Interlagos para comentar a polêmica.

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- Isso é desculpa, porque com o fim do congelamento do desenvolvimento de motores, os fabricantes fazem um motor diferente a cada temporada e gastam muito de qualquer forma. A proposta da Liberty Media não mudaria tanto as coisas, só ficaria menos complexo - explicou o comentarista Luciano Burti, que correu na Fórmula 1 em 2000 e 2001.

O tricampeão Jackie Stewart não acredita que a Ferrari cumpra a ameaça de abandonar a F1:

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- Eles não querem mudar os atuais rumos. Na verdade, a Ferrari precisa mais da Fórmula 1 do que a Fórmula 1 precisa da Ferrari. No mercado de carros esportivos, a Ferrari tem concorrentes como Lamborghini, Porsche, então a Fórmula 1 é muito importante para eles.

Por outro lado, montadoras que hoje não estão na Fórmula 1 podem se candidatar a entrar, motivadas por um novo tipo de tecnologia, menos complexa e, principalmente, mais barata do que atualmente.

Divergências à parte entre as montadoras, a opinião geral no paddock de Interlagos é que o atual regulamento de motores não agrada devido à complexidade de sistemas e ainda por cima as punições a pilotos por trocas de componentes dos motores.

O campeão mundial de 1997, Jacques Villeneuve sempre se notabilizou pelas posições fortes. E, quando perguntado sobre os atuais carros , o hoje comentarista de uma TV italiana não teve papas na língua.

- Esse regulamento de motores com recuperação de energia é um erro, é um sistema caro e complicado. Ainda há outros problemas como o dispositivo da asa móvel, isso não é corrida. Ultrapassagem tem de ser na curva, mas hoje é feita na reta por causa do DRS. Corrida de verdade é Senna contra Prost disputando freada no limite, é isso que queremos ver - apontou o canadense.

As atuais regras de motores continuam pelo menos até 2020, quando termina o atual Pacto de Concórdia, o acordo vigente entre as equipes e os promotores da Fórmula 1. Qualquer mudança também precisa ser aprovada pelo Conselho Mundial da Federação Internacional de Automobilismo (FIA).

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