De gandula a campeão brasileiro, Didira celebra boa fase: "Sem explicação"
Meio-campista analisa trajetória no CSA, celebra primeira grande conquista da carreira e recorda, sem mágoa, início em Arapiraca, onde foi ídolo
O título da Série C conquistado pelo CSA no último sábado (21), no Estádio Rei Pelé, teve um sabor especial para o meio-campista Didira. Alagoano, o jogador logo caiu nos braços da torcida azulina. Com ela, Cícero dos Santos Bezerra, 29 anos, ainda comemora a primeira grande conquista de sua carreira. No CT Gustavo Paiva, no Mutange, a reportagem daGazetaweb bateu um papo com o camisa 19 do Azulão, que falou sobre a sensação de levantar a taça após altos e baixos no futebol, recordando, inclusive, o início em Arapiraca.
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"Ser campeão brasileiro pelo CSA é uma coisa que não tem explicação, principalmente porque o título nacional veio depois de a bola bater na trave tantas vezes. Além disso, conseguir dar alegria a esta maravilhosa torcida azulina é algo fantástico", afirmou.
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Revelação do ASA, o meia começou sua história no futebol profissional como gandula, em meados de 2006, quando já atuava nas categorias de base do Fantasma. Dois anos depois, o jogador foi um dos destaques na campanha que levou o Gigante ao vice-campeonato estadual, deixando escapar a taça justamente para o CSA, em Maceió.

Ao recordar aquele tempo, Didira conta, emocionado, que muitos duvidaram que ele conseguiria chegar aonde chegou.


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"Eu era da base [do ASA] e trabalhava de gandula no time profissional, sempre sonhando em um dia estar ali no time principal. Apesar de nunca ter baixado a minha cabeça, para a maioria das pessoas, que falavam que eu jamais conseguiria virar jogador profissional, foi um momento difícil na minha vida. Mas, graças a Deus, tive força para superar as dificuldades, sempre acreditando no meu potencial. Hoje, posso dizer que construí uma carreira sensacional. Não tenho do que reclamar", afirmou.
Conhecido por ser um jogador de muita raça, Didira virou ídolo do torcedor alvinegro, defendendo o ASA durante oito anos. Em Arapiraca, o meia sagrou-se duas vezes campeão alagoano [2009 e 2011], foi vice da Copa do Nordeste em 2013, além de ter sido peça fundamental no acesso do Fantasma para a Série B do Campeonato Brasileiro, em 2009.
E foi justamente o grande desempenho no time da cidade de Arapiraca que fez com que, no final de 2015, a direção do CSA apostasse no meia para o projeto que tinha como objetivo reerguer o clube, apresentando-o como o principal reforço para a temporada de 2016.

No Azulão, Didira foi um dos responsáveis por levar uma multidão de azulinos ao CT Gustavo Paiva, na manhã do dia 28 de novembro de 2015, quando a torcida conheceu o elenco que garantiria calendário ao clube marujo no ano seguinte. E após duas temporadas, o meia já acumula três vice-campeonatos - dois do Alagoano e um da Série D - e o recente título da Terceirona.
Orgulhoso em ter feito parte do grupo que mudou a cara do CSA em apenas dois anos, Didira recordou o momento em que chegara ao time do Mutange.
"Quando cheguei no CSA, o clube só tinha o campeonato estadual a disputar. Cabia a nós jogadores batalhar para conseguir as vagas na Copa do Brasil, Copa do Nordeste e, principalmente, na Série D. Mas, graças a Deus, o grupo, junto com a diretoria, conseguiu os objetivos, garantindo o acesso para a Série C. Agora, veio a classificação para a B, além do título, o que foi simplesmente fantástico", analisou.

Apesar de ter defendido o CSA em 15 jogos nesta Série C - tendo marcado seu único gol diante do Remo, pela 14ª rodada, no Rei Pelé - o jogador de 29 anos passou grande parte da competição no banco de reservas. Entretanto, o meia diz não ter se incomodado com a situação.
"Ah, isso é normal. O importante é que eu sempre procurei fazer o meu melhor, treinando forte e esperando uma oportunidade de ajudar a equipe. Além disso, durante as partidas, eu sempre vinha entrando e tendo boas atuações. Mas, independentemente de começar jogando ou não, o importante foi a gente ter conquistado o acesso e o título", avaliou.
Questionado sobre o momento turbulento que resultou na demissão do técnico Ney da Matta - quando o CSA ainda lutava pelo acesso - Didira afirmou que a união do grupo foi o grande diferencial. "Foi uma situação complicada, mas acredito que nós fomos inteligentes. Soubemos lidar com aquela crise, sempre buscando o melhor para o CSA. Fechamos o grupo e, quando o Flávio [Araújo, novo treinador] chegou, abraçamos ele de uma forma incrível. Graças a Deus, deu tudo certo", destacou Didira.
O jogador também falou sobre o processo de identificação com o torcedor marujo. "Eu e minha família estamos muitos felizes aqui em Maceió. É uma cidade que me abraçou. Tenho um carinho imenso pela torcida azulina, e sei do carinho que eles sentem por mim", confidenciou Didira, que diz estar confiante na renovação com o CSA, a fim de que possa mais uma vez disputar uma Série B de Brasileiro.
E à Gazetaweb, Didira também não escondeu que o título estadual está entre os principais objetivos para 2018. "Se eu renovar com o CSA, pode ter certeza que vou buscar o título do estadual. Além de ser um objetivo da diretoria e do torcedor, é um objetivo meu ser campeão alagoano pelo CSA. A gente já bateu na trave duas vezes [2016 e 2017] e, em 2018, com o grupo que será montado, pode ter certeza de que a história será diferente", assegurou.
Após o bate-papo com a Gazetaweb, na sala de imprensa do Mutange, Didira deixou seu recado para o torcedor azulino. Confira abaixo:
