Pai de sertanejo usava empresa de produções artísticas para lavar dinheiro
Cantor Rafael, da dupla sertaneja Fábio e Rafael, foi preso em Londrina nesta quarta-feira
O pai do cantor sertanejo Rafael Francisco Frare de Siqueira, de 25 anos, da dupla Fábio e Rafael, usava uma empresa de produções artísticas da qual é sócio para lavar dinheiro arrecadado com falsificação de cigarros, segundo o delegado Renato Figueroa.
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A empresa, que fica em Londrina, no norte do Paraná, ainda conforme o delegado, agenciava a carreira dos cantores.
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"Nós apuramos, em um ano de investigações, que a empresa não se sustentava só com os shows da dupla sertaneja. O dinheiro que abastece a empresa foi arrecadado por meio dos cigarros falsificados", acrescentou.
Rafael e o pai, Clodoaldo José de Siqueira, foram presos na manhã desta quarta-feira (20), pela Polícia Civil, em uma operação contra falsificação de cigarros. Além deles, mais 11 pessoas foram detidas. Até a publicação desta reportagem, a polícia ainda procurava três foragidos.


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Rafael foi preso em um condomínio de luxo em Londrina.
"Clodoaldo, ex-morador de Londrina, é o líder de uma grande organização criminosa que funciona da seguinte forma: eles possuem gráficas em São Paulo, onde são confeccionados papeis e plásticos usados para montagem dos maços de cigarros. Em Minas Gerais, eles montaram duas fábricas clandestinas, onde falsificam cigarros paraguaios, na grande maioria, e distribuem, posteriormente, para todo país", explicou.
Uma das fábricas tinha capacidade para produzir até 100 mil maços de cigarro por ano. Segundo a Receita Federal, a sonegação de impostos chega a R$ 90 milhões.
Ainda de acordo com o delegado, a lavagem do dinheiro arrecadado na falsificação dos cigarros era toda feita em Londrina, cidade sede da empresa de produções artísticas.
Durante as investigações, não houve indícios da participação de Fábio, o outro cantor da dupla sertaneja, no esquema criminoso, segundo Figueroa.
O advogado Fernando Buono, que representa Rafael, disse que não vai se manifestar até ter acesso aos autos. O G1 tenta contato com o advogado de Clodoaldo.
A Justiça determinou, ainda, o bloqueio de seis contas bancárias.
"Somente hoje, foram bloqueados, em termos de patrimônio, R$ 10 milhões da quadrilha. Mas, agora, com a coleta de mais provas nos mandados de buscas, nós vamos descobrir outros imóveis e outras contas bancárias usadas para que, futuramente, peçamos o bloqueio de tudo", explica o delegado.
Entre os locais onde estão sendo cumpridos os mandados de busca e apreensão, estão duas fábricas de cigarro, gráficas, residência dos investigados e uma empresa utilizada para lavagem de dinheiro.
"As fábricas em Minas Gerais ficam no meio do mato, em local inacessível, onde não pega celular. Mais tarde, teremos mais informações. Mas já apreendemos todo o maquinário para fabricação de cigarros. Em uma das fábricas, prendemos 10 cidadãos paraguaios", conta.
As investigações continuam. "Agora, vamos analisar todo o material apreendido. O objetivo é revelar outros imóveis e outras contas bancárias usadas pela quadrilha", reforça o delegado.
