Aumento da expectativa de vida faz crescer o número de diagnósticos do Alzheimer
Doença neuro-degenerativa atinge principalmente pessoas com mais de 60 anos
Não se sabe ao certo a origem do problema e a cura ainda não foi encontrada. Alguns estudos apontam que determinados estilos de vida são fatores de risco. Mas, desde o século passado, a doença vem ganhando mais destaque, quando passou a existir uma maior preocupação com o cérebro.
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O aumento do número de diagnósticos de demência da Doença de Alzheimer deve-se, principalmente, à atual realidade de longevidade. Hoje a expectativa de vida dos brasileiros já ultrapassa os 70 anos. E, embora possa ocorrer em vítimas com menos de 60 anos, a Doença de Alzheimer é mais comum depois dessa idade. Segundo a Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz), estima-se que existam no mundo cerca de 35,6 milhões de pessoas com a Doença de Alzheimer. No Brasil, há cerca de 1,2 milhão de casos, a maior parte deles ainda sem diagnóstico.
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Estudos apontam que hipertensão e diabetes não controladas, obesidade, tabagismo, depressão e sedentarismo são fatores de risco para o desenvolvimento de demência da Doença de Alzheimer. Pesquisadores indicam que se esses hábitos forem controlados podem retardar o aparecimento da doença.
Cansaço mental, problemas leves para executar tarefas diárias, perda de memória recente, desorientação no espaço, falta de iniciativa e motivação. Os sintomas iniciais, quando percebidos em pessoas com mais de 60 anos, podem ser confundidos com os problemas naturais que surgem com a idade. No entanto, é necessário ficar atento.


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A Doença de Alzheimer, também chamada de demência, é uma doença neuro-degenerativa que afeta principalmente a memória. Provoca perda das funções intelectuais, afetando a capacidade do doente de se relacionar com outras pessoas e interferindo nas atividades diárias. A pessoa fica cada vez mais dependente de terceiros.
Quando acontece o diagnóstico
A partir do diagnóstico, cuidar de uma pessoa com a doença é um verdadeiro desafio. A Doença de Alzheimer não atinge apenas o paciente. Ela envolve todos os que estão próximos. As mudanças são significativas e precisam ser incorporadas por todos da família. É necessário adequar ambientes, reorganizar a vida cotidiana, distribuir tarefas e oferecer suporte para o paciente.
Eletrodomésticos, utensílios de cozinha, objetos cortantes, remédios e até mesmo alimentos, podem se constituir perigosos. É conveniente que todas as atividades desenvolvidas pelo paciente sejam supervisionadas. Ele não deve ser deixado sozinho ou sair sem um acompanhante. Estar próximo ao paciente permiti identificar as reais necessidades e elaborar estratégias funcionais e eficientes auxiliando os familiares e garantindo qualidade de vida e de relacionamento com o paciente.
Transformações na rotina de uma família
Ana Cristina lida com a Doença de Alzheimer há cerca de um ano. Jandyra Lima, sua mãe, hoje com 82 anos, foi diagnosticada depois que sumiu ao sair para passear.
"Ela sempre foi uma mulher muito ativa. Comecei a notar sinais de esquecimento, mas considerava normal por causa da idade. Mas um dia ela saiu para passear e só voltou horas depois contando que não conseguiu voltar antes, pois não lembrava onde morava. Decidi procurar um geriatra para saber o que estava acontecendo", relata.
Ana conta que vários exames foram realizados. Testes de memória e exames laboratoriais. Após o diagnóstico, a geriatra aconselhou que a família não revelasse que sua mãe está com a Doença de Alzheimer.
A médica pediu para que não contássemos a ela, pois pelo perfil da minha mãe, o risco de desenvolver um quadro depressivo é muito grande", explica Ana.
Desde então, a família vive um processo de aflição, incompreensão e até mesmo brigas. "Ela não sabe da doença e, como sempre foi muito independente, quer fazer tudo sozinha. Não aceita ajuda de ninguém. Para a família é muito difícil elaborar estratégias para lidar com ela 24 horas", lamenta Ana.

