Grafite: Artistas alagoanos colorem os muros de Maceió
Joe Santos é um dos grande nomes da terra; arte ainda é vista como vandalismo
"Isso é uma obra de arte de valor inestimável", disse a agente de segurança Else Nadja, 32 anos, ao admirar o trabalho do grafiteiro Joe Santos, um dos novos artistas alagoanos que vai expressando suas ideias, paixões e inspiração pelos por toda a cidade. Há quem ache que se trata de vandalismo, há quem admire como uma obra de arte, mas uma coisa é certa: o grafismo vem conquistando novos espaços, novos admiradores e o respeito da sociedade.
Tudo em um só lugar.
Receba notícias da GazetaWeb no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo!

O surgimento do grafite aconteceu na década de 1970, em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Alguns jovens começaram a deixar suas marcas nas paredes da cidade e, algum tempo depois, essas marcas evoluíram com técnicas e desenhos. No Brasil, a arte foi introduzida no final desta década em São Paulo. Os brasileiros não se contentaram com o grafite norte-americano, então começaram a incrementar a arte com um toque brasileiro. O estilo do grafite brasileiro é reconhecido entre os melhores de todo o mundo.
Leia também
Em Alagoas, não há registros oficiais de quando o movimento deixou sua marca pela primeira vez, mas, certamente, todo mundo já viu e admirou um grafite legitimamente alagoano.

O grafiteiro e estudante universitário, Joe Santos, de 28 anos, é um dos artistas alagoanos mais conceituados atualmente no cenário do grafite brasileiro. Ele possui intervenções em muros, viadutos e espaços públicos, fachadas de empresas e residências em Maceió e outras cidades do Nordeste.


CRB se reapresenta e inicia preparação para duelo contra o São Bernardo - 2/6/26

Aproximação existe, mas anúncio de aliança entre JHC e Alfredo Gaspar segue pendente

Carlos critica falta de recai da direita sobre empresa do PCC em Goiás

Operação em SP investiga ONG da produtora do filme sobre Bolsonaro
"Desde moleque eu desenho, mas comecei o grafite há pouco tempo. Divido meu tempo com o trabalho e com meu irmão, que é especial, então fica muito difícil trabalhar com um parceiro ou em grupo. Assim, geralmente eu saio só para desenhar", expõe Joe Santos.
Nossos sonhos na parede, nossas ideia são limpas/ Nos muro da cidade, prega arte e liberdade/ Sempre na atividade, pega a vibe, reparte/ Daqui eu faço minha parte prego uma ideia também/ Prego o bem, faço o bem, não quero mal a ninguém [...]
A letra da música do cantor de hiphop, Chá Preto, expressa exatamente o sentimento dos grafiteiros quando estão em ação. Inclusive Joe, que diz que o grafite lhe proporciona uma sensação de liberdade e que quando está pintando ele se sente feliz. "Naquele instante em que estou pintando, me sinto feliz e isso tudo é transferido para as minhas artes", contou.
Sobre os registros que ganham paredes em ruas de Maceió, o grafiteiro Joe Santos, que também já passou pelas técnicas de desenhos mais tradicionais, conta que a inspiração para os grafites surgem das coisas do cotidiano.
Ele desenvolveu um estilo próprio de desenho, que transformou-se em sua marca registrada. Com cores fortes, traços expressivos e com uso da técnica do "fine line", ele desenha paisagens, animais, temas de filmes, artistas e até caricaturas de amigos. Os materiais utilizados pelos grafiteiros vão desde tradicionais latas de spray até o látex.
"Não tenho um tema definido ou um desenho que gosto de fazer. Com exceção de trabalhos contratados com temas já definidor, eu gosto muito de usar minha criatividade e ir desenhando", relatou.
[VIDEO2]
Apesar de o Brasil ser um dos países referência na pichação e no grafite, essa realidade está bem distante de Maceió. Para os artistas, isso se deve à falta de incentivo ao artista e ao mercado limitado para arte no Estado. Joe reclama que em Alagoas o incentivo à arte está muito aquém dos demais estados.
"Ainda estamos longe de ter uma cena forte em Alagoas. A falta de incentivo do poder público é grande e dificulta trazer eventos para cá. Recentemente realizamos pinturas em monumentos públicos, mas o incentivo poderia ser maior e melhor", reclamou.
Para o grafiteiro, não existe uma superfície específica para grafitar. Para eles, todo lugar é bom para pintar: paredes, muros, janelas, portas, telhados, no chão, na calçadas. Qualquer lugar é possível pintar.













