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Relator na CCJ da denúncia contra Temer conclui parecer

Sergio Zveiter vai apresentar posição na segunda-feira (10). Temer chegou a Brasília no início da noite

O deputado Sérgio Zveiter, relator da denúncia por corrupção passiva contra Michel Temer, já concluiu o parecer que vai apresentar na segunda-feira (10), na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ). E, depois de participar do G-20 na Alemanha, o presidente Temer já retornou ao Brasil.

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Em plena crise, o Brasil teve três presidentes em menos de quatro horas. O presidente do Senado, Eunício Oliveira, deixou a interinidade depois das duas da tarde, quando o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, aterrissou voltando da Argentina.

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O desembarque de Michel Temer, em Brasília, foi no início da noite. E Maia estava lá para devolver o cargo a Temer. Segundo o Palácio do Planalto, a volta antecipada da Alemanha já estava prevista. E o presidente chegou sabendo que as notícias não são favoráveis a ele.

A base aliada, que Temer tanto precisa para barrar a denúncia contra ele na Câmara, está estremecida. O presidente interino do PSDB, Tasso Jereissati, deu a senha para o partido desembarcar do governo, ao afirmar que Rodrigo Maia, do Democratas, tem condições de unir os partidos e garantir estabilidade ao país.

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Tasso foi ratificado pelo vice-presidente do Senado, Cássio Cunha Lima, que pede pressa na decisão. Tucanos de São Paulo reagiram. José Aníbal, presidente do Instituto Teutônio Villela, pediu cautela.

"Se o governo conseguir superar essa crise rapidamente, aí tem que se avaliar bem, pra que o governo até, a nossa decisão vai ajudar ou não, a meu ver, nessa busca de sustentação do governo. Nessa busca de recuperação das condições de governabilidade. Se ele não conseguir, aí tem que se conversar com o próprio governo e dizer olha, viemos até aqui, e daqui não dá mais para ir, temos que encontrar uma outra solução e buscar essa solução", disse.

O governador Geraldo Alckmin chamou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para discutir a crise: uma reunião de tucanos na segunda-feira (10) em São Paulo. Se o PSDB decidir sair do governo, Alckmin defende que seja depois da votação da reforma trabalhista.

"Eu já defendi lá atrás, que nós não deveríamos nem ter participado com indicação de ministros. Você pode apoiar as reformas, projetos de lei, medidas de interesse da comunidade, sem precisar necessariamente ter participação governamental. No entanto, a decisão do partido foi de participar. Acho que a gente deve completar esse ciclo de reformas. A reforma trabalhista, acho que vai aumentar o emprego no Brasil, estimular a empregabilidade, e diminuir a informalidade. E há uma expectativa que ela seja votada terça-feira (11) no Senado Federal. E aí já vai pra sanção do presidente da República", afirmou Alckmin.

E Temer não pode esperar muito nem do próprio partido, o PMDB. O presidente e o relator, na CCJ, onde está a denúncia contra ele, são peemedebistas independentes. Tem ainda a iminente delação de Eduardo Cunha, também do PMDB, que aponta contra Temer e seus ministros Eliseu Padilha, da Casa Civil, e Moreira Franco, da Secretaria-Geral. No Planalto, a expectativa é de que esses ministros estão a um passo de sofrerem denúncias. E que o relatório na CCJ será pela admissibilidade da denúncia de corrupção passiva contra Temer.

O ministro do Esporte, que é do PMDB do Rio, como o relator Sergio Zveiter, nega que esteja encarregado de convencê-lo a ficar do lado de Temer.

"Eu tenho plena confiança no seu bom senso, na sua solidez jurídica e a convicção de que ele fará um trabalho equilibrado, um trabalho dentro daquilo que a legislação manda, dentro daquilo que são os princípios do Direito", disse Picciani.

O relator confirmou que o texto está pronto e disse que não recebeu pressões.

"Tive um tratamento muito respeitoso de todos os meus colegas deputados e deputadas federais. Nenhum deles, em momento algum, ultrapassou o limite do razoável. E, fora isso, enfim, eu pude trabalhar tranquilamente. Estou bem tranquilo, bem consciente e me sinto preparado pra poder segunda-feira estar presente na CCJ e desempenhar o papel para o qual eu fui designado", afirmou Zveiter.

A projeção de votos declaradamente a favor de temer não é suficiente. Além da oposição, há muito indeciso, todos preocupados com o desgaste político de defender temer. Importantes líderes afirmam que tudo caminha para um inevitável afastamento do presidente. Se isso se confirmar, o sucessor automático é o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, do Democratas. Partido que, aliás, já é visto com desconfiança pelo Planalto. Nesse clima, Maia tenta se preservar. Tomou distância da CCJ.

O senso comum é que os próximos dias serão decisivos. O clima é de apreensão sobre qual será o impacto do relatório na comissão e no plenário da Câmara. Ministros e líderes governistas foram chamados para estar em Brasília domingo (9). Temer reassume a articulação tentando sobrevida no cargo.

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