Fifa diz que vídeo atuou em 29 lances e que nenhum "erro claro" aconteceu
Chefe dos árbitros da entidade, Busacca avalia como positivo teste na 1ª fase da Copa das Confederações e espera maior rapidez na tomada de decisões
O teste do sistema do árbitro de vídeo (VAR, do inglês "video assistent referee") foi aprovado pela Fifa na primeira fase da Copa das Confederações. Segundo o chefe do Departamento de Arbitragem da entidade, Massimo Busacca, a tecnologia atuou em 29 incidentes e nenhum "erro claro" foi validado pelos juízes durante os 12 jogos. De sete lances revisados diretamente pelo VAR, seis mudaram a decisão final do árbitro da partida (quatro por impedimento).
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Busacca usou como comparação o Mundial Sub-20, realizado recentemente na Coreia do Sul, que teve a atuação do VAR em apenas 12 lances em 52 jogos. Para o ex-árbitro suíço, o principal ponto a ser melhorado no sistema é o tempo de tomada de decisão do juiz. O caso de Wilmar Roldan, domingo, na vitória de 3 a 1 da Alemanha sobre Camarões foi citado: o árbitro chegou a dar cartões amarelo e vermelho a Siani após uma falta cometida por Mabouka e só acertou o jogador após rever duas vezes o lance no monitor ao lado do gramado, desperdiçando alguns minutos da partida.
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- Tenho que concordar, foi muito longo. Mas, no fim, o jogador correto foi expulso. Temos que melhorar no futuro, não foi bom agora, mas a honestidade do jogo estava lá, o jogador correto saiu. O mais importante é que depois de 12 jogos não teve um erro claro perdido pela arbitragem - disse Busacca.
A Copa das Confederações é o penúltimo teste da Fifa antes de tentar a aprovação da International Football Association Board (IFBA) - entidade responsável pelas regras do jogo -, em março de 2018, para que a tecnologia seja usada na Copa do Mundo. O último preparativo será o Mundial de Clubes, em dezembro, nos Emirados Árabes. Antes do início do torneio na Rússia, que conta com o brasileiro Sandro Meira como um dos oito VAR selecionados, Busacca já havia deixado claro que será impossível eliminar todos os erros do futebol, mas que a intenção do VAR é acabar com dúvidas em lances que todos no estádio percebem, menos o árbitro.


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- Não perdemos nenhum erro claro. Isso que procuramos, alguma coisa que depois lembraremos por anos. Não de algo que você viu hoje e esquece amanhã porque não era claro. Nunca seremos perfeitos. Mas vamos conseguir reduzir os erros claros. A tecnologia é um instrumento de prevenção. Os jogadores saberão que estão sendo filmados. Violência, gols de mão... A câmera vai pegar com certeza.
Como funciona o VAR
Nem todo lance polêmico pode ter o auxílio do VAR. Apenas quatro situações estão no protocolo para serem analisadas pela equipe de arbitragem que fica dentro de uma sala com os monitores:
1. Situações de gol
2. Marcação de pênaltis
3. Cartões vermelhos
4. Confusão da identidade de jogadores
A sala montada pela Fifa não dá visão ao gramado e conta com quatro pessoas: o árbitro VAR, o auxiliar VAR, um auxiliar somente para prestar atenção em impedimentos e um operador de vídeo (profissional da empresa contratada pela Fifa).
O sistema começou a ser testado pela Fifa em setembro de 2016, com partidas na sede da entidade. Em dezembro do mesmo ano, o mecanismo foi levado ao Japão para o Mundial de Clubes. E já começou com polêmica, com reclamações dos jogadores na semifinal e final.
Dentro da sala, o árbitro VAR assiste ao jogo em dois monitores: um "ao vivo", com a transmissão oficial; outro com atraso de três segundos das mesmas imagens. Assim, ele consegue rever a jogada logo em seguida ao acontecimento. Caso precise rever o lance para tirar dúvidas, o árbitro VAR (ou um auxiliar) aciona imediatamente o operador, que providencia novos ângulos. A equipe VAR poderá ter à disposição até 30 câmeras em competições da Fifa.
Se perceber um "erro claro" do juiz de campo, o árbitro VAR faz contato pelo sistema de comunicação sem fio com o juiz de campo e o informa sobre o que viu na repetição da TV. Cabe ao árbitro no gramado tomar a decisão final, de preferência depois de também assistir ao vídeo em um monitor localizado em uma mesa ao lado do campo.
A iniciativa de usar o VAR também pode partir do juiz no gramado. Sempre que o vídeo estiver sendo utilizado para a análise de um lance, o árbitro deve fazer um sinal "desenhando" uma TV com as mãos para informar aos jogadores e torcedores que o procedimento foi tomado. Ao anunciar sua decisão - mudando ou não a marcação anterior -, o telão do estádio anunciará o motivo da troca.
