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Eleições legislativas devem implodir partidos tradicionais na França

Pesquisas indicam que grupo do presidente Emmanuel Macron poderá conquistar maioria parlamentar recorde

O segundo turno das eleições legislativas na França, neste domingo, deve resultar na implosão de partidos tradicionais e de forças populistas.

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Ao mesmo tempo, pesquisas indicam que o partido do presidente francês, Emmanuel Macron, A República em Marcha (LREM) - movimento formado há pouco mais de um ano -, poderá obter uma maioria parlamentar recorde. Ele deverá conquistar entre 430 e 470 das 577 cadeiras do Parlamento, o que representa pelos menos 75% dos assentos.

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A vitória esmagadora prevista para Macron implica grandes perdedores: o Partido Socialista (PS) sofrerá a maior derrota em eleições legislativas de sua história.

Projeções de diferentes institutos apontam que o PS deverá eleger apenas entre 20 e 35 deputados, o que deve resultar na perda de mais de 250 cadeiras.

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Será o menor número de eleitos do partido desde 1905, quando houve a unificação das forças socialistas no país. E representará ainda quase dez vezes menos do que a maioria parlamentar obtida pelo presidente socialista François Hollande após sua eleição, em 2012.

Várias personalidades do partido foram derrotadas já no primeiro turno, como Benoît Hamon, que disputou a eleição presidencial, ou o primeiro secretário do PS, Jean-Christophe Cambadélis.

Alguns bastiões históricos dos socialistas no país já perderam todas as suas cadeiras no Parlamento após o primeiro turno, no domingo passado, marcado por uma abstenção recorde, de 51,3%.

A presença fortemente reduzida no Parlamento também trará perdas financeiras significativas de subsídios políticos para o PS, de vários milhões de euros. Com isso, o partido poderá ter de vender sua icônica sede, situada em um bairro nobre de Paris.

Ainda assim, candidatos socialistas como o ex-primeiro-ministro Manuel Valls ou a ex-ministra da saúde Marisol Touraine (filha do sociólogo Alain Touraine) têm chances de serem eleitos.

O partido de Macron optou por não apresentar candidato na zona eleitoral de Valls e Touraine e de outros nomes socialistas, o que evitou que eles tivessem de enfrentar rivais da Em Marcha.

Com isso, esses socialistas fizeram campanha em nome da "maioria presidencial" e não de seu partido, que sofre grandes divisões internas.

Fracasso de Le Pen

O desempenho da Frente Nacional (FN), de Marine Le Pen, da extrema direita, também é visto como um fracasso. O partido, que hoje tem dois deputados, deve eleger apenas entre um e seis, segundo pesquisas.

O baixo número de cadeiras da FN, que não permite nem a criação de um grupo parlamentar (no mínimo 15 deputados), enterra os planos de Le Pen de liderar a oposição no país.

Após as eleições presidenciais, em maio, quando ela obteve 10,6 milhões de votos no segundo turno, um recorde na história do partido, a extrema direita estimava que iria conquistar várias dezenas de cadeiras nas legislativas - pelo menos 50.

Mas a desilusão é grande: a FN acabou tendo menos votos (600 mil a menos) no primeiro turno das legislativas, em 11 de junho, do que na mesma votação em 2012, apesar de na época Le Pen sequer ter conseguido chegar ao segundo turno da presidencial.

A FN também é a formação política que teve o maior recuo no número de votos no primeiro turno das legislativas na comparação ao primeiro turno das presidenciais, em maio: 4,7 milhões de votos a menos.

Le Pen disputa as legislativas é a única de seu partido com grandes chances de vitória. Ela concorre em um dos grandes bastiões da FN, no norte da França.

Gilbert Collard, atual deputado da FN e uma das figuras mais importantes do partido, corre o risco de não ser reeleito. A disputa é acirrada contra a toreadora Marie Sara, da LREM, totalmente desconhecida na França. Collard teve apenas 48 votos a mais do que a toreadora no primeiro turno.

Após o fracasso da extrema direita nas legislativas em relação às previsões iniciais do partido, a FN estuda mudar de nome e terá de lidar com sérios rachas internos em relação à linha ideológica do partido.

Alguns membros acham que foi um erro Le Pen ter focado seu discurso em questões econômicas e na saída da França da zona do euro.

Analistas estimam que os eleitores que votaram em partidos radicais nas presidenciais (que geralmente têm a maior taxa de particiapção eleitoral) se desmobilizaram com a derrota de seus candidatos no pleito mais importante e não votaram nas legislativas.

Le Pen e o esquerdista radical Jean-Luc Mélenchon totalizaram 40% dos votos no primeiro turno da eleições presidenciais. Mas seus partidos, caso obtenham o número máximo indicado nas pesquisas, conquistarão menos de 5% das cadeiras do Parlamento.

Conservadores racham

Os conservadores, de Os Republicanos (LR), também correm o risco, como os socialistas, de sofrerem uma derrota histórica nessas legislativas.

O LR terá melhor desempenho do que o PS e outros partidos. Pesquisas indicam que ele poderá conquistar de 60 a 100 cadeiras. Ou seja, terá no máximo a metade dos 200 deputados que possui na atual legislatura.

Se a direita tradicional ficar abaixo de 100 cadeiras, como preveem algumas projeções, será o menor número de deputados de sua história.

Os conservadores enfrentam um racha entre políticos do partido que apoiam Macron e fizeram campanha em nome da "maioria presidencial" e os que se colocam na oposição ao governo.

Em razão disso, alguns conservadores deverão se unir aos "macronistas" no Parlamento e ficar fora do grupo de seu próprio partido.

Outros conservadores querem criar um grupo intermediário entre a ala direita da maioria presidencial e os Republicanos.

Essas divisões enfraquecem o partido de direita tradicional - que alternou, com o PS, o poder na França por décadas.

As pesquisas indicam ainda que o LREM, de Macron, poderá obter sozinho, sem seu aliado centrista MoDem, 380 cadeiras (o MoDem deve obter cerca de 50).

Além de possivelmente conseguir um recorde para um único partido no Parlamento, a agremiação do presidente poderá dispor, sem aliados, de ampla maioria absoluta.

Críticos afirmam que a maioria esmagadora de mais de 400 cadeiras irá reduzir o debate democrático no país.

O segundo turno das eleições legislativas deve também ser marcado por um novo recorde de abstenção, que pode chegar a 54%, segundo pesquisas.

Na prática, se a alta abstenção se confirmar, significará que nunca um partido na França terá conseguido eleger tantos deputados com tão poucos votos.

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