Moradores de grota dizem que não receberam orientações da Defesa Civil
Grupo prepara protesto para pedir inclusão em programa habitacional após deslizamento no bairro de Santo Amaro
Fora de casa desde o último sábado (27), quando uma barreira deslizou, deixando dois mortos e quatro desaparecidos, moradores da Grota do Santo Amaro afirmaram na manhã desta terça-feira (30) que a Defesa Civil não realizou nenhum trabalho preventivo no local antes do acidente registrado no final de semana.
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O grupo prepara um protesto para a próxima segunda-feira, onde deve pedir a inclusão das vítimas do deslizamento em programas habitacionais.
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Os moradores prometem fechar a via principal do bairro - localizado na parte alta da capital - para pressionar o Município a encontrar uma solução rápida para o problema.
"[Integrantes da Defesa Civil ] não vieram aqui antes disso. Só vieram em anos anteriores, mas faz muito tempo e não condenaram nada. Depois disso, nunca mais vieram. Tanto que você vê que não tem nenhuma lona", afirma Luciano Rodrigues, morador do local, que se mudou para a casa de um irmão desde sábado.


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Cerca de 50 famílias que ocupavam a Grota do Santo Amaro foram obrigadas a deixar suas casas às pressas devido o risco de novos desabamentos. Uma parte do grupo foi cadastrada pelo Município para receber o chamado aluguel social e aguarda o cadastro em programas habitacionais para vítimas das chuvas.
VERSÃO DA PREFEITURA
A Prefeitura de Maceió, por meio da Defesa Civil Municipal, realizou ainda em 2013 um mapeamento amplo na cidade para identificar as áreas de risco, trabalho que resultou na classificação de 76 pontos em grotas e encostas, a exemplo da comunidade de Santo Amaro.
Nestes locais, desde 2013, o Município realiza ações de prevenção durante a Operação Inverno, com ações de limpeza e infraestrutura. A instalação das lonas é feita somente no período chuvoso, visto que, caso o material seja colado em períodos de sol, a resistência é pouca e o plástico rasga pela ação do tempo. Nos últimos 10 dias, o volume de chuva foi muito além do esperado e, em uma situação emergencial, a medida mais adequada foi a retirada das famílias que vivem no local.
Todas as famílias que moram no local foram cadastradas anteriormente em programas habitacionais do Governo Federal e, desde que foi identificada a situação de risco, os moradores foram orientados pela Defesa Civil a deixar o local caso o volume de aumente, seguindo o alerta que é feito pelo próprio órgão. No entanto, há uma resistência da população.
Em paralelo a isso, a Prefeitura também encaminhou ao Governo Federal, ainda em 2014, a solicitação da instalação de geomantas em áreas como a Grota Santo Amaro. No entanto, a solicitação não foi atendida. O pedido foi reforçado pelo prefeito Rui Palmeira durante a vinda do presidente Michel Temer a Maceió e vai ser reiterado, novamente, por meio do documento técnico que será enviado aos Ministérios das Cidades e Integração Nacional, bem como à Defesa Civil Nacional, com solicitações para reconstruir os espaços danificados pelas chuvas da última semana e também para medidas de prevenção.

BUSCAS
O Corpo de Bombeiros retomou, na manhã desta terça, as buscas por três desaparecidos após o deslizamento de uma barreira no local. Ontem, um corpo foi localizado e deve passar por procedimentos de identificação antes de ser liberado para sepultamento.
Os militares dizem, no entanto, que as buscas são consideradas muito difíceis. De acordo com eles, a procura pode ser interrompida caso as chuvas se intensifiquem.
"Quando a barreira caiu, eu estava em casa. Escutei a Marlene chamando pelo marido. Ela chamou pelo Ailton. Sai pra olhar e tentar ajudar, mas tinha um fio no meio e voltei. Fiquei dentro de casa sem poder fazer nada", diz Josinete Barbosa, moradora do local.
CANAÃ
No Canaã, moradores de uma área de risco reclamam que não tiveram assistência após o deslizamento de terra registrado no final de semana. Eles afirmam que a Defesa Civil esteve no local e interditou 11 casas, mas que a prefeitura não tem dado apoio aos moradores.
Maria Germana é empregada doméstica e afirma que perdeu tudo em casa. "Meu filho estava na cozinha e o cachorro latindo o tempo todo, como se tivesse chamando. Quando ele saiu que abriu a porta, já tava desabando. Ele botou o cachorro no colo e saiu correndo. Estou na casa de uma vizinha com o pouco que consegui salvar. Não tenho nem noção para pensar em nada. A ficha está caindo aos pouquinhos e não sei o que fazer".
A moradora Gilda Maria da Silva teve a casa atingida e interditada pela Defesa Civil, mas diz que não tem pra onde ir. "Não sai daqui. Passo o dia aqui e à noite durmo na casa do meu irmão, com medo. Quando desabou, eu escutei o barulho e todo mundo correu na hora. A Defesa Civil veio pra cá, mas não fez nada. Meu medo é desabar com a gente dentro de casa", ressalta.
Já Sandrevalda Gomes mora em uma área onde a Defesa Civil não passou. "A gente tá em casa e dá para ouvir o barro caindo. A Defesa Civil não veio aqui ainda e os moradores que colocaram a lona para ver se melhorava. Desceu barro ate a porta da minha cozinha, a gente que limpou. Não tenho pra onde ir, então continuo aqui mesmo. Minhas filhas estão com medo até de dormir aqui. Uma dorme agarrada comigo e a outra tá na casa da minha irmã".

