Gravador usado em conversa com Temer está no exterior, diz advogado
Defensor de Joesley Batista disse que aparelho será entregue à PF nesta terça. Empresário usou aparelho escondido para gravar conversa com presidente
O advogado do empresário Joesley Batista, Francisco Assis, disse que o gravador usado pelo empresário para registrar conversa com o presidente Michel Temer está fora do país e chegará nesta terça-feira (23), pela manhã. Assis afirmou que o equipamento será levado diretamente para a Polícia Federal (PF) assim que o material estiver no Brasil.
Tudo em um só lugar.
Receba notícias da GazetaWeb no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo!

A PF solicitou, neste domingo (21), que a Procuradoria-Geral da República (PGR) ou o próprio Joesley entregassem o equipamento. Com o gravador escondido, o empresário registrou a conversa com Temer no Palácio do Jaburu, em 7 de março deste ano. O áudio será periciado por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedido da defesa do presidente.
Leia também
Em análise técnica preliminar, o Instituto Nacional de Criminalística apontou também que é fundamental ter acesso ao gravador. Segundo a PF, não há prazo para a conclusão da perícia, "especialmente diante da necessidade apontada de perícia também no equipamento".
O áudio faz parte da delação premiada na operação Lava Jato de Joesley e do irmão dele, Wesley Batista, donos do frigorífico JBS, que resultou na abertura de inquérito para investigar o presidente, com autorização do STF. Temer é investigado por corrupção passiva, obstrução à Justiça e organização criminosa. Após fechar delação, Joesley se mudou para Nova York (EUA).


CRB se reapresenta e inicia preparação para duelo contra o São Bernardo - 2/6/26

Aproximação existe, mas anúncio de aliança entre JHC e Alfredo Gaspar segue pendente

Carlos critica falta de recai da direita sobre empresa do PCC em Goiás

Operação em SP investiga ONG da produtora do filme sobre Bolsonaro
Pedido de perícia
No sábado (20), a defesa de Temer pediu ao STF que o áudio fosse periciado para saber se houve cortes e que o inquérito fosse suspenso até que saia o laudo definitivo sobre a gravação. No mesmo dia, o ministro relator da Lava Jato no Supremo, Luiz Edson Fachin, determinou que a PF faça a perícia e decidiu levar o pedido de suspensão de inquérito para análise no plenário da Corte - o que deve acontecer quarta-feira (24).
Segundo a PGR, no diálogo Temer dá anuência para que Joesley continue pagando uma mesada ao deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso na Lava Jato, para mantê-lo em silêncio. Na conversa, Joesley também conta para Temer que está "segurando" dois juízes e que tem um procurador passando informações sobre uma operação na qual uma empresa do grupo é investigada.
Nos pronunciamentos que fez após a divulgação do áudio, Temer afirmou que a gravação é "clandestina", que foi manipulada e que não falou com Joesley de pagamento de mesada para Cunha. Também disse que não acreditou nas afirmações do empresário sobre as tentativas de influenciar nas investigações.
A PF afirmou que não participou da negociação da delação e nem da gravação. Disse ainda que só teve acesso aos áudios para realização da perícia neste domingo, após a determinação de Fachin. Os investigadores da PF só começaram a participar do caso a partir de 10 de abril, com a respectiva autorização de ações controladas, o que não incluiu a gravação de Temer, diz a nota.
Para a perícia do áudio, os advogados de Temer e a PGR apresentaram 31 quesitos que pedem para serem analisados na gravação. Entre eles estão se há edições no áudio e se a sequência das falas foi alterada.
