Alagoana campeã brasileira no tiro esportivo mira as Olimpíadas
Júlia iniciou no esporte a convite de uma amiga, apaixonou-se e não mais o largou; ela concilia rotina de atleta e advogada para alçar voo mais alto
Tudo começou como uma brincadeira, mas não demorou muito e o tiro esportivo ganhou a vida de uma jovem que, entre tantos marmanjos, já faz sucesso no esporte em que ter boa mira faz toda a diferença. Rompendo preconceitos, a também advogada Júlia Nunes já se coloca, em apenas dois anos, entre os grandes do tiro em Alagoas. Campeã brasileira, ela começa a mirar voos mais altos, almejando, inclusive, os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020.
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"Eu acompanhava uma amiga em um campeonato de tiro e comecei a atirar por diversão. Falaram que eu tinha jeito e acabei me apaixonando pelo esporte", recorda Júlia, sobre os primeiros passos no esporte que conheceu por acaso.
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E ela se desdobra para conciliar os treinamentos com as obrigações da profissão. Apesar da correria entre entre escritório e campo de treino, Júlia não esconde o entusiasmo ao falar de sua paixão, o tiro. "Tudo começou de uma forma bem despretensiosa. Fiquei entediada somente em ver a minha amiga competir e acabei também atirando, apenas para passar o tempo. O pessoal que acompanhava a disputa viu que eu levava jeito, e acabei pegando gosto", reforça a atiradora de 28 anos, que treina cerca quatro horas por dia, três vezes por semana.
Julia leva tanto jeito para o esporte que já defende o título de campeã brasileira na prova de 50 metros de distância para o alvo - também venceu nos 10 e 25 metros, em 2016. E no que depender de seu entusiasmo, Júlia tem tudo para voltar a subir ao pódio em 2017. É que a atleta acabou de ser campeã de uma etapa classificatória para o nacional, nos 50 e 25 metros.


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E a atiradora celebra os bons resultados, destacando o apoio da família. Mas nem sempre foi assim. "No início, ninguém levou muito a sério. Acharam que era uma brincadeira e que eu não deveria estar nesse meio. Mas, certa vez, convenci minha mãe a me acompanhar numa competição, quando ela me fez um desafio. Acertei um alvo bem pequeno e a uma distância muito grande. Depois disso, tudo mudou", disse, bem humorada.
"Agora teremos o Campeonato Norte e Nordeste, que acontece em Fortaleza, no próximo mês de abril. Estou focada em conseguir mais um bom resultado", afirmou, confiante, a atleta que também quer fazer bonito nas três etapas que restam antes do Brasileiro da modalidade. Para tal, espera superar um velho problema: a falta de apoio.

É que, segundo Júlia, os equipamentos utilizados no esporte são muito caros, obstáculo que, apesar de tudo, ainda não foi capaz de abatê-la. "Nossos equipamentos são caros e, em todas as etapas, o custo da arma e da munição que utilizamos é sempre de responsabilidade do atirador. Além disso, o equipamento é pesado e sempre temos de pagar taxas devido ao excesso de bagagem, o que também complica nossa situação", explica a atiradora.
Quanto às Olimpíadas, ela afirma não enxergá-la como um sonho distante. "Estamos começando a mudar nossa forma de treinar já pensando nas Olimpíadas. Inclusive, já consegui emagrecer bastante, buscando um preparo maior e se adequando às exigências da modalidade. Sei que não será fácil, mas podemos chegar lá", afirmou Júlia, sobre a possibilidade de marcar presença no maior evento esportivo do mundo.

