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Ministério da Agricultura tenta convencer China que carne não oferece riscos

Videoconferência entre técnicos dos dois países foi realizada na noite desta segunda-feira (20)

Técnicos do Ministério da Agricultura em Brasília tentaram, por videoconferência na noite desta segunda-feira (20), convencer importadores chineses que a carne brasileira exportada para lá não oferece riscos, conforme apurou o Jornal da Globo.

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Participaram da videoconferência o secretário de Defesa Agropecuária, técnicos do Ministério da Agricultura e autoridades do governo chinês.

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China, Coreia do Sul e Chile suspenderam o desembarque de carne brasileira até conhecerem os resultados da operação "Carne Fraca", da Polícia Federal (PF).

As explicações básicas já tinham sido enviadas por escrito, mas os chineses pediram esclarecimentos técnicos e aceitaram tratar do caso por videoconferência.

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A China já tinha decretado a suspensão da importação dos frigoríficos investigados. Uma das 21 unidades suspeitas de irregularidades vende para os chineses.

Os produtos brasileiros, segundo o Ministério da Agricultura, estão chegando aos portos da China, mas não podem passar pelos órgãos aduaneiros.

O país é o maior comprador de carnes do Brasil. No ano passado, os chineses compraram 736 mil toneladas de carne de aves, de gado e de porco. E deixaram no Brasil mais de US$ 1,7 bilhão.

Além dos chineses, a comunidade europeia também pediu vários esclarecimentos técnicos. Os europeus determinaram a suspensão da exportação das quatro empresas que vendem carne para o bloco e estão na lista das unidades sob investigação.

O governo brasileiro decidiu, então, preventivamente, proibir a venda para o exterior dos 21 frigoríficos até que tudo seja esclarecido.

Os casos mais graves são os dos frigoríficos Peccin, detentor da marca Italli e Larissa, suspeitos de, respectivamente, usar produtos químicos acima do permitido e alimentos vencidos há mais de três meses.

Também estão na lista de suspeitos: a JBS, dona das marcas Friboi, Seara, Big Frango e Swift, que foi objeto de busca e apreensão de documentos - um dos seus funcionários foi preso -, mas não teve nenhum frigorífico interditado, e o grupo BRF, responsável por marcas como Sadia e Perdigão, que teve a sua unidade de Mineiros, em Goiás, interditada por suspeita de contaminação de carnes.

Nem o Ministério da Agricultura, nem a PF e nem a BRF informaram para qual marcas a unidade de Mineiros produzia.

O Ministério da Agricultura afirma que esses casos são pontuais e que num universo de quase cinco mil frigoríficos, apenas 21 unidades estão sob investigação.

'Desastroso'

O ministro da Agricultura classificou como desastroso para o país um eventual embargo definitivo da carne brasileira. "Desastre, com toda certeza um desastre. A china é uma grande importadora nossa. A comunidade europeia, além de ser o nosso segundo ponto de exportação também é nosso cartão de visita. Quem vende para Europa, vende para muitos outros países que muitas vezes nem pedem fiscalização nossas, porque sabem que nós temos um sistema bom. Então, eu quero, torço, eu rezo, penso e trabalho para que isso não venha acontecer".

O ministro lembrou que o Brasil também é um grande importador e que está autorizado a ter reações mais duras nas negociações. "Comércio é assim. Não tem só bonzinho no comércio. O comércio tem que ser feito e muitas vezes à cotoveladas, se eu tiver que ter uma reação mais forte com o Chile eu terei, não há dúvida nenhuma... eu digo que se eu tiver que ter uma reação mais forte, para proteger o mercado brasileiro, eu farei com toda tranquilidade e já pedi isso ao presidente Temer na reunião, se eu tinha a sua autorização, a sua aquiescência para ser um pouco mais duro nessa questão. E ele disse que sim".

O ministro da Agricultura disse que não é possível interditar todos os 21 frigoríficos porque não há comprovação de ilegalidades praticadas por todos. Justificou também que traria um grande impacto econômico, porque a produção de carnes é responsável por cerca de seis milhões de empregos. E afirmou que a qualidade dos produtos das unidades sob suspeita está garantida porque só saem das fábricas depois de vistoriados por um funcionário do serviço de inspeção federal.

O presidente Michel Temer reafirmou numa reunião na Câmara Americana de Comércio Brasil-Estados Unidos que o sistema de inspeção federal é rigoroso e confiável. E que não há motivo para colocar em xeque a qualidade da carne produzida no brasil.

O Diário Oficial desta segunda-feira publicou uma lista com funcionários do ministério demitidos da função por causa das denúncias. Entre eles, Gil Bueno de Magalhães, superintendente de agricultura no Paraná, que está preso, e Júlio César Carneiro, superintendente de agricultura de Goiás, que na sexta (17) foi levado para depor em condução coercitiva.

Outro lado

A Peccin Alimentos disse estar confiante de que os órgãos competentes vão discernir a veracidade dos fatos alegados e pediu paciência e serenidade da sociedade para o esclarecimento da verdade.

O frigorífico Larissa declarou que seus produtos passam por um rigoroso acompanhamento de controle de qualidade, que tem todas as licenças e alvarás de funcionamento que garantem a comercialização e consumo, inclusive um selo de qualidade de exportação.

A BRF disse que a fábrica interditada de mineiros está habilitada pra exportar para os mercados mais exigentes do mundo, que uma auditoria do Ministério da Agricultura, no fim de fevereiro, considerou a unidade apta a manter suas operações. A BRF também afirmou que a interdição é preventiva e temporária e que vai durar até que apresente as informações que atestem a segurança e a qualidade de seus produtos.

A JBS declarou que, no despacho da Justiça, não há menção a nenhuma irregularidade sanitária em instalações da empresa. Afirmou, ainda, que nenhuma das unidades da companhia foi interditada e que nenhum problema foi identificado nos produtos dela. A empresa também afirmou que segue os mais rígidos padrões e protocolos nacionais e internacionais de qualidade e de segurança alimentar.

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